quarta-feira, 3 de setembro de 2008

IBGE: 18,5% usam planos privados de saúde no país

O número de beneficiários dos planos privados de assistência médica chegou a 18,5% da população do país em 2005, indica pesquisa divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - cujo objetivo é verificar como está estruturado o setor de saúde no País -, revelando dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

De acordo com os números, em junho de 2005 existiam cerca de 34 milhões de vínculos de beneficiários a planos privados de assistência médica e 6 milhões de vínculos a planos exclusivamente odontológicos. Entre junho de 2000 e junho de 2005, o número de beneficiários no segmento de planos de assistência médica cresceu 11%.

A maior taxa de cobertura foi registrada em São Paulo, com 35,7% de sua população coberta por planos privados de saúde; e a menor em Roraima, com 2,3%. Entre 2000 e 2005, a receita dessas operadoras privadas médico-hospitalares, apurada pela ANS, passou de R$ 21,8 bilhões para R$ 36,4 bilhões. A pesquisa mostrou ainda que a saúde pública é a principal despesa de consumo final das administrações públicas, passando de 2,4% a 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto) entre 2000 e 2005.

O estudo traz também dados sobre importações de bens e serviços relacionados à saúde, que chegaram a R$ 10 bilhões em 2005, ou o equivalente a 4% do total das importações brasileiras. Já as exportações de bens e serviços de saúde atingiram R$ 1,9 bilhão, ou 0,6% do total das exportações brasileiras em 2005.

Segundo o IBGE, a participação das importações na oferta total de bens e serviços de saúde é "especialmente alta" para os produtos farmoquímicos, ou insumos usados na produção de medicamentos. Em 2003, 93,9% da oferta de farmoquímicos no mercado brasileiro era de produtos importados, proporção que caiu para 83,2% em 2005.'

Fonte: UOL

Com presença de Lula, Petrobras inicia produção da área pré-sal



Presidente vai extrair primeira 'amostra' de óleo em águas ultraprofundas.
Diretor da Petrobras afirma que primeiro poço será 'escola' para empresa.

O petróleo em águas ultraprofundas da camada pré-sal, que segundo a Petrobras se estende em uma área de 800 quilômetros de extensão que vai do Espírito Santo a Santa Catarina, já criou muita polêmica - especialmente no que se refere ao que fazer com o dinheiro que o óleo nela contido -, mas a "estréia" da produção acontecerá nesta terça-feira (2), no navio-plataforma P-34, em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Enquanto a comissão interministerial formada pelo governo federal decide o que fazer com as reservas ainda não estimadas do pré-sal - montar ou não uma nova estatal para administrar esse petróleo, direcionar ou não todo o dinheiro gerado por ele para a educação -, o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, diz que o poço P-103, no Campo de Jubarte, que vai "inaugurar" o pré-sal, será uma "escola" para a empresa.

Em entrevista coletiva em Vitória (ES) nesta segunda-feira (1º), ele afirmou que as equipes técnicas vão usar os dados deste primeiro poço para otimizar os investimentos no futuro. Na semana passada, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabirelli, estimou que os investimentos no setor de águas ultraprofundas da empresa ficarão em US$ 112 bilhões até o fim de 2012.

"Os volumes encontrados (na camada pré-sal) provavelmente serão muito grandes. Só em Tupi (campo da camada pré-sal), temos de 5 a 8 bilhões de barris. Para tirar esse petróleo, precisamos de muitos investimentos", disse Gabrielli, durante discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), na última sexta-feira (28).

Para saber mais sobre o que está em jogo com as descobertas de petróleo na camada pré-sal e sobre as possibilidades oferecidas pelas novas reservas, leia passo-a-passo criado pelo G1:

1) O que é o petróleo do pré-sal?

É o óleo descoberto pela Petrobras em camadas ultraprofundas, de 5 mil a 7 mil metros abaixo do nível do mar, o que torna a exploração mais cara e difícil. Não existem estimativas de quanto petróleo existe em toda a área pré-sal. Entretanto, somente o Campo de Tupi, cuja descoberta foi anunciada pela estatal em novembro do ano passado, teria reservas estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, de acordo com a Petrobras. Atualmente, a empresa tem reservas comprovadas de 15 bilhões de barris.

