segunda-feira, 15 de junho de 2009

Parlamento do Peru suspende leis que causaram protestos de indígenas

Depois de horas de negociações, o Congresso do Peru decidiu suspender temporariamente, nesta quarta-feira, dois decretos de lei que causaram uma série de protestos de indígenas da região amazônica do país nas últimas semanas.

Segundo fontes do Parlamento, o período durante o qual os decretos ficarão suspensos ainda deve ser determinado pelo governo e pelo Congresso. A imprensa local, no entanto, especula que a suspensão pode ser de 90 dias.

A decisão - por 57 votos a favor, 48 contra e uma abstenção - causou revolta entre os parlamentares que representam os indígenas, que exigiam a suspensão completa das leis.

De acordo com o jornalista da BBC Mundo Ricardo Benassi, os grupos indígenas alegam que o Decreto Lei 1.090 autoriza a venda para a iniciativa privada de 45 milhões de hectares de terras com florestas que pertencem ao Estado e são exploradas por meio de concessões atualmente.

De acordo com a agência de notícias estatal Andina, a medida também suspende o decreto 1.064, que determinou o regime jurídico para a utilização agrária destas terras.

Crise

A sessão que aprovou a medida começou com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos confrontos entre indígenas e policiais na Província de Bagua, na última sexta-feira. Pelo menos 30 manifestantes e 22 policiais morreram nos conflitos.

Os protestos provocaram a renúncia da ministra da Mulher do governo de Alan García, Carmen Vildoso. Em um comunicado, ela afirmou "não estar de acordo com os argumentos do governo para enfrentar as demandas da população amazônica".

O governo argumenta que a intenção dos decretos é de "ordenar" a exploração das áreas e que o país precisa de investimentos estrangeiros para crescer se desenvolver.

Reação internacional

Nesta quarta-feira, o relator especial para questões indígenas da Organização das Nações Unidas, James Anaya, afirmou, por meio de um comunicado, estar "profundamente preocupado" com os conflitos no Peru e pediu a todas as partes "que evitem a violência".

Anaya ainda pediu que o governo de Alan García "adote todas as medidas necessárias para proteger os direitos e liberdades dos afetados".

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional também se disse preocupada com a segurança dos indígenas presos durante os confrontos.

"Não está claro como estão sendo tratados (os presos), de que são acusados e se têm acesso a assistência médica e legal", disse a organização em um comunicado.

A organização também afirmou ter relatos de uso excessivo da força por parte das autoridades e de que policiais teriam sido "sequestrados e mortos por membros das comunidades" indígenas.

Fonte: BBC Brasil

Cepal projeta queda maior na economia da América Latina

A Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) divulgou nesta quarta-feira uma nova projeção para a economia da região, com queda de 1,7% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2009. Em abril, a expectativa da Cepal era de retração de 0,3%.

"A forte queda na demanda, tanto interna quanto externa, no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009, afetou as economias da América Latina e do Caribe. Por isso, a Cepal estima que o PIB da região cairá 1,7% em 2009", diz o comunicado.

No texto, o organismo ressalva, porém, que ao contrário de crises anteriores, os países estão agora menos endividados e com mais reservas internacionais, enquanto os sistemas financeiros apresentam um grau de exposição externa "relativamente baixo".

"Por isso, nesta oportunidade, não são problemas financeiros os que afetaram a região mais rapidamente e com maior aprofundamento. Ao contrário. Os impactos mais fortes são resultado do canal real", afirma o texto.

De acordo com a Cepal, "na última parte de 2008 e nos primeiros meses deste ano, observa-se uma significativa queda nos fluxos de comércio internacional, deterioração neste intercâmbio e retração nas remessas, elementos que tinham impulsionado o crescimento regional nos últimos anos".

Segundo a Cepal, a este quadro somaram-se a "elevada incerteza sobre o desenvolvimento da crise e a deterioração das expectativas sobre a recuperação das economias".

