sexta-feira, 4 de julho de 2008

33% das mulheres afirmam ter feito sexo aos 15 anos

Pesquisa feita pelo Cebrap, financiada pelo Ministério da Saúde, mostra ainda que elas têm filhos cada vez mais novas

Em 96, índice das jovens que disseram ter
tido a primeira relação sexual aos 15 anos era de 11,5%; número de cesáreas também cresceu

As brasileiras estão fazendo sexo e tendo filhos cada vez mais novas, mostra a recém-divulgada Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, feita pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) com financiamento do Ministério da Saúde.
No grupo de 15 a 19 anos, 32,6% disseram em 2006 ter tido a primeira relação sexual aos 15. Em 1996, na edição anterior da pesquisa, o índice era de 11,5%. Por tabela, o percentual de meninas nessa faixa etária que se declararam virgens caiu -de 67,2% para 44,8%.
A pesquisa foi feita no Brasil inteiro. Obtidos por entrevista de novembro de 2006 a maio de 2007, os dados são sobre cerca de 15,5 mil mulheres em idade fértil (de 15 a 49 anos) e 5.000 crianças de até cinco anos.
As conseqüências desse início precoce da vida sexual se refletem nos números de gravidez. A idade mediana da mulher na época do nascimento do primeiro filho caiu, nesses dez anos, de 22,4 anos para 21.
O índice de meninas de 15 anos com filho subiu de 3% para 5,8% entre 1996 e 2006.
O acesso a métodos de prevenção da gravidez também cresceu, mas não chegou a provocar impacto no número de filhos não planejados. Dos bebês nascidos entre 2001 e 2006, 18% foram indesejados e 28% estavam nos planos das mulheres só para mais tarde.
"Isso nos leva a pensar em falhas de métodos [de anticoncepção], uso intermitente de métodos ou eventual descontinuidade na distribuição gratuita de métodos", afirma a demógrafa Elza Berquó, coordenadora da pesquisa.
A idade para o nascimento do primeiro filho varia de acordo com o grau de instrução da mulher. Aquelas com até três anos de estudo têm o primeiro filho, em média, aos 19. Para as que estudaram 12 anos ou mais, a média sobe para 26 anos.
Na avaliação do ginecologista Marco Aurélio Galletta, do Hospital das Clínicas de São Paulo, o que falta é uma estratégia focada na educação das adolescentes. "Temos um cuidado muito bom com as crianças. A mortalidade infantil no Brasil já é de país desenvolvido. E estamos melhorando agora a saúde da mulher e do adulto. Mas fica um buraco na saúde do adolescente. A escola não dá conta de dar a orientação; e o jovem, que quer ser independente e acha que sabe tudo, fica à mercê da própria sorte."
Para Albertina Duarte Takiuti, responsável pela Saúde do Adolescente na Secretaria Estadual da Saúde, os adolescentes têm informação sobre gravidez e métodos contraceptivos. "Mas o menino não usa a camisinha porque fica com medo de falhar. A menina não pede a camisinha porque fica com medo de não agradar ao namorado. O que precisamos fazer é dar segurança a esses jovens, para que possam conversar com seus parceiros."
Foi justamente essa insegurança que acometeu Josinéia de Oliveira Pereira, 19. Em Porto Velho, ficou grávida por não ter usado camisinha. "Era apaixonada pelo meu noivo. Fiquei com medo de pedir para ele parar porque não tinha preservativo", conta ela, que teve sua primeira relação sexual aos 14.
Quando soube da gravidez, o noivo a abandonou. A mãe dela morreu em seguida. E ela decidiu morar em São Paulo com a prima Lúcia de Oliveira Lima. Chegando à rodoviária, foi assaltada. Os contatos da prima foram levados. Só sabe que ela mora "perto do Ipiranga".
Josinéia acabou tendo o filho no Amparo Maternal, uma maternidade filantrópica. Carlos Eduardo acaba de completar dois meses. "Eu não queria ter filho. Fiquei muito assustada com a gravidez. Agora é diferente. Vivo por ele", conta ela, que ainda procura a prima.

Cesáreas e peso
A pesquisa mostrou ainda um aumento no número de cesáreas, de 36,4% dos partos em 1996 para 43,6% em 2006. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, essa realidade é "preocupante". Esse é um dos únicos indicadores negativos mais presente nas mulheres com maior escolaridade, no Sudeste e na rede privada.
Quase metade das mulheres brasileiras em idade fértil tem algum problema de peso. Em 2006, 43% tinham excesso de peso, caracterizado por IMC (índice de massa corporal) maior do que 25 kg por m2 para mulheres de 18 a 49 anos -para idades entre 15 e 17 anos, os parâmetros são variáveis.
Já a obesidade atingia 16% -estão nessa classificação as adultas com IMC maior do que 30 kg por m2.