2) Qual a importância da descoberta do petróleo do pré-sal para o Brasil?

A quantidade estimada de petróleo existente nesses novos campos pode transformar o Brasil – que teve durante anos tinha apenas a meta de produzir petróleo suficiente para cobrir o consumo nacional – em exportador da commodity. Estima-se que tais reservas poderiam levar o Brasil a saltar da 17ª para a 10ª posição entre os maiores produtores de petróleo do mundo. Por isso, o governo já disse que poderia vir a se juntar à Opep.

3) Pela lei atual do petróleo, como deve ser feita e para onde deve ir o dinheiro obtido com a exploração do petróleo?

Atualmente, as empresas que desejam procurar e explorar petróleo no Brasil disputam a autorização em leilões promovidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que regula as atividades da indústria de petróleo e gás no Brasil. Quem der o maior lance por cada bloco (região a ser explorada) ganha o direito de procurar óleo na região por período determinado.

Depois de vencer, iniciam-se as pesquisas e perfurações. A partir daí, as empresas vão saber se há ou não óleo na região escolhida. Se isso acontecer, a empresa – estrangeira ou não – é dona do petróleo e poderá fazer o que quiser com ele. Em troca, deverá pagar royalties ou participações especiais (no caso de a perspectiva de ganho e produção ser muito grande, como é o caso do pré-sal) ao estado e município onde está a fonte e também ao governo federal. Uma parte desse dinheiro deve ir também ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que deverá reinvesti-lo em estudos para a indústria do petróleo.

4) Quais são os outros modelos de exploração de petróleo existentes? Quais as opções de mudanças que o governo pode escolher?

Segundo explica o consultor Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, existem no mundo três regimes jurídicos de exploração de petróleo. Para Pires, todos esses modelos devem integrar os debates em torno da melhor opção para o mercado brasileiro. As diferentes formas de explorar as reservas de petróleo são:

- Concessão por licitação: é o modelo utilizado atualmente no Brasil e no Reino Unido. Quem paga mais ganha a concessão para explorar petróleo por determinado período. Se não explorar dentro do prazo, a empresa tem que pagar o governo. O Estado é remunerado por impostos.

- Contrato de partilha da produção: é a legislação que regula a indústria de petróleo em Angola e na Rússia, na qual uma empresa 100% estatal divide e oferece os campos de petróleo. As empresas interessadas na exploração oferecem ao governo um percentual do óleo que encontrarem no campo. Quem oferecer uma parcela maior das descobertas leva o campo. Nesse modelo, o Estado é remunerado em petróleo.

- Contrato de serviços: é como se explora petróleo na Arábia Saudita e no Irã. A empresa estatal contrata uma empresa para prestar o serviço de exploração do petróleo e paga somente pelo serviço. Todo o petróleo extraído pertence à estatal.

- Modelo da Noruega: Os noruegueses criaram um modelo diferente. Montaram uma empresa 100% estatal chamada Petoro, que tem 60 funcionários. Ela não explora diretamente o petróleo, como faz a Petrobras, mas entra como sócia de empresas que operam os poços. Os ganhos da Petoro serão gastos majoritariamente para garantir benefícios previdenciários às futuras gerações.

A Petoro envia tudo o que ganha para um fundo de pensão, que atua como se fosse um fundo soberano. O dinheiro é investido no exterior, na compra de ações e bônus. Apenas os dividendos são gastos. Somente 4% do dinheiro do fundo pode ser usado na economia interna a cada ano. No ano passado, os ativos do fundo somavam US$ 396,5 bilhões.

5) Por que o governo vê a necessidade de se criar uma nova Lei do Petróleo?

Diante da riqueza potencial do pré-sal, o governo quer debater e reformular regras para garantir que os lucros obtidos com a exploração do petróleo não se concentrem nas empresas petrolíferas, mas que retornem para a sociedade. O presidente Lula sugeriu que parte do lucro seja destinada à educação. "É preciso aproveitar o momento e discutir como vamos utilizar esse petróleo, quem vai explorar o petróleo. Se o lucro vai ficar com uma empresa ou uma parte vai para reparação histórica que tem de ser feita na área da educação", disse o presidente. Entre as opções consideradas estão mudar o modelo regulatório de licitações, aumentar os royalties pagos ao governo ou criar uma nova empresa estatal para explorar o óleo, seguindo o modelo norueguês.