Gripe suína

O comunicado da Cepal diz ainda que a propagação da gripe suína teve impacto na atividade econômica de alguns países, especialmente em setores como turismo.

A Cepal afirma que a recuperação das economias na região "poderia começar no segundo semestre de 2009, apesar de partindo de níveis muito inferiores aos registrados no primeiro semestre de 2008".

A revisão da projeção para a economia latino-americana foi feita um dia depois de divulgados dados do IBGE confirmando que a economia brasileira, a maior da região, entrou em recessão técnica.

Em abril, a Cepal informou que a retração da economia brasileira seria de 1% em 2009, sendo uma das mais atingidas pelos efeitos da crise internacional. No comunicado desta quarta-feira, porém, o organismo não detalhou o desempenho projetado para cada país da região.

Fonte: BBC Brasil

Venezuela aposta em alta do petróleo para evitar recessão

A recuperação dos preços do petróleo e a expansão de investimentos no setor produtivo são as alternativas que poderiam evitar com que a economia venezuelana entre em recessão no próximo semestre, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

A acentuada queda nos preços do barril do petróleo, motor da economia do país, fez com que o crescimento econômico venezuelano sofresse uma importante desaceleração no primeiro trimestre deste ano, com um aumento de apenas 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto). No mesmo período do ano passado, o PIB havia registrado alta de 4,8%.

Para que a economia não caia em recessão, principal desafio declarado pelo governo de Hugo Chávez, a Venezuela depende de uma rápida ascensão dos preços do petróleo e de um programa ofensivo para estimular o desempenho da atividade produtiva nacional não-petrolífera, segundo analistas.

De acordo com projeções da consultoria venezuelana Datanalisis, se o preço do combustível venezuelano alcançar pelo menos US$ 70 e o governo expandir o endividamento externo para financiar o gasto público, a economia poderia se livrar de um maior encolhimento, podendo crescer até 1% neste ano.

"Caso contrário, até meados de outubro, a economia entrará em recessão e pode fechar o ano com um balanço negativo de -1,8% do PIB", afirmou à BBC Brasil José Antonio Gil Yepez, presidente da consultoria Datanalisis.

Petróleo

O Goldman Sachs Group fez uma revisão em suas projeções na semana passada e previu que, até o final do ano, os preços do barril de petróleo norte-americano podem alcançar US$ 85, alta que seria estimulada por um possível crescimento da demanda e o corte da oferta dos países produtores.

Na semana passada, o barril da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) alcançou US$ 68, maior alta registrada durante a crise internacional.

Com uma economia que depende 94% das divisas provenientes das exportações petrolíferas, o governo venezuelano viu seus ganhos caírem pela metade neste ano, com um preço médio de US$ 42 por barril. No ano passado, a média de preços foi de US$ 87 por barril.

Para tentar amortecer a crise, o governo cortou 6,7% no orçamento previsto para 2009 e recorreu a pelo menos US$ 12 bilhões dos US$ 42 bilhões disponíveis no fundo de reserva para financiamento do gasto público, de acordo com o Banco Central da Venezuela.

Segundo Gil Yepez, o uso das reservas permitiu ao governo, "manter a ilusão de que (apesar da crise) não está acontecendo nada relevante na economia".

Investimentos

Na avaliação do economista Andrés Santeliz, professor da Universidade Central da Venezuela, o governo adotou medidas "conservadoras" ao anunciar um programa de austeridade, que inclui o aumento do salário mínimo em apenas 10% - quando a inflação superou os 30% no ano passado - e deixando para agosto o incremento dos outros 20%.

"Se o governo não ajusta o salário mínimo, principal responsável pelo aumento do consumo nos últimos anos, os estoques das empresas começarão a aumentar, haverá menos contratações e a economia pode entrar em colapso", afirma.

Na opinião de Santeliz, o governo toma medidas "contraditórias", temendo reproduzir o modelo de endividamento dos governos anteriores, e se detêm em debates ideológicos para conduzir a economia em meio à crise.