Fonte: Folha

Colombiano Uribe é um 'líder forte', afirma Bush

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou ao líder colombiano, Álvaro Uribe, para elogiar a libertação de 15 reféns, entre eles três americanos, pelo Exército da Colômbia.

No telefonema, Bush chamou Uribe de ''líder forte''. Segundo a Casa Branca, Uribe agradeceu aos Estados Unidos pelo apoio americano à sua administração.

Os três reféns americanos, Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell, iriam embarcar a partir de uma base militar colombiana, nesta quarta-feira, com destino a um hospital militar em San Antonio, no Estado americano do Texas.

Eles estavam em cativeiro desde 2003, quando o avião em que viajavam, que fazia uma operação de inspeção antidrogas, foi derrubado na selva colombiana por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

McCain

A libertação dos reféns se deu durante a visita à Colômbia do provável candidato republibano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain.

McCain contou ter sido informado por Uribe sobre o sucesso da operação militar antes de ela ter sido divulgada para a imprensa.

Os Estados Unidos financiam o chamado Plano Colômbia, um projeto de cerca de US$ 5 bilhões mediante o qual fornecem armas e treinamento militar a forças colombianas para que estas combatam o táfico de drogas e supostas ações terroristas.

O governo americano foi o único em todo o continente americano a apoiar a ação militar lançada pela Colômbia em março deste ano contra guerrilheiros das Farc que supostamente mantinham um acampamento em território do Equador.

A ação levou o Equador a romper relações diplomáticas com a Colômbia e foi amplamente condenada pelos países da região.

Tanto o republicano John McCain como o provável candidato democrata, Barack Obama, apóiam o direito da Colômbia de agir além de suas fronteiras para combater guerrilheiros e traficantes.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, exigiu, em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, que as Farc libertem todos os reféns que ainda possui em cativeiro.

Fonte: BBC Brasil

Uribe diz que sua política de segurança é 'caminho para a paz'

Ao comentar pela primeira vez a operação de resgate de 15 reféns do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse que a chamada política de segurança democrática de seu governo é o caminho para a paz no país.

"Nossa política de segurança democrática não é um fim em si mesma, e sim o caminho para a paz, a paz total", disse Uribe na noite desta quarta-feira, em Bogotá, acompanhado dos reféns libertados, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, considerada a refém mais importante da guerrilha, e membros de seu governo.

Criticada por opositores do governo colombiano, a política de segurança democrática prevê a militarização do país, com o objetivo de cercear a atuação das guerrilhas, pela via militar.

Uribe disse estar feliz em poder dar uma boa notícia ao mundo e destacou o apoio dos presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, seu principal aliado na região, e da França, Nicolas Sarkozy.

"Que bom dar essa boa notícia ao mundo. (...) Que bom dar essa notícia à França, à Europa, que durante estes anos não abandonaram Ingrid, que bom dar esta notícia a Bush e a Sarkozy", afirmou Uribe.

Mensagem às Farc

O presidente colombiano disse que nenhum guerrilheiro foi morto na operação porque seu governo pretende mandar uma mensagem às Farc para que libertem os demais seqüestrados em seu poder.

"Tudo foi minuciosamente preparado. Tínhamos uma equipe de reação que não foi necessário ativar", disse.

"Estávamos interessados na liberdade dos seqüestrados e não em derramamento de sangue e queríamos mandar uma mensagem às Farc com fatos", afirmou Uribe.

"Que façam a paz. Que comecem libertando os seqüestrados que estão em seu poder", disse o presidente.

Uribe disse que continuará trabalhando para libertar os reféns ainda em cativeiro.

"Às famílias dos que continuam seqüestrados, vai o nosso compromisso de que não os esqueceremos um minuto até que alcancem a liberdade", disse.


Fonte: BBC Brasil

Betancourt diz apoiar terceiro mandato presidencial

A ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt disse nesta quinta-feira estar de acordo com a possibilidade de um terceiro mandato na Presidência da Colômbia.

Questionada sobre se apoiaria o direito de o presidente Álvaro Uribe se candidatar a uma segunda reeleição, atualmente em discussão no Congresso, Betancourt disse: “Sim, eu gosto da reeleição. Uma segunda reeleição, sim, por que não?”.

“Me parece que é um bom sistema, eu gosto da continuidade”, afirmou, durante coletiva de imprensa em Bogotá.

Betancourt foi resgatada nesta quarta-feira pelo Exército colombiano de um cativeiro na selva, onde era mantida refém do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) havia mais de seis anos.