6) Para o mercado financeiro, criar uma nova Lei do Petróleo é positivo ou negativo?

O mercado de ações pode reagir com sensibilidade às alterações nas regras de exploração de petróleo no país. Isso porque as ações da Petrobras – estatal petrolífera que atualmente domina a atividade no país – é a mais influente no comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atualmente. Acionistas da Petrobras, que incluem grandes fundos de investimentos estrangeiros, já ameaçaram adotar medidas judiciais contra o governo caso sofram perdas. Além disso, existem 400 mil minoritários entre os acionistas da estatal.

Para Álvaro Bandeira, diretor da diretor da corretora Ágora e presidente nacional da Apimec, a criação de uma nova empresa 100% estatal para administrar as reservas, deixando as petroleiras apenas na condição de prestadoras de serviço, faria o governo assumir todo o risco do investimento. "Explorar o pré-sal demanda investimentos elevados, o que o governo não tem", afirmou.

7) Quando deve começar a exploração do óleo dos novos campos?

A Petrobras iniciará em 2 de setembro a produção do primeiro poço do pré-sal no campo de Jubarte, na Bacia de Campos. No ano que vem, deve iniciar a produção em teste no primeiro campo de Tupi. O início da produção em larga escala, no entanto, é estimado pela estatal para 2013 ou 2014, segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa.

8) Até agora, existem propostas concretas sobre a nova lei?

Não. De acordo com o presidente Lula, a única providência tomada até agora foi a criação de um conselho interministerial que apresentará uma proposta a ser debatida pelo governo e pela sociedade. “Nós só vamos discutir as propostas a partir do dia 19 de setembro”, disse.

Fonte: G1

A ajuda é boa, mas os negócios são melhores

A África hoje é mais democrática do que em qualquer momento desde o início da descolonização. O fluxo de ajuda internacional para o continente nunca foi maior, excedendo os US$ 30 bilhões. E a explosão mundial dos preços das commodities alimentou altas taxas de crescimento econômico, que atingiram uma média de 6,6% em toda a África subsaariana.

Por que, então, a África ainda está isolada atrás do resto do mundo na maioria dos indicadores de desenvolvimento?

A resposta, dizem, é que a África não está usando a ajuda internacional de forma apropriada. Então os governos africanos devotam um tempo e energia enormes para discutir, entre si e com organizações como as Nações Unidas e o Banco Mundial, como melhorar o impacto da ajuda.

A ajuda internacional é importante para os países mais pobres da África, mas também devemos tratar da verdadeira razão pela qual o crescimento se estagnou: o custo de fazer negócios aqui é basicamente muito alto.

De acordo com a Corporação Financeira Internacional, 24 dos 30 países mais caros para empreender estão na África subsaariana. Esses custos raramente são sustentados pelos consumidores. Eles sobram para os produtores e empresários africanos.

As circunstâncias não estão maduras para que uma cultura de competitividade se estabeleça. O capital privado que fluiu para a África subsaariana em 2007 foi estimado em US$ 50 bilhões. O interesse crescente de investidores da China, Oriente Médio e outras partes da Ásia em relação à África oferece novas oportunidades para comercializar os recursos naturais únicos da África no mercado mundial.

Os países africanos podem reduzir os custos e os obstáculos para o investimento ainda mais assim que assumirem a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento e tornarem os investimentos uma prioridade.

Nenhuma regra única pode ser aplicada a todos os países africanos. Mas também não precisamos reinventar a roda. A experiência de economias pequenas e de médio porte bem-sucedidas em outros lugares do mundo durante os últimos 30 anos guarda importantes lições de desenvolvimento para a África.

Primeiro, a competitividade requer governos que possam estabelecer a estrutura para o investimento e que se coloquem de lado para permitir que os negócios prosperem. Ao responder com mais prontidão ao setor privado e não se colocar no caminho de seu sucesso, os governos podem se concentrar em suas próprias vantagens competitivas de infra-estrutura, saúde e educação.

