sexta-feira, 27 de junho de 2008

Em Caracas, Lula e Chávez discutem integração energética

A integração energética será o principal tema da visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz nesta sexta-feira à Venezuela. No encontro, em Caracas, Lula e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, deverão discutir o andamento das negociações entre a Petrobras e a estatal venezuelana PDVSA.

As empresas têm planos para executar dois empreendimentos conjuntos de exploração de petróleo, no Brasil e na Venezuela.

A elaboração dos contratos para constituição de duas empresas conjuntas entre a PDVSA e a Petrobras está em andamento desde fevereiro de 2005.

O processo mais adiantado é o da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que teve um acordo de associação firmado entre as duas empresas há três meses, durante o encontro dos dois presidentes em Recife.

Ainda falta, porém, a elaboração dos estatutos sociais, o acordo de acionistas e o contrato de compra venda de petróleo.

O assessor da Presidência venezuelana, Maximilien Arvelaiz, disse à BBC Brasil que a tendência das reuniões anteriores deve se repetir nesta sexta-feira.

Segundo Arvelaiz, Chávez e Lula deverão pedir aos presidentes das estatais que acelerem a finalização dos acordos, argumentando que a decisão política deve prevalecer sobre a econômica ou técnica.

"Provavelmente, uma vez mais, a decisão final será tomada pelos presidentes", afirmou Arvelaiz. "A PDVSA e a Petrobras só avançam quando os presidentes lhes puxam as orelhas."

Interferência política

Segundo o economista e analista de petróleo Orlando Ochoa, a interferência política do governo venezuelano é o que poderia estar causando resistências dentro da Petrobras - que, a seu ver, tem uma gestão pragmática - a um acordo de associação com a PDVSA.

"A Petrobras tem uma gestão dirigida ao mercado internacional e a PDVSA ao mercado regional, determinada a atender os interesses geopolíticos do governo. Estas duas concepções se chocam na hora de firmar acordos", disse Ochoa.

O governo da Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo, tem marcado sua política externa nos últimos anos com a venda de petróleo a preços preferenciais para seus aliados na América do Sul e no Caribe.

A Petrobras já disse estar disposta a desenvolver o projeto de US$ 4,05 bilhões em Pernambuco sozinha. A Abreu e Lima deve começar a operar em 2010, e até 2011 poderá processar 200 mil barris de petróleo pesado por dia.

Orinoco

As discussões sobre o projeto conjunto de exploração e produção de petróleo pesado no campo de Carabobo 1, na faixa petrolífera do Orinoco, na Venezuela, também estão paralisadas.

A Petrobras, que inicialmente exigia 40% da participação acionária, proporcionalmente inversa à prevista para a PDVSA na refinaria Abreu e Lima, agora estuda uma participação de, no máximo, 10% em Carabobo.

Analistas afirmam que o desinteresse da estatal brasileira no campo venezuelano poderia estar relacionado às recentes descobertas dos poços petrolíferos no pré-sal da Bacia de Santos.

Acordos

A visita de Lula à Venezuela não deve durar mais que cinco horas. O presidente chega a Caracas pela manhã e deverá se reunir com Chávez no Palácio de Miraflores.

Lula e Chávez deverão firmar um acordo que prevê a ampliação da rede elétrica que abastece a região Norte do Brasil. O projeto envolve a Eletrobrás e a sua equivalente venezuelana, Edelca.

Outro acordo que poderia sair do papel é a construção de unidades de produção de GNL (Gás Natural Liquefeito), em discussão desde 2005, em parceria entre a PDVSA e a Petrobras.

Também deverão ser discutidos os acordos de integração binacionais e assuntos regionais, como o Conselho de Defesa Sul-americano.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Brasil vai testar eficiência de placa solar

O Brasil vai poder testar a eficiência das placas solares usadas para gerar energia elétrica. O primeiro laboratório brasileiro para avaliar o consumo de energia de equipamentos desse tipo que transforma radiação solar em eletricidade, será inaugurado nesta quarta-feira (18) na USP (Universidade de São Paulo).

Os equipamentos que se saírem melhor nos testes ganharão um atestado de qualidade do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), da Eletrobrás. O "Selo Procel de Economia de Energia", como é chamado, identifica os aparelhos mais eficientes e, com isso, estimula a fabricação de produtos que consomem menos eletricidade. Eletrodomésticos como geladeira, ar-condicionado e lâmpada já recebem o selo.

A estrutura a ser inaugurada na USP, o Laboratório de Etiquetagem de Sistemas Fotovoltaicos, está equipada com um Simulador Solar, importado da Alemanha, que faz uma simulação artificial dos raios do sol para testar a eficácia dos conversores. O local conta ainda com uma câmara climática, que vai testar a degradação do material ao ser exposto ao sol, avaliando a durabilidade de painéis e células fotovoltaicas. Os equipamentos custaram R$ 340 mil.