Golpe contra as Farc

A ex-refém disse que a reeleição de Uribe, em 2006, foi um “grande golpe” contra as Farc.

Segundo ela, até então o grupo rebelde se beneficiava da alternância na Presidência para reestruturar sua política.

“Um dos êxitos do governo Uribe foi colocar a figura da reeleição dentro das regras democráticas colombianas”, disse.

"Isso mudou completamente as regras do jogo. Eles (as Farc) estavam acostumados com o fato de que, com a mudança de governo, tinham a possibilidade de se reestruturar.”

Candidatura

Betancourt não descartou a possibilidade de se candidatar à Presidência nas eleições de 2010.

A ex-candidata foi seqüestrada pelas Farc no dia 23 de fevereiro de 2002, quando fazia campanha para a Presidência.

Analistas consideram que a libertação de Betancourt e dos outros 14 reféns resgatados pelo Exército colombiano nesta quarta-feira contribuirá para o aumento da popularidade de Uribe, no momento em que o Congresso discute o polêmico projeto de reforma constitucional que permitiria ao presidente candidatar-se a um terceiro mandato.

Atualmente, Uribe tem um índice de aprovação de cerca de 80%.

Suicídio

Ao lado dos filhos, Melanie e Lorenzo Delloye, e da irmã, Astrid, com semblante tranqüilo e ainda abatido, Betancourt relatou detalhes do cativeiro na selva.

A ex-refém disse que a morte é parte do cotidiano dos seqüestrados e admitiu ter pensado em suicídio como meio de “encurtar o sofrimento”.

“A tentação era diária. Será uma opção? Será muito ruim? O que pensarão meus filhos? Pensava se seria capaz.”

Betancourt disse que o programa de rádio em que sua mãe, Yolanda Pulecio, contava à filha coisas cotidianas e pedia que resistisse era o que a levava a desistir do suicídio.

“Era o meu pé no chão, que me levava a descartar isso”, disse.

Cativeiro

Segundo Betancourt, todos os seqüestrados eram acorrentados no pescoço na hora de dormir.

“Quando anoitece, temos que pendurar a rede, e se o guardião que está de plantão está de mau humor, aperta a corrente que nos colocam no pescoço”, disse.

“Cheguei a pedir que me acorrentassem nos pés, porque não conseguia dormir por causa do peso das correntes.”

A ex-refém disse que um dos piores momentos era quando tinham de caminhar pela selva, durante até 10 horas, e quando tinham de desmontar o acampamento diante de uma ameaça do Exército colombiano.

Clara Rojas

A advogada Clara Rojas, seqüestrada com Betancourt em 2002 e libertada em janeiro pelas Farc, acompanhou a coletiva de imprensa ao lado de seu filho, Emmanuel, nascido em cativeiro, fruto de uma relação com um guerrilheiro.

“Estou muito contente de encontrar Ingrid tão bem”, disse Rojas à BBC Brasil, ao ser interrompida por Emmanuel que, animado, dizia querer ver Betancourt.

Rojas, que era assessora política de Betancourt, voltou a rever a amiga depois de quatro anos de separação. Logo após o nascimento de Emmanuel, Rojas foi separada do grupo em que estava Betancourt.

“Recordamos juntas detalhes de quando estavamos em cativeiro, como foi o primeiro banho que demos no Emmanuel. Imagine, a situação era tão difícil nesse momento”, disse Rojas.

Fracasso

Betancourt disse que sua libertação representa um fracasso para a ala militarista das Farc.

“Isso foi um fracasso de Mono Jojoy (membro do Secretariado das Farc), ele representa o bando militarista”, afirmou.

“O que aconteceu ontem (quarta-feira) foi um golpe dramático nas suas estruturas, demonstra uma falta de coordenação com os chefes, a logística que não está funcionando”, disse.

Banco Central europeu eleva taxa de juros

O Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela primeira vez em um ano nesta quinta-feira, numa tentativa de controlar a alta da inflação.

O aumento, em 0,25 ponto percentual, ajusta a taxa básica de juros na zona do euro para 4,25% ao ano e foi impulsionado pela alta nos preços dos alimentos e do combustível.

A inflação atingiu a taxa anual de 4% neste mês – a mais alta desde que os registros começaram a ser calculados, em 1996.

O aumento foi anunciado apesar das preocupações de que a economia na zona do euro estaria em um período de desaceleração.

“O aumento da taxa anunciado pelo BCE ressalta a determinação do banco em controlar a inflação, mesmo em meio aos registros de recuo no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse a analista Jennifer McKeown, da empresa de consultoria Capital Economics.

Há também uma preocupação de que o aumento da taxa de juros possa causar uma desaceleração ainda maior na economia.