"O endividamento não é bom, nem mal, é oportuno ou não é oportuno", afirma.

"Aumentar a dívida em um momento inflacionário não tem sentido. Mas não aumentá-la em um momento de recessão pode ser ainda pior", acrescentou.

Na opinião do economista, o governo escolheu o momento errado para avançar em projetos de nacionalização de empresas estrangeiras, como o caso do Banco da Venezuela, de propriedade do grupo Santander e para a compra do qual o governo investiu US$ 1 bilhão no mês passado.

Leia também na BBC Brasil: Venezuela pagará US$ 1 bi por nacionalização de banco do grupo Santander

"Se o problema é atacar a recessão, o pior que pode acontecer é nacionalizar uma empresa estrangeira, porque terão que pagar em dólares e, com isso, o governo não está gerando nem um novo posto de trabalho", afirmou.

Números extra-oficiais estimam que o governo venezuelano tenha gasto cerca de US$ 14 bilhões em nacionalizações nos últimos anos.

Falta crédito

Na avaliação do ex-diretor do Banco Central da Venezuela, José Guerra, o problema é de escassez de crédito internacional.

"Há um problema de financiamento, o governo não tem os recursos disponíveis para gastar", afirma.

Diferente do que se previa, o acordo entre o BNDES e a Venezuela para criar uma linha de crédito de US$ 4 bilhões para financiar obras de infraestrutura no país não foi concretizado no último encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Hugo Chávez, no final de maio, em Salvador.

De acordo com Guerra, o governo venezuelano conta fundamentalmente com suas próprias reservas e pode optar por socorrer o sistema financeiro interno como alternativa para financiar projetos produtivos.
Diante da queda das receitas do petróleo, o governo também restringiu o fluxo de dólares para importação.

Desde 2003, está em vigor no país uma taxa de controle de câmbio fixa de 2,15 bolívares por dólar.

Na opinião dos analistas, a redução do acesso às divisas incrementará o preço do dólar paralelo e, com ele, a inflação, outro velho problema da economia venezuelana.

Neste mês a inflação atingiu 2% e pode chegar ao final do ano com um acumulado de entre 25% e 30%, segundo analistas.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 8 de junho de 2009

China torna-se segundo país que mais gasta em armas

EUA permanecem como o primeiro colocado de acordo com levantamento; Pequim elevou gastos em 10%.

A China possui o segundo maior orçamento militar bruto do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, revela o relatório anual do Instituto de Pesquisa de Paz Internacional de Estocolmo (conhecido pelas iniciais Sipri), divulgado nesta segunda-feira, 8, na capital sueca.

Os gastos globais com armas aumentaram 4% no ano passado, mas os orçamentos militares dos Estados Unidos e da China aumentaram mais do que o dobro da média mundial, de acordo com o levantamento do Sipri. Em 2008, os gastos militares chineses aumentaram 10%, alcançando 84,9 bilhões. Ainda assim, as despesas da China com armas são mais do que sete vezes menores dos que as dos EUA.

O orçamento militar norte-americano cresceu 9,7% no ano passado, chegando a US$ 607 bilhões. Sozinhos, os EUA foram responsáveis por quase 42% dos gastos totais com armas no mundo, que alcançaram US$ 1,4 trilhão em 2008.

A França assumiu o terceiro lugar no ranking de gastos militares, passando por pouco a Grã-Bretanha, que em 2008 foi o segundo país a mais gastar em armas no planeta. A Rússia está em quinto lugar.

O relatório do Sipri observa a probabilidade de a situação no Afeganistão piorar e adverte que as expectativas positivas geradas pela estratégia do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para a região talvez sejam exageradas demais. Ao mesmo tempo, prossegue o documento, uma saída apressada das forças estrangeiras acarretariam o risco de tornar a situação no país perigosamente instável.

