Uma investigação de dois anos ordenada pelas autoridades em Kigali concluiu que a França ajudou a planegar o genocídio, e acusou soldados franceses de envolvimento direto na matança.
O relatório traz os nomes de mais de 30 altas autoridades francesas, inclusive a do presidente François Mitterand, morto em 1996, e dois ex-primeiros-ministros, Dominique de Villepin e Edouard Balladur.
Na lista também consta o nome do então ministro do Exterior, Alain Juppe, que ainda é uma figura de destaque no partido do presidente Nicolas Sarkozy.
A França negou anteriormente qualquer responsabilidade no genocídio de Ruanda. O Ministério do Exterior da França disse que não dará mais nenhuma declaração sobre o assunto até que o relatório seja lido.
Papel polêmico
O papel da França em Ruanda durante o genocídio sempre foi controvertido, de acordo com o analista da BBC, James Read.
O então presidente Mitterand tinha laços estreitos com o regime dominado por membros da etnia hutu, que orquestrou o massacre.
No centro dessas relações estava o desejo de Paris de manter sua influência pós-colonial nas antigas colônias francesas na África.
Francês era a língua oficial de Ruanda antes do genocídio. Mas os rebeldes majoritariamente da etnia tutsi, liderados por Paul Kagame - hoje presidente do país - tendiam a falar inglês, após longo exílio em Uganda.
A determinação de garantir que Ruanda não havia saído da família francófona foi tal que assistência militar continuou a fluir mesmo quando surgiram evidências de que um genocídio estava em preparação.
Na fase final do massacre, quando o regime hutu se desagregou antes do avanço do exército rebelde de Kagame, a França enviou tropas para organizar uma zona de segurança no oeste de Ruanda, a fim de parar a matança.
Europeus foram retirados do país para sua segurança, mas até tutsis que trabalhavam na embaixada francesa foram deixados para trás.
A intervenção ajudou alguns ruandeses a escapar. Destacados membros do governo hutu acabaram em segurança e milicianos envolvidos no genocídio cruzaram a fronteira para o que é hoje a República Democrática do Congo, causando mais de dez anos de matança neste país.
A França sempre negou qualquer responsabilidade pelo genocídio, embora tenha admitido que cometeu erros políticos.
As relações entre Ruanda e a França nunca foram as mesmas.
No ano passado, Ruanda rompeu relações diplomáticas com a França depois que um juiz francês implicou o presidente Kagame e outras altas autoridades ruandesas na morte do ex-mandatário, Juvenal Habyarimana - um acontecimento amplamente visto como um fator para a ocorrência do genocídio.
Fonte: BBC Brasil
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