Dados divulgados nesta quinta-feira indicam que o setor de serviços da economia européia – que compreende desde bancos até hotéis – não expandiu pela primeira vez desde junho de 2003.

O índice Purchasing Managers (PMI) caiu para 49,1 em junho, comparado com 58,3 no mesmo período em 2007. Uma taxa menor que 50 indica que o setor estaria contraindo.

A desaceleração no setor de serviços na Espanha foi particularmente intensa, o que levoualgumas análises sugerem que o país estaria caminhando para uma recessão.

Petróleo

Mesmo antes do anúncio da decisão do BCE, a perspectiva de aumento dos juros europeus já mexia com o mercado de petróleo. O preço do barril tipo Brent atingiu novo recorde e o barril foi negociado a U$ 146 pela primeira vez. O light foi a US$ 145.

Após a divulgação, o barril tipo Brent recuou um pouco para US$ 143 e o light para US$ 142,49.

Paralelamente, o dólar afundou em uma queda de dois meses com relação ao euro.

O presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Chakib Khelil, já havia dito à BBC na quarta-feira que um aumento nas taxas de juros poderia causar um enfraquecimento do dólar em relação ao euro e, como conseqüência, transformar o petróleo em um investimento mais atraente.

Em outros locais da Europa, o Banco Central suíço aumentou sua taxa de empréstimo para 4,5% - um aumento de 0,25 ponto percentual, numa tentativa de combater a inflação.

A inflação subiu de maneira significativa e está em seu maior nível desde a metade da década de 90, diz um comunicado emitido pelo Riksbank.

O comunicado afirmou ainda que mais aumentos em taxas de juros podem estar por vir se os preços mundiais do petróleo e dos alimentos continuarem a subir.

Fonte: BBC Brasil

Procuram-se trabalhadores qualificados para a economia em crescimento no Brasil

Para quase qualquer país fora a China e a Índia, obter mais de 5% de crescimento ao ano é difícil. Fazê-lo sem mão-de-obra qualificada é ainda mais difícil.

Mas este é o desafio diante do Brasil, o B das economias Bric - Brasil, Rússia, Índia e China - a versão atual dos tigres econômicos.

Após anos de expansão e contração, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está projetando um período de crescimento sustentado, com o PIB (Produto Interno Bruto) crescendo 5% ao ano, de agora até 2010, e entre 3% e 4% ao ano na década seguinte.

Mas muitas empresas e economistas, incluindo alguns do próprio governo, dizem que a escassez de mão-de-obra altamente qualificada, particularmente engenheiros e técnicos profissionais, ameaçará estas metas, assim como a ascensão política e econômica do Brasil.

"A falta de disponibilidade de capacidade técnica pode ser um obstáculo ao crescimento, sem dúvida", disse José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, a companhia estatal de petróleo, em uma entrevista. "É um grande desafio para o país."

A escassez de engenheiros aqui está se espalhando para outros setores. A falta de engenheiros de construção ameaça projetos de infra-estrutura; áreas como bancos, fabricação de aviões, petroquímica e metalurgia estão todas competindo pelos mesmos graduados de destaque. Nos setores de gás e petróleo que passam por um boom, as empresas estão recorrendo a mão-de-obra estrangeira porque não há brasileiros qualificados o suficiente.

"Alguns de nossos grandes clientes no setor de petróleo e gás contam com 40 a 50 vagas de trabalho e não conseguem preenchê-las", disse Paulo Pontes, diretor da Michael Page International, uma firma de recrutamento especializado.

"Quando perguntamos para as empresas onde estão as carreiras de futuro, sete entre 10 delas estavam em engenharia. Isto mostra a realidade do que está acontecendo hoje."

Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria, em setembro passado, apontou que mais da metade das 1.715 empresas industriais pesquisadas não conseguiam encontrar os trabalhadores qualificados que precisavam. Destas, 69% disseram que a falta de uma força de trabalho qualificada resultava em ineficiência; 36% disseram que levava a bens de menor qualidade; e 25% disseram que tornava mais difícil a aquisição ou assimilação de novas tecnologias.

Esta realidade está levando milhares de empresas brasileiras ao ramo da educação. Algumas ensinam alfabetização básica e aritmética a zeladores e trabalhadores manuais. Outras oferecem cursos mais avançados que ajudam funcionários de fábrica ou linha de produção a entenderem melhor matemática, ciências e composição. E grandes empresas estão aumentando a quantidade de treinamento no emprego que dão a engenheiros e profissionais.