Poucos países na África conseguiram estabelecer e sustentar um consenso político doméstico em torno do crescimento do setor privado e das reformas e freqüentemente dolorosas e necessárias para estimulá-lo.

Ainda assim, foi exatamente isso que os países que tiveram um desenvolvimento de sucesso fizeram. Por exemplo, a Costa Rica aumentou sua economia per capita em 250% nas últimas duas décadas, ao sair de uma base agrícola para uma de alta tecnologia e serviços.

Esse sucesso foi construído sobre a abertura ao comércio e ao capital, usando a cabeça e uma boa política como principais ferramentas. O mesmo espírito está levando à criação de um centro de triagem e beneficiamento de diamantes em Botsuana, construído a partir de uma parceria entre os setores público e privado que colocou o país entre as economias de crescimento mais rápido do mundo nos últimos 40 anos.

Em segundo lugar, os países precisam estar dispostos a mudar a mentalidade, abandonando a idéia de que os programas e planos estrangeiros irão tirá-los da pobreza, para crer em sua própria visão para o futuro. A ajuda internacional deveria apoiar os países apenas temporariamente, enquanto eles implementam as difíceis reformas para andar com suas próprias pernas.

Isso não é fácil. É verdade que os governos africanos sofrem de uma falta de capacidade. Eles têm dificuldade para aumentar os impostos e planejar e coordenar ações com os investidores e doadores. Mas trabalhando juntos, os governos africanos, empresas e parceiros externos podem criar prosperidade e emprego no continente - se agirem como parceiros, não como predadores.

Em terceiro lugar, o debate internacional sobre desenvolvimento deve ser reformulado. No cerne do desenvolvimento está a relação entre os governos, seus cidadãos e seus próprios setores privados. O debate internacional sobre desenvolvimento ainda está em grande parte focado na interação entre os doadores, organizações não-governamentais e governos receptores.

Parte desse debate deve complementar os Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio das Nações Unidas com uma série de "objetivos de desenvolvimento para a competitividade". Incorporando medidas de inovação econômica e eficiência administrativa, os países serão encorajados a construir empreendimentos e comercializar seu caminho para fora da pobreza. Isso resolveria o problema dos indicadores que os empreendedores consideram os principais obstáculos para tocar um negócio: o custo do capital, eletricidade, transporte, telecomunicações, impostos, trabalho e a corrupção.

Finalmente, para fazer isso acontecer, os governos africanos precisam convencer seus cidadãos a adotarem as reformas necessárias - a adotarem o capitalismo. As pessoas precisam entender que o grau de competitividade da África não virá de modificações de curto-prazo nos preços dos recursos e trabalhadores. A produtividade resultará de empreendimentos bem geridos, cidadãos educados e líderes dispostos a tomar os difíceis passos para fazer isso acontecer.

O uso efetivo da ajuda internacional pode apoiar as reformas na África, mas não deve ser o princípio organizador para o desenvolvimento africano. A chave para o sucesso será a extensão em que os governos africanos serão capazes de fornecer os incentivos corretos para o setor privado para acrescentar valor à economia, para que tanto os negócios quanto o governo possam se concentrar no que cada um faz de melhor.

Fonte: UOL/Herald Tribune

Produção industrial acumula alta de 6,6% no ano até julho

Em julho, produção cresceu 1,0% frente ao mês anterior.
Entre mesmos meses, indicador completa 25 meses de alta.

A produção da indústria brasileira cresceu 1,0% no mês de julho frente ao mês anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a variação, o indicador acumula alta de 6,6% no ano, acima da observada ao final do primeiro semestre (6,2%). O IBGE também revisou a taxa do mês de junho ante maio, de 2,7% para 2,9%.


Em relação a julho de 2007, o aumento verificado foi de 8,5%, completando uma seqüência de 25 meses de resultados positivos nesta base de comparação. Já nos últimos 12 meses a alta acumulada passou de 6,7% em junho para 6,8% em julho.

Segundo o IBGE, na passagem de junho para julho tiveram destaque os desempenhos registrados por outros produtos químicos (4,2%), que acumula 12,2% em três meses de expansão, seguido por: edição e impressão (5,6%), máquinas equipamentos (2,0%) e fumo (12,9%).