O Sipri avalia que o objetivo de Obama de dar menos ênfase a soluções militares e mais ao desenvolvimento político é inconsistente com a decisão de enviar mais tropas de combate ao Afeganistão ao longo dos próximos dois anos. O instituto prevê que Obama enfrentará dificuldades com a retirada de tropas do Iraque e com a mudança na forma como os EUA lidam com a comunidade internacional e buscam o desarmamento nuclear.

"Estes e outros desafios podem ser exacerbados pelos efeitos da crise financeira internacional, uma vez que países-chave podem ter dificuldade em demonstrar vontade política e econômica para lidar coletivamente com problemas de segurança regionais e globais", conclui o relatório.

Fonte: Estadão

Gastos com armas crescem 50% na América do Sul em 10 anos


Corrida do Brasil para ser potência regional e investimento colombiano contra Farc alavancam investimentos.

A corrida do Brasil por se tornar uma potência regional, aliado aos gastos do governo colombiano com armamentos, fez com que o dinheiro gasto com armas na América do Sul tenha sofrido um aumento de 50% em apenas dez anos. Os dados foram publicados nesta segunda-feira, 8, pelo Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo.

A alta nos gastos militares da região estaria sendo gerada pela "corrida do Brasil pelo status de potência regional", além do aumento dos gastos da Colômbia para lidar com as Farc. Em termos mundiais, 2008 registrou um recorde absoluto em termos de recursos para o setor militar. Nunca na história o mundo gastou tanto com armas como no ano passado. Foram US$ 1,4 trilhão, uma alta de 45% em relação aos últimos dez anos. No total, o mundo gastou 2,4% de sua riqueza para a compra de armas. O valor seria equivalente ao gasto de US$ 217 por habitante.

Nos últimos anos, a guerra no Iraque o conflito no Afeganistão já custaram US$ 903 bilhões aos cofres americanos. Os Estados Unidos ainda são os líderes nos gastos militares em 2008, representando 41% de tudo o que foi usado para a compra de armas. Mas, pela primeira vez, a China está na segunda posição entre os países que mais gastaram com armas em 2008. Em dez anos, Pequim quadruplicou seus investimentos militares. Os chineses representaram 6% dos gastos mundiais.

Eis uma lista dos dez países que mais gastaram armas no mundo em 2008, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa de Paz Internacional de Estocolmo (conhecido pelas iniciais Sipri).

Os países que mais gastaram (em bilhões de dólares):

1. Estados Unidos: 607;

2. China: 84,9;

3. França: 65,7;

4. Reino Unido: 65,3;

5. Rússia: 58,6;

6. Alemanha: 46,8;

7. Japão: 46,3;

8. Itália: 40,6;

9. Arábia Saudita: 38,2;

10. Índia: 30.

11. Coreia do Sul: 24,2

12. Brasil: 19,3

Os 10 maiores vendedores de armas em 2007 (em bilhões de dólares):

1. Boeing (Estados Unidos): 30,5;

2. BAE Systems (Reino Unido): 29,9;

3. Lckheed Martin (Estados Unidos): 29,4;

4. Northrop Grumman (Estados Unidos): 24,6;

5. General Dynamics (Estados Unidos): 21,5;

6. Raytheon (Estados Unidos): 19,5;

7. EADS (Europa Ocidental): 13,1;

8. L-3 Communications (Estados Unidos): 11,2;

9. Finmeccanica (Itália): 9,9;

10. Thales (França): 9,4.

Fonte: Estadão

Cuba rejeita formalmente oferta para regressar à OEA

País diz que está satisfeito com 'expressão de soberania e comunidade', mas repete que "não voltará ao bloco".

Cuba rejeitou formalmente a oferta de reingressar na Organização dos Estados Americanos (OEA) nesta segunda-feira, 8, ecoando a percepção de Fidel Castro de que seu país não é de nenhuma utilidade para a entidade.