"Nós estamos planejando investir US$ 11 bilhões neste ano e US$ 60 bilhões ao longo dos próximos cinco anos apenas em projetos de crescimento orgânico", disse Maria Gurgel, diretora de planejamento de recursos humanos da Vale, uma das maiores empresas de mineração do mundo. "As pessoas por trás destes projetos são geólogos e engenheiros cujas especialidades estão em portos, ferrovias e minas. Estas são as áreas onde temos escassez. Nós precisos dar a eles treinamento especializado. Seria difícil crescer" sem eles, ela disse.

Hoje, empresas como a Vale, Petrobras e a petroquímica Ultrapar gastam milhões de dólares em seus próprios programas de treinamento.

Um programa típico é como o da Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves. A Embraer fabrica jatos executivos e comerciais para seis a 122 passageiros. A empresa dobrou de tamanho desde o início da década e atualmente conta com encomendas que ultrapassam US$ 20 bilhões. Ela espera entregar próximo de 200 aeronaves para clientes neste ano.

Isto se deve em parte à criação de seu programa de especialização em engenharia. Em 2001, diretores da empresa perceberam que com apenas três universidades brasileiras oferecendo cursos de engenharia aeronáutica, não haveria graduados suficientes disponíveis para ajudá-los a projetar, construir e vender aviões em um mercado em rápido crescimento.

Então a empresa criou um programa que seleciona os melhores graduados em engenharia do país e os coloca em um curso de especialização de 18 meses. Eles já têm uma base em matérias como eletrônica, mecânica ou design. Nas salas de aula da Embraer, com vista para o chão da fábrica repleto de fuselagens, eles aprendem qualificações que os ajudarão a se tornar engenheiros aeronáuticos.

Júlio Franco, vice-presidente executivo para desenvolvimento organizacional e de pessoal, disse que a empresa gasta US$ 45 mil treinando cada estudante. "Eu não tenho dúvida de que vale a pena", ele disse. "Isto nos dá uma enorme paz de espírito."

O governo brasileiro está menos sereno.

Uma alto funcionário do governo disse acreditar que a escassez está limitada a certos setores e que pode ser superada a curto prazo com a contratação de aposentados e estrangeiros. Mas o prognóstico a médio e longo prazo é mais problemático, disse Nelson Barbosa, secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.

"As medidas para resolver o problema a curto prazo não funcionarão a médio prazo", disse Barbosa. "À medida que aumenta o crescimento, estas soluções se esgotarão e será crucial investir mais em educação. O desafio é aumentar o número de graduados, o que significa oferta de mais vagas e aumentar o percentual de pessoas que completam seus cursos."

O problema é que o sistema educacional do Brasil está em desarranjo. Nos testes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico de desempenho acadêmico, realizados a cada três anos entre jovens de 15 anos de 57 países, os estudantes brasileiros ficaram na quarta pior colocação em ciências e na terceira pior em matemática.

O trabalhador médio brasileiro possui seis anos de escolaridade, em comparação a 10 anos na Coréia do Sul, 11 anos no Japão e 12 anos nos Estados Unidos e Europa, segundo o estudo da Confederação Nacional da Indústria.

Entre os poucos brasileiros que chegam à universidade, menos de um entre cinco opta por engenharia, ciências, matemática ou computação, segundo um recente estudo do Banco Mundial sobre os elos entre educação e crescimento econômico.

"No Brasil, a maioria das pessoas que vão para a universidade cursa programas de ciências sociais e isto acontece não porque as pessoas desejam estudar filosofia, antropologia, geografia ou história", disse o autor do estudo, Alberto Rodriguez, "mas porque as universidades particulares, onde está ocorrendo o crescimento, oferecem estes cursos porque são mais baratos do que oferecer engenharia".

Há demanda por aqueles que se formam. Grandes empresas têm dinheiro para contratá-los e treiná-los. Empresas de porte médio não têm tanta sorte.

"Nós tivemos que reduzir o tamanho de nossa empresa", disse Marcos Coelho, presidente do conselho administrativo da Esteio, uma firma de engenharia que realiza estudos topográficos. "Se tivéssemos mais pessoas, nós cresceríamos bem mais rápido."

Fonte: The New York Times

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O redemoinho da União Européia chamado Sarkozy

Os planos eram grandiosos. Mas agora que a Irlanda rejeitou o Tratado de Lisboa, Nicolas Sarkozy terá que reduzir as suas metas em relação à presidência francesa da União Européia. A resposta dele? Uma atividade frenética.

Na noite da última segunda-feira os parisienses viram uma Torre Eiffel diferente: iluminada com um azul profundo, e com um círculo de 12 estrelas à sua volta. E, esta terça-feira (1), o primeiro dia da presidência interina de seis meses da União Européia ocupada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, trouxe mais novidades. Às 18h30, uma cerimônia no Arco do Triunfo para marcar a transferência do cargo. Mais tarde, Sarkozy recebeu o presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gerd Pöttering e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso. A seguir, um jantar de gala no Palácio Eliseu - tudo muito majestoso.