Por outro lado, as pressões negativas de maior impacto sobre a média geral foram observadas em material eletrônico e equipamentos de comunicações (-7,6%), veículos automotores (-1,2%), bebidas (-3,0%) e outros equipamentos de transporte (-3,4%).

Tendência


A taxa de julho acentua a trajetória de crescimento dos índices de média móvel trimestral, considerado indicador de tendência, com o trimestre encerrado em julho superando em 1,1% o nível de junho, maior ritmo de incremento desde outubro de 2007 (1,5%).

Na comparação entre meses de julho, a indústria de veículos automotores manteve-se na liderança da expansão, com alta de 17,3%, tendo o maior impacto na formação da taxa global. Em seguida, aparecem máquinas e equipamentos (12,5%) e metalurgia básica (10,0%).

Na mesma base de comparação, as quatro atividades que mostraram queda foram, por ordem de importância: madeira (-13,7%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-3,2%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-4,8%) e calçados e artigos de couro (-1,9%).

Fonte: G1

Governo estuda criar agência nuclear

O governo deve criar uma agência especializada na fiscalização da energia nuclear, em separado da da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), informa Marcelo Leite, em reportagem publicada na edição desta terça-feira da Folha.

Para discutir a criação dessa agência, um comitê de 11 ministros deve se reunir no mês que vem. A nova estatal atende a uma pressão internacional. Autoridades estrangeiras vêem com reservas a CNEN, porque supostamente o Brasil não daria independência suficiente para o seu órgão fiscalizador, que também se envolve na execução do programa nuclear nacional.

A discussão sobre uma agência voltada para energia nuclear ocorre no âmbito da viabilização de Angra 3. Ainda no mês que vem, a Eletronuclear começará a escolher o local para a nova central nuclear, provavelmente na região Nordeste.

O governo também prevê a construção de duas novas centrais nucleares, uma no Nordeste e outra no Sudeste, onde já existe a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. O local reúne as usinas de Angra 1 e 2 e é onde será construída a usina de Angra 3. Cada central deve contar com duas usinas de 1.000 MW cada até 2030.

Angra 3 terá capacidade para gerar 1.350 MW e custará R$ 7,3 bilhões. A previsão é de que a usina fique pronta em 2014. O Ibama já assinou uma licença prévia para a construção da usina, mas colocou uma lista 60 condições para a obra.

Fonte: Folha de São Paulo

Importações reduzem produção de eletrodomésticos, diz IBGE

O aumento das importações do setor influenciou a produção de eletrodomésticos, que caiu 3,7% em julho, na comparação com mês correspondente no ano passado. A produção da chamada linha marrom (TV, rádio e som) caiu 8,3% no período, e os produtos da linha branca (geladeira e fogão) apresentaram redução de 7,1%.

O coordenador da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Silvio Sales, explicou que os indícios apontam para maior volume de compras desses produtos no mercado externo, já que os dados das vendas no comércio não indicam queda nas vendas ao consumidor.

"As importações vêm crescendo, e podem estar influenciando o resultado do setor", admitiu.

Na comparação com julho de 2007, as importações de bens de consumo duráveis, na qual os eletrodomésticos estão enquadrados, cresceu 111%, capitaneada pelo eletrodomésticos, embora haja influência do setor automobilístico.

Mesmo assim, a produção de bens de consumo duráveis registrou alta de 9,8% em relação a julho de 2007. Na comparação com junho deste ano, a produção de bens duráveis caiu 5,2%. Sales lembrou que os subsetor de eletrodomésticos deve estar contribuindo decisivamente para este resultado. Ao mesmo tempo, destacou que em junho, a produção de bens duráveis havia aumentado mais de 7%.

Em relação ao resultado geral da indústria, que cresceu 1% em julho, na comparação com o mês anterior, Sales considerou o resultado "altamente positivo". Ele destacou que nos últimos dois meses, a indústria acumula alta de 3,9% na produção. Esse é o resultado mais significativo para este período desde outubro de 2003, quando a indústria apresentara expansão de 6% frente a agosto daquele ano.