Na semana passada, a OEA votou pelo fim da suspensão da filiação de Cuba, imposta em 1962, depois que o país declarou o caráter socialista da revolução de 1959.

Em declaração publicada nesta segunda no Granma, jornal oficial do Partido Comunista cubano, o governo diz que o país está satisfeito "com esta expressão de soberania e comunidade", mas repete que "Cuba não retornará à OEA".

A mensagem observa que a OEA apoiou ao longo das últimas décadas a hostilidade dos Estados Unidos com relação a Cuba e afirma que o país prefere manter sua independência.

O fim da suspensão da filiação cubana contou com o apoio de Washington.

Fonte: Estadão

Brasil ainda não chegou ao 'fundo do poço' na crise, diz OCDE

Dados divulgados nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já apontam "pontos de inflexão" que indicam uma melhora no cenário econômico de alguns países - mas não no Brasil.

Em suas projeções para os próximos meses, enquanto a organização já vê o "fundo do poço" para a zona do euro, o Canadá e a China, por exemplo, as previsões para o Brasil ainda indicam "forte desaceleração".

Entretanto, um porta-voz da OCDE explicou à BBC Brasil que a razão disto pode ser simplesmente estatística.

É que o acompanhamento econômico, feito pelo chamado índice composto ou CLI, tenta antecipar em cerca de seis meses o comportamento das economias industrializadas. Mas o período é mais curto para Brasil, Índia, China e Rússia, que não fazem parte da organização.

Em todo caso, a organização evitou grandes demonstrações de otimismo e disse que "ainda é muito cedo" para avaliar se os pontos de inflexão observados são apenas "temporários ou mais duradouros".

Resultados

Entre março e abril, o CLI subiu nos principais países industrializados acompanhados. Entretanto, só em alguns a OCDE considerou que a crise pode ter chegado ao seu ápice, porque estes já vinham registrando altas no indicador.

Este foi o caso do Canadá (+0,4% entre março e abril), França (+1,2%), Itália (+2,1%) e Reino Unido (+0,7%). A crise também teria chegado ao seu ápice na zona do euro, no grupo das cinco maiores economias da Ásia (China, Índia, Indonésia, Japão e Coreia do Sul) e nos países do G7.

Porém, o economista da OCDE Gyorgy Gyomai ressaltou que o fundo do poço "não significa necessariamente uma recuperação".

"É a situação mais provável, mas ainda é muito cedo para afirmar", disse.

Já nos EUA, na Alemanha e no Japão, onde o CLI indicou alta em abril (+0,2%, +0,1% e +0,1 respectivamente), o cenário ainda é de "desaceleração" no horizonte de um semestre.

Brasil

Segundo o relatório, o CLI do Brasil caiu 0,7% entre os meses de março e abril - um ritmo que equivale a uma "forte desaceleração" pelos critérios da OCDE.

O nível de atividade econômica medido pelo índice em abril está 12,8% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.

"O fato de ainda não vermos um fundo do poço para a crise no Brasil não significa que isto não aconteça até o fim do ano", disse Gyomai. Se isto ocorrer, ele explicou, o fenômeno só será detectado nos próximos meses.

Outro país que registrou queda no CLI foi a Rússia (-0,3% em abril, ou 21,3% abaixo do mesmo mês de 2008), que também vive uma "forte desaceleração" segundo a OCDE.

Na Índia, onde houve uma leve melhora em abril (+0,4%), o cenário ainda é desaceleração nos próximos meses.

Apenas na China, cujo CLI registrou alta de 0,9% em abril, a crise pode estar chegando ao seu ápice, disse a OCDE.

Fonte: BBC Brasil

Eleição marca fortalecimento da direita na Europa

Os partidos de centro-direita obtiveram bons resultados nas eleições para o Parlamento Europeu, fortalecendo sua posição como o maior bloco da casa, em contraste com o mau desempenho da esquerda.

Partidos de extrema-direita e com políticas anti-imigração também obtiveram ganhos. O comparecimento às urnas foi de apenas 43%, o mais baixo desde que as primeiras eleições diretas para o Parlamento, há 30 anos.