"Agora, vamos ter condições plenas de certificar equipamentos de geração fotovoltaica", afirma o chefe da divisão de suporto técnico do Procel, Emerson Salvador. "Vou saber quais equipamentos que geram mais energia e se o material empregado também é de qualidade, ou seja, se a vida útil dele vai ser mais prolongada."

O laboratório, por enquanto, não avaliará as placas solares que aquecem água de chuveiro, mas apenas os sistemas que abastecem imóveis com energia elétrica — usados principalmente em comunidades afastadas das redes de eletricidade e com poucos moradores, nas quais não é economicamente viável estender uma linha de transmissão. Situações como essa são especialmente comuns na Amazônia.

O laboratório foi montado no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e é apenas o primeiro de seis previstos para serem instalados em São Paulo até outubro e que integram o Projeto de Capacitação Laboratorial, coordenado pela Eletrobrás por meio do Procel. No total, serão investidos R$ 1,8 milhão, proveniente da Eletrobrás e parceiros como o GEF (Global Environment Facility), o Banco Mundial e o PNUD.

"A idéia é expandir o selo para outros produtos e fortalecer outros que já existem", afirma Salvador. Nos novos laboratórios, todos certificados pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), serão testados televisores, aquecedores elétricos, compressores industriais e outros equipamentos que consomem energia elétrica. Dois laboratórios ficarão na União Certificadora para o Controle de Conformidade de Produtos, no bairro do Jabaquara. Neles, vão ser realizados ensaios em lâmpadas, reatores, chuveiros e torneiras elétricos e até sistemas de hidromassagem.

Fonte: PNUD Brasil

OCDE: Países devem aproveitar alta de alimentos para cortar subsídios


Um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta quinta-feira pede que os países ricos aproveitem a alta mundial dos preços de alimentos para reformular "com urgência" suas políticas agrícolas protecionistas.

Segundo o relatório, medidas que "causam distorções nos mercados" se tornaram, com a alta dos alimentos, "menos eficazes em combater problemas de receita dos agricultores".

No ano passado, a ajuda concedida aos produtores dos países da OCDE alcançou US$ 258 bilhões – pouco mais que os US$ 257 bilhões registrados em 2006, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira.

Apesar de se manter estável de um ano para outro, o valor foi o equivalente a 23% da receita dos produtores – abaixo dos 26% registrados no ano anterior e dos 28% em 2005.

Em uma perspectiva histórica, o nível atual de ajuda é o menor desde o início das estatísticas, nos anos 1980. Entre 1986 e 1988, esta porcentagem era de 37%.

"A queda no nível da ajuda em 2007 foi principalmente motivada pelo aumento dos preços globais das commodities", atribuiu o relatório. "Com preços mundiais mais altos, as medidas dos países da OCDE para manter os preços geraram transferências menores, resultando em uma redução total da ajuda aos produtores."

Para a OCDE, "não aproveitar as oportunidades para reformas" abertas com o momento de alta nos preços dos alimentos significará "prolongar a vida de políticas que criam desequilíbrios de mercado."

Inflação dos alimentos

O relatório é mais um a atrelar a discussão sobre políticas protecionistas à questão do aumento dos preços de alimentos.

Na quarta-feira, a organização Oxfam, de combate à pobreza e à fome, disse que desmantelar os subsídios agrícolas dos países ricos ajudaria a conter a alta dos produtos agrícolas.

Para a OCDE, as altas do setor agrícola se devem a vários fatores: tendências de aumento na demanda por alimentos nos mercados emergentes, preços mais altos de energia e redução temporária de oferta de mercados-chave por conta de secas.

Além disso, afirma o documento, "uma maior atividade especulativa e políticas de estímulo à mudança no uso de determinadas colheitas para produção de biocombustíveis foram outras fontes de aumento dos preços das commodities".

A organização reconheceu que houve avanços no desmantelamento de políticas de protecionismo agrícola, como a reforma do açúcar pela União Européia, a aprovação de uma nova lei agrícola nos Estados Unidos e pequenas mudanças no Japão e na Coréia do Sul.

Entretanto, "as reformas têm sido desiguais de acordo com cada país", diz documento.

A OCDE notou que "a agricultura continuou um capítulo de dificuldades contínuas nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio, junto com o acesso a serviços e mercados não agrícolas" e que, "em meio a um processo multilateral lento, muitos países da OCDE deram início a novos acordos bilaterais e regionais de comércio".

