quinta-feira, 7 de agosto de 2008
África tem pelo menos 15 governos autoritários, dizem especialistas
Segundo especialistas ouvidos pelo G1, continente concentra ditaduras e autocracias.
Nos últimos dez anos, no entanto, muitos governantes fizeram concessões democráticas.
Na última segunda-feira (14), o presidente do Sudão, Omar Ahmad al-Bashir, foi indiciado por crimes de guerra e genocídio pelo promotor do Tribunal Penal Internacional, que pediu sua prisão. Bashir comanda o país desde 1993, quando dissolveu o Comando Revolucionário de Salvação Nacional e concentrou o poder, suprimindo liberdade. Na opinião do analista político e autor de "African Economies and the Politics of Permanent Crisis" ("Economias africanas e a política de crise permanete", inédito em português) Nicolas van de Walle, o Sudão é uma das quatro ditaduras que ainda existem na África.
Em entrevista ao G1, por telefone, o professor da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, disse que, embora nos últimos 10 anos tenha existido uma visível mudança em direção à democracia no continente, ainda há quatro países que podem ser considerados ditaduras pela supressão de liberdades e pelo autoritarismo com que o chefe de Estado governa. Sudão, Guiné, Guiné Equatorial e República Centro-Africana têm governos autoritários e ausência de liberdades, tanto política quanto de expressão.
Já de acordo com Nelson M. Kasfir, especialista em estudos africanos, professor da Universidade de Dartmouth e autor de "Civil Society and Democracy in Africa" (Sociedade civil e democracia na África", inédito em português), o número de ditaduras chega a dez: Guiné Equatorial, Sudão, Zimbábue, Gabão, Suazilândia, Líbia, Eritréia, Guiné, Burkina Fasso e Etiópia.
Essa diferença se deve à definição de ditadura usada por cada pesquisador. Para Kasfir, um ditador é um líder que se recusa a deixar o cargo em eleições justas e livres.
De acordo com essa definição, há pelo menos 15 países - entre 53 nações africanas - que têm governantes autoritários (conheça cada um no infográfico abaixo). Nos demais países há alternância de líderes, eleições e os grupos de oposição são permitidos.
Além de ser o continente com maior número de governos autocráticos, Kasfir explica que a África também concentra os países mais pobres e os com maior herança colonial.
Autocracias democráticas
Segundo Van de Walle, além dessas nações, há ainda as autocracias eleitorais ou democracias autoritárias, que são países onde o governante implementa uma 'falsa' democracia, com eleições fraudulentas e tentativas de minar a oposição.
De acordo com o pesquisador, o Zimbábue é um exemplo de democracia autoritária, já que nas últimas eleições, no final de junho, a oposição retirou a candidatura alegando fraudes e ameaças, dando vitória ao presidente Robert Mugabe, que está há 28 anos no poder.
Intervenção
Segundo Van de Walle, a comunidade internacional deveria reagir implementando sanções contra os países que não têm democracias que funcionam. "Deveria haver uma política de benefício às nações que se tornassem democráticas e conseguissem efetivar a alternância de poder."
Já de acordo com Kasfir, não há muito o que a comunidade internacional possa fazer. "Democracia deve ser construída internamente. A comunidade internacional pode no máximo enviar observadores e ajudar com a educação da população."
Fonte: G1
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