"A situação em 2003 era diferente, a indústria não apresentava quadro de crescimento como agora", afirmou Sales, ressaltando que o resultado de julho confirma o ciclo de investimentos na economia.

Sales disse ainda que o setor de bens intermediários (7,5% frente a julho de 2007) foi impulsionado pela construção civil, já que a produção de insumos para o segmento cresceu 14,4% em relação a julho de 2007. Outro subsetor que teve incremento significativo foi o de extração de minerais ferrosos, com alta de 9,7% frente a julho de 2007.

"Isso pode indicar um crescimento futuro da produção de bens finais, descontando as exportações", observou Sales.

A indústria de bens de capital cresceu 22,3% em relação a julho de 2007, capitaneada por produtos para agricultura (41,7%), para transporte (32,8%) e para energia (17,2%).

Fonte: Folha de São Paulo

OCDE revisa para cima crescimento dos EUA em 2008

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecida como o "grupo dos países ricos", elevou sua previsão para o crescimento americano neste ano, em uma avaliação divulgada em Paris nesta terça-feira.

Uma estimativa feita em junho previa que a economia dos Estados Unidos cresceria 1,2% em todo o ano de 2008 – a revisão elevou este número para 1,8%.

A OCDE explicou que a nova projeção leva em conta a produção no segundo trimestre, período em que o PIB americano se expandiu 3,3% - um resultado que surpreendeu analistas, já que o próprio governo esperava algo em torno de 1,9%.

Apesar da melhora nas projeções americanas, a organização descreveu para os próximos meses um panorama de "fraca atividade" da economia mundial, que já sofre com as turbulências do mercado financeiro, a crise nos mercados imobiliários e os altos preços de matérias-primas.

Desaceleração

Segundo a análise, a turbulência financeira "parece refletir cada vez mais os sinais de fraqueza da economia real".

Já a desaceleração dos mercados imobiliários "continua a se desdobrar" nos Estados Unidos, e atinge a Europa "para além da Dinamarca, Irlanda, Espanha e Reino Unido", diz o documento.

A OCDE manteve em 1,4% neste ano a previsão para o crescimento das economias do G7 - o grupo das sete economias mais industrializadas do planeta -, com previsões mais pessimistas compensando a alta na estimativa americana.

A nova análise reviu de 1,7% para 1,2% o crescimento anual do Japão, depois de um segundo trimestre em que a economia se contraiu 2,4%. A previsão é de que o país se recupere do tombo nos dois últimos trimestres, disse a OCDE.

Na zona do euro, a previsão de crescimento foi reduzida de 1,7% para 1,3%. Todos os países europeus que compõem o G7 (Alemanha, a maior economia européia, França, Itália e Reino Unido) tiveram suas previsões rebaixadas.

O Reino Unido é o único país do grupo para o qual a OCDE prevê uma recessão, tecnicamente definida como dois trimestres de crescimento negativo.

Após um segundo trimestre de crescimento zero, as previsões para país no restante do ano são de uma retração de 0,3% e 0,4% nos terceiro e quarto trimestres, respectivamente.

Fonte: BBC Brasil

Rússia desafia Ocidente e faz alerta antes de cúpula da UE sobre Geórgia

O governo russo desafiou neste domingo os países ocidentais, ao insistir em sua posição sobre a crise na Geórgia. Os russos afirmaram ainda que também pode impor sanções. O presidente russo, Dimitri Medvedev, lançou essa advertência na véspera de uma cúpula da UE (União Européia), em Bruxelas, para estudar uma resposta para a intervenção russa na Geórgia.

Na cúpula da UE, os líderes europeus têm a intenção de fazer uma reavaliação das relações com Moscou e acordar uma série de medidas, embora a França, país que preside a UE neste semestre, já tenha informado que não serão consideradas sanções contra os russos.

Em entrevista concedida à televisão russa, Medvedev afirmou que "não é partidário das sanções". Por isso, a Rússia as adota apenas "em casos extremos". Além disso, segundo ele, a imposição de tais medidas requer a adoção de leis especiais. Mas "faz falta, também podemos adotar esse tipo de lei", disse Medvedev, embora ele mesmo tenha classificado essa opção de "contraproducente".