A centro-direita teve vitórias claras na França, Alemanha, Itália e Polônia. Já os partidos de centro-esquerda no governo da Grã-Bretanha, Espanha e Portugal tiveram resultados ruim.

Os partidos Trabalhista, da Grã-Bretanha, Socialista, da França e Social Democrata, da Alemanha, se preparavam para derrotas históricas.

O partido do Povo Europeu, de centro-direita, deve se manter como principal força do Parlamento, com sede em Bruxelas e Estrasburgo.

José Manuel Durão Barroso, que deve permanecer na Presidência da Comissão Europeia com a vitória do bloco de centro-direita, agradeceu os eleitores e garantiu que suas vozes serão ouvidas.

"Ao todo, os resultados são uma vitória inegável desses partidos e candidatos que apoiam o projeto europeu e querem ver a União Europeia preparando políticas que respondam às suas preocupações diárias", disse Durão Barroso.

Já o líder do bloco socialista, Martin Schulz, lamentou "a noite triste para a social democracia na Europa". "Nós estamos particularmente decepcionados, (é uma) noite amarga para a gente".

A vice-presidente da Comissão Européia, Margot Wallstrom, classificou o baixo comparecimento às urnas como "um resultado ruim".

Partidos menores

A exemplo do que ocorreu com o BNP na Grã-Bretanha - que obteve duas cadeiras no Parlamento pela primeira vez na história - outros partidos extremistas de direita tiveram um bom desempenho em vários países, como a Holanda, Áustria, Dinamarca, Eslováquia e Hungria.

Na Holanda, o partido euro-cético e anti-imigração do controverso político Geert Wilders ficou em segundo lugar.

Na Áustria, o partido de extrema-direita Freedom Party recebeu o dobro da porcentagem de votos em comparação com as eleições de 2009.

Outros partidos pequenos, como o Partido Verde, também obtiveram resultados melhores em comparação a 2009. O Partido Pirata, da Suécia, que defende a legalização de sites para a troca de arquivos na internet, obteve 7% dos votos no país, e uma das 18 cadeiras da Suécia no Parlamento.

Na França, o partido UMP do presidente Nicolas Sarkozy derrotou a oposição socialista. O partido Europe-Ecologie também teve bons resultados.

Na Alemanha, a coalizão de centro-direita governada pela chanceler Angela Merkel perdeu votos, mas ficou à frente de seus opositores. O partido Social-Democrata, parceiro de Merkel na coalizão, teve seu pior resultado em eleições desde a Segunda Guerra Mundial.

Na Itália, a coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Silvio Berlusconi ficou à frente da oposição socialista, com cerca de 35% dos votos.

O Partido Socialista dos Trabalhadores, que governa a Espanha, ficou ligeiramente atrás do opositor Partido Popular, segundo resultados parciais.

Na Grã-Bretanha, o Partido Trabalhista, do governo, sofreu uma séria derrota, obtendo os piores resultados em um século.

A Plataforma Cívica, de centro-direita, que governa a Polônia, obteve ganhos, às custas do Partido anti-UE Lei e Justiça.

Os primeiros resultados ainda mostram que o Partido Socialista de Portugal teve 18 pontos percentuais a menos do que nas últimas eleições, perdendo espaço, principalmente, para o Partido Verde e para os partidos de extrema esquerda.

Os eleitores escolheram representantes, em sua maior parte, entre seus próprios partidos nacionais, muitos dos quais integram grupos europeus com partidos de outros países com políticas semelhantes.

A expectativa é de que o Partido do Povo Europeu (EPP, na sigla em inglês), mantenha o controle do Parlamento, tendo conquistado 265 das 736 cadeiras.

O bloco de centro-esquerda PES deve ficar com 159 cadeiras, enquanto o bloco liberal ALDE deve obter 81 cadeiras.