Mas não foi apenas a França que assumiu o centro do palco na terça-feira.
Foi também o próprio Sarkozy. O presidente francês, com o seu ego hipertrofiado, os seus modos grosseiros e a sua agenda cheia, será, nos próximos seis meses, a face política deste clube europeu de 27 membros.

E, à primeira vista, parece que o hiperativo Sarkozy não está pretendendo reduzir tão cedo o seu ritmo. As primeiras quatro semanas serão cheias de viagens e eventos: um discurso perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, em 10 de julho; o Encontro de Cúpula do Mediterrâneo, em Paris, em 13 de julho, seguido do Encontro de Cúpula União Européia-África, em 25 de julho; e mais quatro diferentes reuniões na Comissão Européia entre esta semana e 25 de julho. Como se isso tudo não fosse suficiente, a França é a anfitriã de nada menos do que oito mini-conferências de cúpula em nível de ministérios - sendo que os participantes da área responsável pela exploração espacial chegarão até a voar até a base de lançamento de foguetes em Kourou, na Guiana Francesa.

Há também outros eventos planejados, incluindo dezenas de fóruns importantes, entre eles a conferência "Quem Alimentará o Mundo", em Bruxelas. Haverá comemorações em Paris para marcar o 40º aniversário da união alfandegária, e Lyon sediará o "Seminário Europeu Sobre a Modernização das Inspeções Sanitárias nos Abatedouros". Marselha abrigará o chamado "Evento da Juventude", com o título oficial "Gente Jovem - Agentes do Diálogo Intercultural". O primeiro mês francês da União Européia será coroado por um seminário na pequena cidade de Aix-les-Milles a respeito da questão do "Feedback sobre o Gerenciamento de Desastres Naturais".

Mas, durante o período em que ocupar o cargo Sarkozy precisará focar-se muito mais em desastres de natureza política e econômica do que naqueles criados pela Mãe Natureza. A presidência francesa da União Européia coincide com a disparada dos preços da energia e dos alimentos, o declínio do crescimento econômico, o aumento das dívidas e a inflação galopante. O estado de espírito dos cidadãos da França atingiu um nível historicamente baixo. Apenas um em cada três indivíduos ainda acredita na construção de uma futura Europa - um decréscimo significativo em relação aos 61% registrados apenas cinco anos atrás.

Contudo, Sarkozy estará pensando acima de tudo na esquisita rejeição irlandesa do Tratado de Lisboa no início de junho. Foi um voto que pegou os europeus de surpresa - e o fato atrapalhou aquele que deveria ser um começo brilhante da presidência de Sarkozy na União Européia. E agora a situação ficou ainda pior porque os poloneses estão com dúvidas quanto à ratificação do tratado. Em vez de ser uma plataforma para Sarkozy brilhar, a presidência francesa ver-se-á repleta de preocupações com o árduo trabalho institucional que há pela frente. O antídoto do Eliseu é a atividade frenética - a marca registrada de Sarkozy.

Na campanha para a presidência da França, Sarkozy apresentou-se como o salvador da nova Europa mais enxuta, e ele não pretende permitir que os teimosos eleitores irlandeses o desviem do seu objetivo. Mas Sarkozy é um político habilidoso o suficiente para apresentar-se como uma pessoa que representa as preocupações e os interesses dos 420 milhões de cidadãos da União Européia, que habitam um território que vai do Mar Báltico ao Mediterrâneo.

"A Europa preocupa as pessoas e, pior do que isso, conforme eu descobri, pouco a pouco os nossos cidadãos se perguntam se afinal o nível nacional não seria mais bem equipado para protegê-los do que a esfera européia", disse ele à estação de TV France 3, em uma entrevista na última segunda-feira. E o doutor Sarkozy tem a terapia certa para isso. "Portanto, temos que modificar completamente a nossa forma de construir a Europa", insiste ele, expondo a seguir todas os problemas que deseja enfrentar durante a presidência francesa da União Européia - é o velho remédio com um rótulo novo.

Meio-ambiente, energia, imigração, agricultura e defesa - Sarkozy estabeleceu para si próprio tarefas hercúleas. A sua agenda inteira tem como objetivo lidar com as preocupações diárias das pessoas - ele quer acabar com o imposto sobre o valor agregado dos combustíveis, uma proposta que Bruxelas já rejeitou. "Mas eles aceitaram que eu, como presidente da União Européia, realize um estudo sobre essa questão a fim de tomar uma decisão em outubro", afirma Sarkozy.