Ele disse também deixou que "não há volta" em sua decisão de reconhecer as duas regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abhkázia como Estados independentes, algo que os países ocidentais condenam abertamente. "Tomei essa decisão e não há volta", afirmou.

A Rússia pretende assinar acordos com os dois territórios, na próxima semana, que permitirão a Moscou estabelecer bases militares em ambos, assim como detalhar áreas para uma possível cooperação.

Medvedev voltou a atacar Washington, ao afirmar que seu país "não pode aceitar um sistema mundial, onde todas as decisões são tomadas por um único país, inclusive se for tão importante como os Estados Unidos". "Um mundo assim é instável e comporta ameaças de conflitos".

Neste domingo, as tropas russas continuavam mantendo posições no oeste da Geórgia. Moscou afirma que se trata de uma missão de manutenção de paz, enquanto o governo georgiano denuncia que é uma força de ocupação.

"Verdade"

Sobre a presença e a intervenção russa na Geórgia, o primeiro-ministro Vladimir Putin voltou a se pronunciar neste domingo, afirmando que seu país agiu "plenamente" de acordo com o Direito Internacional. "A verdade está do lado russo", afirmou Putin, em entrevista à rede de TV russa Vesti-24.

Depois, o primeiro-ministro declarou que a Rússia não tem intenção de limitar suas exportações de petróleo e gás para a Europa, mas irá "diversificá-las".

A ministra georgiana das Relações Exteriores, Eka Keshelashvili, disse hoje, em Istambul, que "a hostilidade militar" da Rússia "pode causar um efeito dominó" em outros países da região, como a Ucrânia, e descartou um diálogo em curto prazo entre Tbilisi e Moscou.

Em artigo publicado neste domingo pelo jornal "The Observer", o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, destacou que os líderes europeus "devem rever sua relação com a Rússia". Também pediu que adotem medidas para reduzir a dependência européia do gás e do petróleo russos.

Na tentativa de promover sua causa, Medvedev falou por telefone com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, amigo próximo de Putin.

Fonte: Folha de São Paulo

Gasolina nacional gera mais ozônio, diz estudo da USP

Produção do poluente em São Paulo cairia 43% se carros utilizassem combustível com padrão californiano de refino.

Pesquisa, ainda inédita, usa modelo computacional para revelar sujeira química oculta e abre debate sobre reformulação da gasolina

Simulações feitas nos computadores da USP acabam de escancarar a oculta sujeira química que existe na gasolina usada em toda a região metropolitana de São Paulo.
Se a frota de veículos leves queimasse o combustível que abastece os carros da Califórnia (EUA), a quantidade do nocivo gás ozônio lançado no ar paulista cairia 43%. Outros cinco cenários, todos desfavoráveis ao combustível nacional, foram calculados (veja texto à dir.).
"Podemos dizer, sim, que a nossa gasolina é pouco refinada, para não dizer suja", afirma a química Leila Martins, autora do estudo ainda inédito, mas já aceito para publicação no periódico "The Open Atmospheric Science Journal".
O modelo matemático usado pela pesquisadora do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP está calibrado com dados reais obtidos nos túneis paulistanos -ao ar livre, existem muitas outras variáveis que atrapalham as medições dos gases emitidos pelos veículos.
A gasolina da Califórnia acabou escolhida, segundo Martins, porque ela é bastante refinada. Foram feitas duas reformulações químicas no combustível na última década.
Exatamente por isso, diz a pesquisadora, os dados gerados por elas são suficientes para abrir um outro debate. A gasolina brasileira -assim como deve ser feito com o óleo diesel- não precisaria passar por uma reformulação imediata?
De acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo), existe um plano de reformular as características técnicas da gasolina comercializada no Brasil. Porém, agora, a prioridade é tirar o enxofre do diesel.