Como balanço geral, a organização avaliou que "as políticas que distorcem o comércio continuam a caracterizar as políticas agrícolas de muitos países membros desta organização".

Fonte: BBC Brasil

Burkina Fasso combate a desertificação e a mudança climática com técnicas tradicionais

Um cavalo está amarrado na entrada do quintal de Ali Ouedraogo, no povoado de Gourcy, a 150 km ao norte de Ouagadougou, a capital de Burkina Fasso, em pleno Sael [faixa de campos áridos ao sul do deserto do Saara]. Não é uma coisa banal: um animal é um sinal de sucesso, a prova de que aos 78 anos Ali Ouedraogo vive melhor que seus vizinhos, agricultores como ele. No meio de seu quintal, três paióis circulares estão cheios de sorgo até o topo. Eles contêm o suficiente para alimentar toda a família até a próxima colheita, em setembro, talvez até mais. Quarenta pessoas, entre elas uma fieira de crianças, vivem disso, enquanto outras famílias já enfrentam escassez. Elas terão de sobreviver com babenda, um mingau com gosto de espinafre velho, feito de um punhado de cereais e muitas folhas.

Os campos de Ouedraogo não se parecem com os de seus vizinhos. Aqui o hábito é desmatar, plantar e colher até esgotar o solo, depois recomeçar um pouco mais longe. Os agricultores deixam para trás uma terra estéril, nua como um piso de cerâmica. Com o aumento da população cresce a necessidade de terras e mais se esgota o solo. É a engrenagem da desertificação, agravada pelos fatores climáticos.

Para Ali Ouedraogo tudo mudou em 1983. "Naquele momento a situação era muito dura", ele conta. "Não havia chuva, as colheitas eram ruins, eu pensava em deixar a região." Muitos emigraram. Ele decidiu ficar e cuidar das terras degradadas, que ninguém queria na época. Com a ajuda de uma organização não-governamental dedicada ao combate à desertificação, ele pouco a pouco bateu recordes de produtividade. Hoje colhe em média 1.500 quilos de sorgo por hectare, contra 800 quilos nas melhores terras das redondezas.

Para isso não houve necessidade de máquinas agrícolas, adubos químicos ou sementes milagrosas. Os agricultores não poderiam pagá-los. Nem de represas, pois o relevo não se presta. São necessárias pedras, picaretas, pás, um nível para calcular o sentido do escoamento da água e muita mão-de-obra. O objetivo é impedir a erosão e reter o máximo de água no solo.

"Trata-se de técnicas rurais tradicionais, aperfeiçoadas por agrônomos", explica Matthieu Ouedraogo, que forma os agricultores. Nos campos, fileiras de pedras, batizadas de cordões pedregosos, são feitas ao longo das curvas de nível, desenhando pequenos terraços. Árvores são plantadas aí. Barreiras em forma de meia-lua retêm a água em microbacias. Os "zai", buracos com 20 cm de profundidade onde as sementes são plantadas em esterco, permitem uma infiltração mais profunda da água.

"Todas essas técnicas contêm o escoamento da água", continua Matthieu Ouedraogo. "Pouco a pouco a terra se regenera." E as árvores que crescem nos terrenos fornecerão lenha que não será mais retirada da mata...

"Com essas técnicas podemos deixar o Sael verde de novo", afirma Souleymane Ouedraogo, pesquisador do Instituto do Meio Ambiente e Pesquisas Agrícolas (Inera). "Contivemos a desertificação, aumentou a fertilidade das terras, e, portanto a produção de cereais e de ração para os animais, a biodiversidade se recupera." Bastam quatro ou cinco anos para obter bons resultados nas terras degradadas.

Por que então todo o Sael não é transformado? Em Burkina Fasso, cerca de 300 mil hectares estariam preparados, ou seja, menos de 9% da superfície cultivável do país. "Essas técnicas não são muito caras, mas é preciso um investimento inicial", explica Bertrand Reysset, engenheiro agrônomo do Comitê Inter-Estados de Combate à Seca no Sael (Cilss), que reúne nove países da região.

O investimento chega em média a 130 euros por hectare. É preciso alugar um caminhão e pagar o combustível para buscar as pedras, comprar um mínimo de material, pagar a mão-de-obra durante os trabalhos. Uma formação e um acompanhamento são necessários. Tudo isso está fora do alcance dos agricultores que trabalham com foice, dobrados em dois nos campos. Os bancos não lhes dão crédito. Os projetos implementados tiveram o financiamento de ONGs.

Essas técnicas, experimentadas desde os anos 1980 no âmbito do combate à desertificação, seriam muito úteis para adaptar-se à mudança climática. "Os modelos climáticos prevêem um aumento da freqüência de acontecimentos extremos, um prolongamento da estação seca, precipitações mais concentradas e torrenciais", explica Edwige Botoni, especialista em gestão de recursos naturais do Cilss. "Isso terá um impacto negativo na produtividade do solo."