Ele também quer reduzir os impostos sobre valor agregado para os restaurantes - uma questão especialmente sensível para as pessoas em um país que deseja ver o seu universo de restaurantes alçado à condição de patrimônio mundial pela Unesco. Mas não se sabe se a Alemanha e a Dinamarca aceitarão tais reduções. É mais provável que ele tenha sucesso com o seu plano para promover reduções de impostos para carros e residências menos agressivos ao meio-ambiente, embora não esteja claro se o seu governo poderá suportar tais presentes fiscais.

Na sua determinação de exibir otimismo, Sarkozy evita assuntos espinhosos como a defesa. Não é de se surpreender, já que toda a Europa estava olhando para a França e Sarkozy neste 1º de julho. E, para garantir que os cidadãos franceses não sintam-se ignorados em meio a toda essa hiperatividade referente à União Européia, o presidente prometeu ficar mais próximo a eles no futuro, apesar dos seus compromissos junto à união. Ele pretende viajar pela França, a fim de manter contato com os cidadãos comuns.
Fonte: Der Spiegel

Lula quer explicações dos EUA sobre Quarta Frota

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que quer explicações dos Estados Unidos sobre a Quarta Frota da marinha americana, que reapareceu nas águas da América Latina quase 60 anos após ter sido desativada.

"Pedi ao ministro (das Relações Exteriores) Celso Amorim que pedisse à secretária de Estado americana (Condoleezza Rice) informações sobre os objetivos desta Quarta Frota", disse Lula, em entrevista coletiva no encerramento da 35ª Reunião de Cúpula do Mercosul, na cidade argentina de San Miguel de Tucumán.

A Quarta Frota da marinha dos Estados Unidos, criada em 1943 diante da ameaça nazista, havia sido desativada em 1950. A partir desta terça-feira, a unidade voltou a realizar operações nos mares da América Latina.

"Nós agora descobrimos petróleo em toda a costa marítima brasileira, a 300 quilômetros da nossa costa, e nós, obviamente, queremos que os Estados Unidos nos expliquem qual é a lógica desta Quarta Frota", afirmou Lula.

"Nós vivemos numa região totalmente pacífica", disse o presidente, ao afirmar que a única guerra na região é contra a pobreza e a fome.

"Se fosse frota de navios de alimentos, de navios de sementes, seria até razoável. Mas eu penso que isso o ministro Celso Amorim haverá de ter uma resposta da Condoleezza", disse.

Críticas

A reativação da Quarta Frota provocou críticas de líderes latino-americanos, como o cubano Fidel Castro e o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Lula falou sobre o tema ao ser questionado sobre declarações feitas durante a reunião de cúpula pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que condenou essa presença da marinha americana na região.

Alguns analistas afirmam que o objetivo da medida seria controlar países da região com governos considerados "incômodos" por Washington, especialmente a Venezuela.

Porta-vozes militares americanos afirmam que a reativação da Quarta Frota não significa uma mudança de estratégia do país.

Segundo os Estados Unidos, trata-se de um ajuste operacional sem intenções agressivas, para melhorar a capacidade operativa no combate ao narcotráfico, manejo de desastres naturais e trabalhos de cooperação.

Pré-sal

Na entrevista ao final da reunião, o presidente Lula disse também que o Brasil vai começar a tirar os primeiros barris de petróleo da camada pré-sal no Estado do Espírito Santa em setembro.

"Em setembro deste ano vamos começar a fazer exploração experimental no Espírito Santo, numa área que foi descoberta recentemente pela Petrobras", afirmou Lula.

"E também vamos começar a fazer exploração experimental, com 20 mil barris, em Tupi, em março do ano que vem", disse.

Segundo o presidente, energia e alimentos foram os principais assuntos tratados nas reuniões bilaterais que teve nesta terca-feira com Chávez e com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

"O Brasil tem um potencial energético razoável e ainda não temos o petróleo da Venezuela, mas já encontramos a quantidade suficiente para nos dar tranqüilidade", disse Lula.

Argentina

Quando questionado se Cristina Kirchner havia pedido, conforme anunciado antes da reunião, que o Brasil envie maior quantidade de energia ao mercado argentino e com valor mais baixo que o atual, Lula disse: "Não vamos deixar que o povo argentino sofra por conta do frio, por conta de falta de energia".

O presidente afirmou que o Brasil pode exportar energia elétrica.

Outro tema debatido entre Lula e a presidente argentina foi a Rodada de Doha de liberalização do comercio mundial. Uma reunião técnica dos dois países foi marcada para o dia 14.

"Eu disse que a Rodada de Doha é muito importante, mas que só faremos algo como Mercosul", disse Lula.