Subproduto
O ozônio troposférico, poluente que forma o "smog" (não confundir com o estratosférico, que existe acima de 20 km de altitude e protege a Terra contra os raios ultravioleta), não é eliminado diretamente pelos escapamentos dos carros.
Ele resulta de uma reação entre os chamados compostos orgânicos voláteis (ou COVs, no jargão dos químicos) presentes nos combustíveis e a luz solar. Por isso ele é chamado de poluente secundário.
No caso específico da gasolina, explica o físico especialista atmosfera Paulo Artaxo, também da USP, o que determina a quantidade de ozônio produzido é o teor de dois tipos de molécula: as chamadas olefinas e os compostos aromáticos.
Quem olha os dados do estudo da USP não precisa ser muito bom em química para entender a diferença entre a gasolina refinada e a suja. O combustível da Califórnia, desde 2004, pode ter no máximo 4% de olefinas e 22% de compostos aromáticos por unidade de volume.
A brasileira, segundo a portaria 309 da ANP editada em 2001 e ainda em vigor, também em limites máximos, pode ter até 30% de olefinas e 45% de compostos aromáticos.
A diferença no teor de enxofre, aliás, também é grande. O limite no combustível californiano é de 15 ppm (partes por milhão) e na gasolina brasileira é de 1.000 ppm.
"A reformulação da gasolina é importante. Mas temos de dar prioridade ao diesel", diz Artaxo. No caso do ozônio, explica o pesquisador, outras medidas igualmente importantes podem ser tomadas de imediato. "A inspeção e a regulagem dos veículos são duas delas", diz, já que motores regulados queimam melhor o combustível.
Para que a gasolina brasileira colabore menos com a formação de ozônio -o gás é um dos principais poluentes que se formam em São Paulo- a mudança na formulação química do combustível precisa ser radical.
As olefinas, segundo Martins, deveriam ser reduzidas em 86,6%. Os aromáticos em 22,2% e os benzenos em 30%.
Apesar de a modelagem feita por Martins servir apenas para a zona metropolitana de São Paulo, engana-se quem acha que isso é um problema local. "O ozônio se espalha bastante, nós o exportamos ele para outras regiões", diz a cientista, que agora vai começar a investigar outro problema ainda oculto: o real impacto do ozônio na saúde dos paulistanos.

Fonte: Folha de São Paulo

Plataformas de gelo no Canadá perderam 23% da área

As plataformas de gelo localizadas na costa norte da ilha Ellesmere, no Ártico canadense, perderam 23% de sua área apenas neste ano, segundo informações da Universidade de Trent, no Canadá.


Os desprendimentos de blocos de gelo que ocorreram neste ano totalizaram uma perda de 214 km² da área das plataformas – mais do que o triplo da área da ilha de Manhattan.

A plataforma de Ward Hunt, a maior do Canadá, perdeu 40% de sua área, enquanto a geleira Markham, de 50km², se desprendeu completamente da ilha e está à deriva no Oceano Ártico. Dois blocos de gelo também se desprenderam da plataforma Serson, reduzindo sua área em 60% (122km²).

Para o pesquisador Derek Mueller, essas perdas ressaltam a rapidez das mudanças que estão ocorrendo no Ártico e alerta para o impacto do clima na região.

"Essas mudanças são irreversíveis nas condições climáticas atuais e indicam que as condições ambientais que mantiveram essas geleiras em equilíbrio durante anos já não estão mais presentes", disse Mueller.

Temperatura

Segundo os pesquisadores, a redução do gelo do mar e as altas temperaturas contribuíram para o desprendimento dos blocos no primeiro semestre deste ano.

As plataformas de gelo da ilha Ellesmere são remanescentes de uma grande área de gelo 10 mil km² que circundava a ilha.

Os registros mostram que esta região do Pólo Norte - a costa norte da Ilha Ellesmere - perdeu 90% de suas plataformas de gelo no último século e no início deste ano cobria uma área de 1 mil km².

A maioria destas perdas ocorreu no período mais quente da década de 40. Nos períodos mais frios das décadas seguintes, parte das plataformas de gelo mostrou sinal de estar se reformando.

A perda de gelo no Ártico tem implicações globais. O "guarda-sol branco" na superfície do planeta reflete a energia do Sol, ajudando a controlar a temperatura da Terra.

Caso ocorram ainda mais perdas, a radiação pode passar a ser absorvida pela água escura do mar e pela terra não coberta pelo gelo, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento do planeta.

Fonte: BBC Brasil