A estação de chuvas de 2007 foi um exemplo perfeito disso. Ela começou atrasada e toda a água caiu ao mesmo tempo, em agosto, provocando inundações. "A luta contra a desertificação e a adaptação à mudança climática coincidem em 90%", afirma Reysset.

Todos esperam que a crise alimentar mundial faça mudar as coisas. Eles ouviram o discurso do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que apelou para "aplicar esforços na agricultura de sobrevivência subsaariana" em 3 de junho em Roma, durante a cúpula sobre a alimentação. A agricultura é um parente pobre há 30 anos. Ela representa apenas 5% da ajuda pública ao desenvolvimento, e são raros os países que lhe dão prioridade. Ela vem depois dos ambulatórios, escolas, estradas...

Na aldeia de Guiè, ainda no norte de Burkina, a ONG Terra Verde obteve resultados especialmente espetaculares, criando um "bosque saeliano", segundo a expressão de seu fundador, Henri Girard, um engenheiro agrônomo francês. Cercas vivas protegem o solo da erosão. Com uma mecanização mínima, uma pequena dose de fertilizantes químicos, variedades selecionadas e rotações culturais bem escolhidas, a região reverdeceu e a produção é quatro vezes superior à média.

"É a prova de que não há fatalidade, que mesmo com nossos solos e nossos climas tudo é possível", comenta Hamado Sawadogo, agrônomo do Inera. O investimento inicial foi de 400 euros por hectare. Mas a evolução das práticas também exige uma mudança de mentalidade. "As pessoas aqui são fatalistas: se eu sou pobre, se perdi minha colheita, foi Deus quem quis", explica Girard. "Mas alguns se levantam. A cada 50 km há alguém disposto a se mexer."

Desaceleração nos EUA desperta mais temor que inflação, dizem analistas

Os riscos representados pela desaceleração econômica nos Estados Unidos são maiores do que os representados pela inflação, afirmam analistas econômicos americanos ouvidos pela BBC Brasil.

Os analistas elogiaram a decisão do Federal Reserve (Fed, como é conhecido o Banco Central americano), anunciada nesta quarta-feira, de manter a taxa básica de juros inalterada nos Estados Unidos, em 2% ao ano.

A decisão representou o fim de uma seqüência de sete cortes consecutivos na taxa.

''Foi a decisão certa, a de tirar uma pausa e esperar para ver. O mais importante foi que o Fed divulgou uma declaração que enfatiza mais as preocupações em relação ao crescimento do que com o temor inflacionário'', afirma Christian Weller, professor da Universidade de Massachusetts, em Boston, e pesquisador do instituto de pesquisas Center for American Progress.

''É a ênfase correta. Primeiro, é preciso que acertemos a situação do crescimento'', acrescenta Weller.

Em seu comunicado, o Fed afirma que tem havido uma desaceleração do mercado de trabalho americano, que ''os mercados financeiros permanecem sob forte estresse'' e que a atual contração do setor imobiliário e o aumento de preços de energia deverão ter um peso sobre o crescimento econômico nos próximos trimestres.

O documento acrescenta ainda que o Fed espera que a inflação seja moderada ao longo deste e do próximo ano, mas acrecenta que ''dados os contínuos aumentos nos preços de energia e de outras commodities'', a ''incerteza a respeito da inflação permanece elevada''.

"Mãos atadas"

Weller diz que a decisão do Fed de manter inalterada a taxa de juros demonstra que ''suas mãos estão atadas'', uma vez que, dada a atual fragilidade da economia do país, o banco prefere não correr o risco de promover novos cortes no momento, mas prefere torcer para que a situação melhore naturalmente, ainda que, dentro de alguns meses, devido ao temor inflacionário, tenha de elevar as taxas de juros.

Weller acredita que não se deve superestimar o papel dos corte de juros promovido pelo Fed, visto que ''as taxas de juros que realmente importam, as de longo prazo, que permitem investimentos em negócios e que pessoas comprem imóveis, não registraram queda, o que mostra uma certa ineficácia nas políticas do Fed''.

Para Josh Bivens, economista do Economic Policy Institute, de Washington, o problema é que ''o risco da inflação parte de fatores sobre os quais não há controle, como o mercado mundial de petróleo e os preços mundiais de alimentos. Estes fatores são precoupantes, mas não há muito que o Fed possa fazer sobre eles''.

Muito mais preocupante, comenta Bivens, é o fato de que ''foram registradas perdas de postos de trabalho em todos os meses de 2008''.