O Parlamento Europeu é o único órgão da União Europeia eleito diretamente. Seu trabalho é debater, apresentar emendas, rejeitar ou aprovar as leis propostas pelo órgão executivo da EU, a Comissão Europeia.

Sua aprovação, no entanto, não é necessária para todas as leis europeias. Seu mandato é de cinco anos.

Esta foi a maior eleição trans-nacional já realizada. Ao todo, 375 milhões de eleitores estavam habilitados a votar em 27 países.

Fonte: BBC Brasil

Partido anti-imigração britânico conquista cadeiras no Parlamento Europeu

O Partido Trabalhista, do governo britânico, sofreu sua maior derrota do período pós-guerra, ficando em terceiro lugar no Reino Unido, atrás dos Conservadores e do UKIP - o Partido Independente, que defende a saída da Grã-Bretanha da União Europeia.

O resultado aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que enfrenta uma série de críticas dentro do próprio partido - com a recente renúncia de ministros de seu gabinete e pedidos para que deixe o cargo.

Os trabalhistas obtiveram 15,3% dos votos para o Parlamento Europeu - sete pontos percentuais a menos do que nas últimas eleições, um resultado ainda pior do que o esperado pelo partido. Os conservadores ficaram em primeiro lugar com 28,6%, e o UKIP obteve 17,4% dos votos.

Resposta dos eleitores

O sucesso inesperado do BNP nas eleições foi classificado como "triste" para a política britânica, tanto por conservadores como pelos trabalhistas, que tiveram sua imagem bastante arranhada pelo recente escândalo do reembolso de gastos pessoais de deputados.

"O BNP é o maior voto de protesto", disse o ministro da Saúde, Andy Burnham. "É como fazer um gesto obsceno à elite governante. Acredito que seja, em grande parte, um comentário sobre a política em Westminster (sede do Parlamento britânico)".

Segundo o presidente do Partido Conservador, Eric Pickles, o BNP conseguiu eleger seus primeiros representantes para o Parlamento Europeu por causa da fraqueza do Partido Trabalhista.

"O que ocorreu, essencialmente, foi um recuo, particularmente do Partido Trabalhista, mas não conseguimos preencher este vácuo", disse Pickles.

"Foi uma derrota muito, muito ruim para a gente", disse à BBC a vice-líder do Partido Trabalhista, Harriet Harman.

Ela atribuiu o mau resultado ao escândalo do reembolso de despesas dos parlamentares britânicos, afirmando que os trabalhistas foram mais afetados do que os conservadores porque "as pessoas esperam mais da gente do que dos conservadores".

Já o líder do BNP, Nick Griffin, disse em seu discurso de vitória que está "absolutamente satisfeito", acrescentando que "será uma grande mudança para a política britânica".

"O partido mais demonizado e sobre o qual mais falam mentiras na política britânica obteve um avanço enorme. O público disse o que queria numa eleição democrática e devemos respeitar o resultado", disse Griffin.

Vitória da centro-direita

Os partidos de centro-direita obtiveram clara vitória na França, Alemanha, Itália e Polônia, fortalecendo sua posição como o maior bloco do Parlamento. Em contraste, os partidos de centro-esquerda no governo da Grã-Bretanha, Espanha e Portugal tiveram um resultado ruim.

A exemplo do que ocorreu com o BNP na Grã-Bretanha, partidos extremistas de direita tiveram um bom desempenho em vários países.

Na Holanda, o partido euro-cético e anti-imigração do controverso político Geert Wilders ficou em segundo lugar.

Na Áustria, o partido de extrema-direita Freedom Party recebeu o dobro de votos em comparação com as eleições de 2009.

Outros partidos pequenos, como o Partido Verde, também obtiveram resultados melhores em comparação a 2009. O Partido Pirata, da Suécia, que defende a legalização de sites para a troca de arquivos na internet, obteve 7% dos votos no país, e uma das 18 cadeiras da Suécia no Parlamento.

