Entretanto, a missão recomendou à comissão eleitoral angolana a "revisão" de sua capacidade de gestão para melhorar sua atuação nos próximos processos eleitorais.
A votação estava marcada para apenas um dia, mas as seções eleitorais permaneceram abertas também neste sábado na capital, Luanda, depois que o caos registrado na sexta-feira impediu que muitas pessoas votassem.
A chefe da missão de observadores da União Européia (UE), Luisa Morgantini, que chamou o processo de votação de "desastre" na manhã de sexta-feira, neste sábado adotou uma postura mais cautelosa, segundo a agência de notícias AFP.
"Houve problemas (...) Vamos ver o que acontecerá", afirmou, dizendo que não apresentará o relatório oficial da missão da UE até segunda-feira.
O principal partido de oposição, Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola), pediu ao tribunal constitucional do país que ordene uma nova eleição na capital, por causa da desorganização.
Estas foram as primeiras eleições realizadas na ex-colônia portuguesa em 16 anos.
Atraso
Nesta sexta-feira, algumas seções abriram com atraso ou ficaram sem cédulas eleitorais e outras não tinham nem mesmo listas dos cidadãos com direito a voto, com os problemas sendo particularmente sérios na populosa capital.
O líder da Unita, Isaías Samakuva, pediu a realização de novas eleições, devido aos problemas.
Samakuva teve um encontro com a direção da Comissão Eleitoral do país, na qual reclamou do caos na realização da eleição.
"O sistema (eleitoral) praticamente entrou em colapso e temos que fazer algo para recuperar o processo", disse Samakuva. "Isto é uma bagunça."
Líderes de partidos menores de oposição ecoaram as críticas e também pediram a realização de uma nova votação.
Mas a comissão decidiu estender a votação por um segundo dia que não estava previsto e reabrir 320 seções.
A comissão rejeitou críticas à sua organização e culpou autoridades locais pelos problemas.
Nesta eleição, a segunda da história de Angola, os eleitores foram às urnas para escolher novos representantes para a Assembléia Nacional.
Dez partidos - que incluem a Unita e o MPLA (Movimento para a Libertação de Angola), no poder - e quatro coligações disputaram os votos de 8,3 milhões de eleitores.
Guerra civil
O último pleito angolano, disputado em 1992, acabou trazendo de volta a guerra civil de 27 anos que atingiu o país desde sua independência de Portugal.
O conflito só terminou depois da morte do ex-líder da Unita, Jonas Savimbi, em 2002.
Na eleição de 1992, o MPLA garantiu 129 cadeiras no Parlamento, e a Unita ficou com 70. Os demais 21 assentos ficaram com partidos menores.
Há uma expectativa de que o MPLA mantenha a sua maioria no Legislativo, mas a Unita pode obter uma boa votação, especialmente entre a população dos subúrbios de Luanda.
A cidade teve um crescimento desordenado durante a guerra, recebendo refugiados das zonas rurais, que vivem em condições precárias, sem eletricidade e água encanada.
Os resultados desta eleição devem ser divulgados em, no máximo, 15 dias. O pleito está sendo encarado como um "ensaio" para as eleições presidenciais, previstas para 2009.
Fonte: BBC Brasil
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