A ênfase na inflação, afirma o economista, se deve ao fato de que o Fed ''é um pouco tendencioso no que diz respeito a enfatizar a batalha contra a inflação em detrimento à batalha em manter desemprego baixo, em parte porque boa parte do 'público do Fed' são os mercados financeiros''.

Na visão de Bivens, não tomar uma ação no momento, mas alertar para os riscos da inflação é uma forma que o Fed encontrou de ''ganhar um pouco de tempo e esperar que as coisas melhorem por conta própria''.

''Não é uma medida ruim, mas eu preferiria que o Fed seguisse cortando juros. Mas, devido às fortes pressões que eles enfrentam, essa não é uma possibilidade no momento'', diz o economista.

Outro analista, Mark Bloomfield, economista do American Council for Capital Formation, de Washington, também bate na tecla de que o Fed conta com poucas opções, além daquelas a que já recorreu.

''Existem duas alavancas. Uma é a política monetária, como a de cortar juros, e a outra é a política fiscal, à qual o governo já recorreu, como no envio de cheques e no pacote econômico'', afirma.

Os comentários do economista se referem à decisão do governo Bush de pressionar por um pacote de US$ 150 bilhões, que ofereceu isenção fiscal e incentivou a compra de equipamentos para empresas e a restituição de impostos a famílias de renda mínima, através de cheques de US$ 600, enviados pelo correio a indivíduos com renda mínima inferior a US$ 3.000.

O problema, segundo Bloomfield é que em vez de usar esses cheques ''para consumir e assim estimular a economia'', elas estão usando-os ''para saldar dívidas e para pagar a gasolina que os leva ao trabalho''.


Fonte: BBC Brasil

Entenda a crise no Zimbábue

A crise no país africano se agravou no último domingo, quando o líder da oposição e candidato à Presidência pelo Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), Morgan Tsvangirai, retirou sua candidatura no segundo turno e buscou refúgio na embaixada da Holanda em Harare, capital do Zimbábue.

Tsvangirai foi o mais votado no primeiro turno das eleições, em março, com cerca de 48%, enquanto o presidente Robert Mugabe obteve cerca de 43%. O número de votos, porém, não foi suficiente para que ele vencesse no primeiro turno.

O MDC afirma que 86 de seus partidários foram mortos e 200 mil pessoas expulsas de suas casas devido a uma suposta campanha de perseguição praticada por aliados do presidente Mugabe.

Na quarta-feira, Tsvangirai pediu a intervenção de líderes africanos para a superar a crise política.

Na segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU já havia condenado por unanimidade a intimidação contra a oposição do Zimbábue e dito que a violência torna "impossível" uma votação livre e justa no segundo turno da eleição presidencial.

Os Estados Unidos também afirmaram que não vão reconhecer os resultados da votação.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 22 de junho de 2008

Começa reunião de Jidá entre produtores e consumidores de petróleo

Os principais produtores e consumidores de petróleo começaram hoje na cidade saudita de Jidá uma reunião de emergência para analisar as causas da escalada dos preços do produto e para tentar estabelecer mecanismos para estabilizar os mercados.

A reunião foi aberta pelo rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, cujo país é o maior produtor do planeta e que pediu às duas partes "uma cooperação positiva".

O monarca também afirmou que seu país está disposto a responder à crescente demanda no mercado de petróleo, embora tenha rejeitado a acusação de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) seria a responsável pela escalada do preço do produto.

Segundo ele, "há outros fatores responsáveis pela rápida e injustificada alta", entre os quais citou as especulações, o aumento do consumo e "os crescentes impostos nos Estados consumidores" sobre a energia.

"A Arábia Saudita sempre foi partidária de um preço justo que não prejudique os produtores nem os consumidores. Aumentamos nossa produção de 9 milhões barris diários para 9,7 milhões barris diários e estamos dispostos a responder à qualquer demanda no futuro", declarou.

Além disso, o rei saudita defendeu uma "cooperação positiva" entre produtores e consumidores para estabilizar o mercado, e instou os participantes da conferência de Jidá a analisarem com transparência as "verdadeiras causas" do aumento do preço e as formas de controlá-lo.

"Apesar de a Opep não intervir há décadas na fixação do preço e responder à crescente demanda, vemos que alguns acusam apenas a organização" por ser a responsável pela constante escalada do preço.

"A nossa missão é revelar as verdadeiras causas e separar os rumores e as acusações, assim como estabelecer os mecanismos para eliminar estas causas de forma transparente para que o mundo saiba quem é o verdadeiro responsável" pela escalada de preços, declarou.

Por outro lado, anunciou o lançamento da "iniciativa pelos pobres", para ajudar os países subdesenvolvidos a enfrentarem o aumento de preços, e instou o Banco Mundial (BM) a convocar uma reunião de países doadores e de instituições financeiras regionais e internacionais para discutir esta questão.

