Os três rivais de McCain se unem em um duro ataque contra Barack Obama
Nas primárias foram adversários. Mas os três principais concorrentes de John McCain para a nomeação do Partido Republicano se uniram na quarta-feira (3) em um duro ataque contra o que batizaram de "imprensa liberal", contra a esquerda, contra Washington e contra o candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama.
Esquecidos os tempos do conservadorismo compassivo, Rudolph Giuliani, Mike Huckabee e Mitt Romney imprimiram um tom radical à convenção de Saint Paul e acusaram o senador de Illinois de falta de firmeza diante do terrorismo islâmico e de possuir menos experiência executiva que qualquer dos dois membros da candidatura republicana.
"Os democratas renunciaram a ganhar a guerra do Iraque e renunciaram à América", disse o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. Em uma severa crítica ao Partido Democrata, disse que em sua convenção em Denver "raramente mencionaram os ataques de 11 de Setembro. Vivem em um estado de negação sobre a maior ameaça que vive nosso país".
O ex-governador de Arkansas Mike Huckabee acusou Obama de ser o candidato que colocará os EUA "em risco em um mundo perigoso". Mitt Romney, por sua vez, trouxe pontos do ideário neoconservador ao afirmar que os republicanos são os únicos que acreditam "na distinção entre bem e mal", enquanto Obama "duvida e se dobra" diante do terrorismo.
Giuliani defendeu McCain como "um soldado na revolução conservadora de Reagan". De fato, os três ex-candidatos atribuíram a McCain o papel de defensor do legado do célebre presidente republicano dos anos 1980. "O caminho adequado é o que Ronald Reagan liderou há 30 anos e que agora John McCain e Sarah Palin percorrerão", disse Romney, que foi governador de Massachusetts entre 2003 e 2007.
Em sua intervenção, esse político mórmon ligou diretamente a presidência de George W. Bush à candidatura de McCain. "Bush definiu os países que patrocinam o terrorismo como o que eles são: um eixo do mal", afirmou, em uma defesa da tradição neoconservadora dos anos mais recentes do Partido Republicano. "O islamismo radical e violento é o demônio e devemos vencê-lo."
"Queremos passar de uma Washington liberal para uma Washington conservadora", disse Romney em tom desafiador. "Os liberais trocariam a sociedade das oportunidades pela dependência da caridade do governo", disse, detalhando depois um ideário econômico claramente republicano: "O caminho adequado consiste em reduzir os gastos do governo, baixar os impostos, exterminar os grandes regulamentos e os mandatos, deter os juros das empresas e enfrentar o apetite de tiranossauro dos sindicatos".
Tanto Romney como Giuliani acusaram os democratas pela crise energética que vivem os EUA. Ambos defenderam a proposta de McCain de abrir o litoral americano a mais perfurações petrolíferas. "É o Congresso liberal que nos torna mais dependentes dos tiranos do Oriente Médio", disse o ex-governador de Massachusetts.
Os discursos dos três ex-candidatos também foram uma defesa da experiência política de Sarah Palin e um forte ataque pessoal contra Obama e seu companheiro de candidatura, Joe Biden. "Palin já tem mais experiência em um cargo executivo que toda a candidatura democrata", disse o ex-prefeito de Nova York. "Foi prefeita, e vocês sabem como eu gosto desse trabalho. Sinto muito, Barack, se [o cargo de prefeita] não é suficientemente glamouroso", disse.
Os três antigos adversários se submeteram obedientemente à disciplina do partido em suas declarações. Só um, o ex-governador de Arkansas e ministro batista Mike Huckabee, reconheceu entre risos que no princípio queria ser é a ler o discurso de aceitação da candidatura na quinta-feira à noite. Mas o Huckabee de quarta-feira foi mais uma arma na tática de ataque criada pelo estrategista eleitoral Steve Schmidt, amigo pessoal de Karl Rove e arquiteto da campanha de McCain. "Sarah Palin obteve mais votos como prefeita de Wasilla, Arkansas, que Joe Biden em sua candidatura à presidência", disse.
Foi Huckabee quem mais se enfureceu com "os meios de comunicação elitistas" por salientar várias polêmicas nas quais Palin se envolveu recentemente. A imprensa, ele disse, "fez algo que parecia impossível: unir o Partido Republicano e todos os americanos em apoio ao senador McCain e à governadora Palin".
Fonte: UOL/EL PAÍS
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