O comparecimento às urnas ficou em 43% - o mais baixo da história do Parlamento.

A expectativa é de que o Partido do Povo Europeu (EPP, na sigla em inglês), mantenha o controle do Parlamento, tendo conquistado 265 das 736 cadeiras.

José Manuel Durão Barroso, que deve permanecer na presidência da Comissão Europeia com a vitória da centro-direita, agradeceu os eleitores e garantiu que suas vozes serão ouvidas.

"Ao todo, os resultados são uma vitória inegável desses partidos e candidatos que apoiam o projeto europeu e querem ver a União Europeia preparando políticas que respondam às suas preocupações diárias", disse Durão Barroso.

"É uma noite triste para a social democracia na Europa. Nós estamos particularmente decepcionados, (é uma) noite amarga para a gente", disse o líder do bloco socialista, Martin Schulz.

O Parlamento Europeu é o único órgão da União Europeia eleito diretamente. Seu trabalho é debater, apresentar emendas, rejeitar ou aprovar as leis propostas pelo órgão executivo da EU, a Comissão Europeia. Seu mandato é de cinco anos.

Esta foi a maior eleição trans-nacional já realizada. Ao todo, 375 eleitores estavam habilitados a votar em 27 países.

Fonte: BBC Brasil

Resultado do PIB 'certamente será negativo', afirma Mantega

Ministro participa do Fórum Globo News sobre a crise, em São Paulo.
Ele evitou fazer uma previsão para o dado do IBGE, que sai amanhã.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira (8), em São Paulo, durante o Fórum Globo News – Ações contra a Crise, que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) para o primeiro trimestre, que será divulgado na terça-feira (9), "certamente será negativo".

Ele evitou fazer uma previsão para o resultado, embora tenha citado que economistas afirmam que a retração entre janeiro e março deste ano possa ficar em até 2,5% (no último trimestre do ano passado, já refletindo os resultados da crise financeira mundial, a queda da economia brasileira foi de 3,6%).

“Existem palpites para todos os resultados”, disse, frisando que deixaria economistas que não trabalham para o governo fazerem previsões “e errarem nas previsões”. Ele afirmou, porém, que o resultado do IBGE reflete o passado da economia. “Estaremos olhando para trás, para o retrovisor”, ressaltou.

O ministro insistiu que a economia terá crescimento positivo neste ano. O governo, segundo ele, trabalha com uma expansão de 1% no fechamento de 2009. Ele admitiu, porém, que trata-se mais "de uma meta do que uma projeção". Ele afirmou que a alta do PIB neste ano "é um desafio", mas ressaltou que não se trata de "sonho".

De acordo com Mantega, o Brasil passou no teste da crise. "A crise foi um teste de estresse dos países. (...) Certamente o Brasil tem uma classificação muito boa", disse. "A crise provou que o Brasil hoje tem outras condições, condições muito mais favoráveis." Ele disse que, por conta disso, o país sairá mais rapidamente do período de dificuldades.

Mercado financeiro

Durante o evento, o ministro da Fazenda disse que o mercado financeiro antecipa atualmente uma melhora econômica que ainda não ocorreu na prática. “(A crise) já está um pouco mais leve, passou da fase aguda”, ressaltou.

Entretanto, ele lembrou que isso não significa que os problemas tenham acabado. Segundo o ministro, as ações dos governos, tanto nos países desenvolvidos quanto nas nações em desenvolvimento, possibilitaram que a crise tenha uma “virulência menor”, evitando que a recessão se transformasse em depressão.

O ministro lembrou que os efeitos da crise ainda serão sentidos na economia por dois a três anos. Mantega afirmou que os sistemas financeiros americano e europeu ainda são muito frágeis e possuem ativos tóxicos não absorvidos. Ele lembrou, entretanto, que o teste de estresse nos EUA pelo menos deu ao governo uma ideia do “tamanho da encrenca”.

Fonte: G1