O monarca também pediu ao Fundo da Opep para o desenvolvimento internacional que debata sobre um programa similar, e propôs que o orçamento do mesmo seja de US$ 1 bilhão.

Por outro lado, o rei saudita anunciou que seu país dedicará US$ 500 milhões em empréstimos para que os países pobres possam enfrentar o crescente aumento do preço do petróleo.

A sessão de abertura do evento também contou com o discurso do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que destacou a necessidade de acontecer um aumento na produção a médio prazo para conseguir a estabilidade do mercado.

"Certamente existe uma falta de estoques", declarou Brown, e ressaltou que "o problema está na crescente demanda".

"Podemos solucionar o problema através da redução da demanda, embora de forma relativa. Pedimos mais oferta e mais provisões a médio prazo", declarou Brown.

Ele afirmou que o encontro de Jidá é uma "oportunidade para enfrentar os desafios", e que "os esforços de todo o mundo devem se unir para encontrar uma solução a favor do desenvolvimento".

O chefe de Governo britânico instou a diversificar as fontes da energia e a encontrar alternativas para reduzir o custo do transporte do petróleo, e ressaltou a importância de usar a tecnologia avançada na prospecção e a produção para reduzir o preço.

Após o pregão inaugural, os representantes de 35 países, de 25 companhias e de sete organizações internacionais começaram uma reunião a portas fechadas, que fontes sauditas esperam que dure entre duas e três horas.

Fonte: UOL/EFE

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cana-de-açúcar e o etanol estão se tornando outro símbolo de Brasil

O país do carnaval, do samba, do futebol, do café e da caipirinha já tem um outro símbolo por bandeira: a cana-de-açúcar. Embora os portugueses tenham introduzido esse cultivo no país há mais de 500 anos, foi apenas recentemente que este se converteu na grande esperança econômica do país, graças a seu bom rendimento para a produção de biocombustíveis, mais concretamente o etanol.

Por enquanto, o mercado do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar é basicamente interno, mas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) - organização integrada por mais de cem empresas que produzem 50% do etanol e 60% do açúcar do país - está lutando para que esse produto dê vigor à economia brasileira.

"Queremos consolidar um mercado mundial para o nosso etanol, que é de uma grande competitividade, e assim conseguir que o Brasil tenha um papel importante para a economia mundial, graças a essa nova fonte de energia", declara Marcos Jank, presidente da Unica.

O Brasil produziu no ano passado 16 bilhões de litros de etanol - equivalentes a 84 milhões de barris de petróleo - dos quais exportou apenas 15% (2,4 bilhões). Mas as vendas para o exterior estão ganhando força graças ao aumento das plantações no país. Segundo cálculos do Instituto de Economia Agrícola (IEA) de São Paulo, estas poderiam chegar a 8 bilhões de litros em 2015 e abranger 66,7% do mercado internacional de etanol.

No Brasil, os lucros anuais do setor produtor de açúcar e etanol giram em torno dos 13 bilhões de euros, ficando o açúcar com 44% e o etanol com 54%. Os 2% restantes são lucros obtidos graças à produção de energia elétrica que se fabrica com o bagaço, resíduo das plantações de cana-de-açúcar. As porcentagens variam segundo os preços: no período atual se produz mais etanol que açúcar porque o preço dessa commodity caiu cerca de 30%, o que, segundo a indústria brasileira, demonstra que seu etanol não está competindo com a alimentação, muito pelo contrário. Ao mesmo tempo, o setor dá trabalho diretamente a mais de um milhão de pessoas.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás dos Estados Unidos. Mas o etanol norte-americano, produzido com cereais, não é tão rentável quanto o brasileiro, obtido da cana-de-açúcar. A partir de uma tarifa de US$ 40 (25,9 euros) o barril, o etanol brasileiro já é totalmente competitivo economicamente. De fato, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Claude Mandil, afirmou há algumas semanas que o etanol de cana-de-açúcar é no momento "a única alternativa competitiva" frente ao petróleo, para o transporte.

No Brasil o etanol já representa 45% do total de combustível consumido pelos automóveis - unicamente por veículos de passeio atualmente, embora em breve também possa ser usado por motos, ônibus e aviões de pequeno porte - e a cifra cresce com velocidade vertiginosa à medida que o barril de petróleo fica mais caro. "Aqui o etanol já é mais popular que o petróleo - brinca o presidente da Unica - agora o petróleo é que é a energia alternativa no Brasil e não o inverso". A principal razão de sua popularidade é o baixo preço, que é em média 30% mais barato que a gasolina, o combustível que se pode substituir pelo etanol. "Enquanto o preço do petróleo não pára de subir, o do etanol caiu e agora é mais econômico que a gasolina, inclusive sem nenhum tipo de subvenção", afirma Jank.

Atualmente é possível comprar etanol em qualquer um dos 33.000 postos de gasolina que existem no Brasil. Os postos oferecem tanto etanol puro a 100% como gasolina, que por lei deve conter entre 20% e 25% de mistura de etanol.

O consumo de etanol exige veículos híbridos, razão pela qual no Brasil se desenvolveu uma autêntica indústria automobilística que gira em torno desse biocombustível. Até dez marcas diferentes oferecem um total de 60 veículos híbridos. Atualmente, nove em cada dez carros que são comprados no país o são, e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) calcula que 65% dos veículos do país serão híbridos em 2015. Seu preço é subvencionado, razão pela qual eles custam o mesmo que um automóvel convencional.

Fonte: La Vanguardia

domingo, 1 de junho de 2008

O El Dorado peruano ainda é para poucos

O país acumula sete anos de crescimento, mas 42,5% da população ainda vive na pobreza. O desencanto com a divisão desigual da riqueza alimenta os políticos populistas

O Peru vive um estado inédito de euforia econômica. É o resultado de quase sete anos de crescimento sem interrupção e com taxas que estão entre as mais altas da América Latina. Em 2007, o produto interno bruto (PIB) cresceu 8,3%; em 2008, apesar das turbulências internacionais, a previsão é de que aumente 6%. O problema é que, ainda que os números falem de um país que prospera, nem todos se beneficiam na mesma medida: a taxa de pobreza diminuiu apenas seis décimos em sete anos e ainda afeta a 42,5% da população. O fantasma de uma candidatura populista e ultranacionalista para as eleições gerais de 2011, como a de Ollanta Humala em 2006, continua assustando.

Os centros comerciais se multiplicam nos bairros populosos de Lima, e também chegam a cidades do interior do país onde, até há pouco tempo, não existiam instalações desse tipo. Eles são um símbolo do crescimento econômico, assim como as exportações que estão alcançando números recordes e o crescimento anual de 15% do pujante setor de construção. Na cúpula recente UE-América Latina, que aconteceu em Lima, o presidente Alan García lançou como desafio "superar o Chile", seu antagonista histórico, considerado um modelo de desenvolvimento econômico na região.

Está não foi a única proposta ambiciosa que se ouviu na capital peruana nos últimos dias. A pedido do presidente, o chefe do Instituto Peruano de Esportes disse na semana passada que o país deveria se preparar para sediar uma Olimpíada. "Não se trata de nenhuma piada. O Peru tem capacidade competitiva", disse a ministra do Comércio Exterior, Mercedes Aráoz, aos que pensavam se tratar de um delírio.

O otimismo é compartilhado pelos especialistas. "Este crescimento não é resultado de um acidente, não é uma bolha; é a maturação de uma série de fenômenos que começaram a ser gestados no começo dos anos 90. A mudança nas regras do jogo, as privatizações, a estabilidade macroeconômica, a abertura à economia mundial... tudo isso está dando seus frutos", diz Daniel Córdova, decano da Faculdade de Economia da Universidade Peruana de Ciências Aplicadas.

Destaca-se sobretudo que acontecimentos como a crise hipotecária dos Estados Unidos, a escalada dos preços do petróleo ou a complicada relação com outros governos da região que abraçaram propostas populistas próximas ao chavismo não tenham freado, pelo menos aparentemente, o avanço da economia peruana. "Há razões para ser otimista, não há números que nos digam que pode haver um recuo, temos pelo menos mais dois anos de crescimento", acrescenta Córdova.

Em consonância com a euforia, o governo está se mostrando disposto a gastar mais e se prepara para subir os salários dos funcionários públicos. Assim chega ao fim o período de austeridade que Alan García havia instituído para acabar com a imagem de frivolidade e gastos exagerados do executivo anterior.

Mas nem todos se beneficiam na mesma medida da bonança econômica, enquanto ressurge com força a possibilidade de uma candidatura populista para as eleições de 2011. "Já nos salvamos por uma margem estreita na eleição passada [em que Ollanta Humala concorreu] e é muito provável que nas próximas eleições se enfrentem novamente a parte do país que está indo muito bem e a que não", diz Eduardo Morón, diretor do Centro de Pesquisas da Universidade do Pacífico.

A taxa de pobreza média diminuiu de 49% para 44% da população desde 2000, segundo as estatísticas oficiais. O governo a situa agora nos 42,5%, longe do objetivo de 30% fixado para antes de 2011. As áreas mais beneficiadas pelo crescimento são Lima, a costa norte - onde floresce a agroexportação - e algumas regiões serranas que recebem os impostos das companhias de mineração. Mas em regiões como Huancavelica, na serra ao sul, cerca de 80% dos cidadãos continuam vivendo na pobreza.

Para atenuar a desigualdade, o governo acaba de anunciar um incremento de 700 milhões de sóis (cerca de 165 milhões de euros) ao orçamento para ampliar a cobertura dos programas de ajuda aos mais pobres. Também foram estabelecidas normas para facilitar a escritura e a negociação de terras na zona rural.

Eduardo Morón considera que a ênfase no social ainda não é suficiente. "A desigualdade está se reduzindo, ainda que num ritmo menor que o desejável", acrescenta Daniel Córdova. "A grande lição é que o crescimento e a redução da pobreza estão acontecendo principalmente por iniciativa empresarial."

Fonte: El País

Grupo de índios é fotografado pela 1ª vez no Acre

Fotografias de um grupo isolado de índios na Amazônia foram divulgadas pela primeira vez por um funcionário da Funai, que sobrevoou a região em uma missão financiada pelo governo do Acre.

"Resolvi fazer a divulgação porque os mecanismos [para proteger essas populações] não têm servido. Ou a opinião pública entra nisso ou eles vão dançar", disse o organizador da missão e coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai, José Carlos dos Reis Meirelles Júnior.

O grupo fotografado é o maior dos quatro isolados que existem apenas no Acre. Segundo Meirelles, há registro da presença deles na região desde pelo menos 1910.

"Não sei nada deles, e a idéia é continuar não sabendo", diz Meirelles.

As fotos mostram as malocas do grupo e índios pintados com urucum. Uma delas registrou o momento que membros do grupo tentam acertar o avião do fotógrafo com flechas.

"Enquanto eles estiverem nos recebendo a flechadas, e eu já levei uma na cara, estarão bem. O dia que ficarem bonzinhos, já eram...", disse Meirelles.

Peru

A Survival International, entidade que faz campanha pelos direitos dos índios, estima que haja cerca de 40 grupos indígenas isolados no Brasil (no mundo todo seriam 100).

Meirelles diz que já foi confirmada a existência de mais de 20 grupos isolados mas que dada a extensão da Amazônia, esse número pode de fato chegar a 40.

Meirelles, que trabalha na Amazônia desde os anos 70, defende que esses povos sejam deixados como estão, já que escolheram permanecer isolados, mas acredita que as pessoas precisam saber que eles existam e que estão sob forte ameaça.

"O futuro deles depende da gente, ou a gente preserva as regiões acidentadas [onde eles vivem] que não servem para agricultura, só servem para serem preservadas, ou essa gente vai acabar."

Segundo o especialista da Funai, os índios que vivem na divisa do Acre com o Peru estão ameaçados pelas atividades predatórias na Amazônia peruana, como a exploração ilegal de madeira e a invasão de terras.

"Tudo que é ilegal que você pode imaginar, acontece na Amazônia peruana. Do lado brasileiro, a gente consegue isolar, evitar invasões, mas a coisa está pegando do lado de lá [do Peru]."

Ele diz ter provas de que pelo menos dois grupos do Peru passaram para a Amazônia brasileira. "São pelo menos duas aldeias com 15 ou 20 casas, mas esses daí você não fotografa. Eu já andei a pé por lá, mas quando você sobrevoa, esse pessoal desaparece."

"Por mim, eles são bem-vindos, mas o meu medo é que essa migração gere conflito [com outros índios estabelecidos no Brasil]."

Vulnerabilidade

Segundo Meirelles, os índios que vivem na fronteira do Acre com o Peru estão sob ameaça de brancos brasileiros "ainda", mas ressalta que não há como separar os impactos numa área de fronteira.

"Tudo o que foi feito de ruim com as cabeceiras desse rio, exploração de madeira, petróleo, garimpo, tudo vai parar no Brasil. Está mais do que na hora de fazer alguma coisa."

As fotografias foram divulgadas pela Survival International, que apóia a política da Funai para povos isolados de "nunca fazer o contato, apenas demarcar a área e deixá-los em paz".

Meirelles diz que duas terras indígenas já foram demarcadas sem que fosse feito contato, e uma terceira nessa mesma situação está prestes a ser feita.

Para a ativista da Survival Fiona Watson, o contato não só violaria os direitos dos índios, já que eles escolheram permanecer isolados, como poderia ser fatal.

Watson cita casos de grupos que tiveram metade da sua população dizimada depois do contato. "Doenças facilmente curáveis para nós podem ser fatais."

"Esses povos são únicos. Uma vez que eles desaparecem, desaparecem para sempre."