Hoje, a Argentina é definida como mais "cautelosa" que o Brasil nas discussões sobre o tema.

Inflação

Na entrevista, de cerca de 30 minutos, Lula falou ainda sobre a alta da inflação no Brasil.

"Tenho preocupação com a inflação acho que desde que comecei a trabalhar no meu primeiro emprego, em 1959. Eu sei o quanto a inflação prejudica os trabalhadores que vivem de salário. A inflação prejudica os mais pobres", disse.

"Temos total condições de controlar a inflação", afirmou o presidente.

"Não brincaremos com a inflação. Vivi, como dirigente sindical, inflação de 80% e 40% e posso garantir que isso não vai voltar a acontecer no Brasil", disse Lula.

Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 1 de julho de 2008

Importação bate recorde e superávit comercial cai 44% no ano

Balança acumula saldo positivo de US$ 11,370 bilhões no 1º semestre; importações crescem 62,6% em junho.

O superávit comercial do País somou US$ 2,719 bilhões em junho, o segundo melhor resultado do ano, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Apesar disso, o saldo da balança acumulado no primeiro semestre de 2008, de US$ 11,370 bilhões, é 44,74% menor que no mesmo período de 2007.

Essa redução no saldo comercial acontece devido ao crescimento desproporcional das importações ante as exportações brasileiras. No mês passado, as compras do País somaram US$ 15,875 bilhões, crescimento de 62,6% ante 2007 e recorde histórico. Enquanto isso, as vendas externas foram de US$ 18,594 bilhões, alta de apenas 35% na comparação com o ano passado.

No acumulado em 12 meses, a balança comercial acumula superávit de 30,818 bilhões, 35,1% menor que o saldo anterior, que foi de US$ 47,502 bilhões.

Meta

Com o resultado do semestre, o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Meziat, afirmou nesta terça-feira, 1º, que a meta de exportações para este ano, que é de US$ 180 bi, deve ser revista para cima. Ele comentou que as exportações já passaram de US$ 90 bilhões este ano até junho.

Segundo Meziat, no segundo semestre as exportações tendem a aumentar. Ele observou que apesar da taxa de câmbio não ser favorável às exportações, desde o fim de 2002, o dólar só cai e as exportações só sobem.

Fonte: Estadão

Exportadora de petróleo, Argentina vive desabastecimento de gasolina

O prefeito de uma cidade da província argentina de Santa Fe explicava esta semana o que parece uma piada. "Percorremos os postos de gasolina de nossa província procurando 'nafta' [gasolina], até que chegamos a Buenos Aires e perguntamos ao atendente: 'Tem combustível?' O homem ficou olhando para nós como se estivéssemos loucos e respondeu: 'Mas o que você quer que tenha? Isto é um posto de gasolina!'"

Nem a pergunta do prefeito era uma brincadeira nem o frentista tinha motivos para estranhar. Depois de três meses e meio de conflito entre o setor agrário e o governo argentino, a crise vive uma trégua, depois da retomada das negociações. Na semana passada o bloqueio de estradas e a greve de caminhoneiros intensificaram o desabastecimento de combustíveis em muitas cidades, especialmente nas províncias de Córdoba e Santa Fe, eminentemente agrícolas. A escassez de gasolina também foi notada em Buenos Aires, e ainda ontem os proprietários de postos se queixavam da falta de diesel.

No entanto, encher o tanque do veículo se transformou em uma verdadeira aventura na Argentina, independentemente da greve no campo, pois o problema vem de muito antes. Algo que os argentinos não conseguem compreender, levando em conta que até este mesmo ano o país era exportador líquido de petróleo, e, portanto se auto-abastecia.

As quatro principais empresas de petróleo instaladas na Argentina (Repsol YPF, Shell, Esso e Petrobras) sempre alegam que se trata de um problema dos distribuidores, mas a realidade é que encher o tanque se transforma em uma odisséia.

Nem mesmo em um domingo qualquer, quando o tráfego asfixiante dá um alívio à Rainha do Prata, pôr gasolina é fácil em Buenos Aires. Em um dos maiores postos de serviço da YPF na capital portenha, situado no cruzamento das avenidas Leandro N. Alem e Córdoba, são comuns as filas de carros que dobram a esquina do posto para reabastecer. Depois da espera, o motorista resignado está preparado para qualquer coisa.

"No máximo 50 pesos!" é uma das advertências mais comuns que os atendentes gritam. Isso é ter sorte, pois a 2,3 pesos (0,50 euro) por litro de "super" muitos utilitários podem encher meio tanque. Também pode ser que não haja da super. "Só há Fangio!", exclama o atendente em outro dia, referindo-se ao combustível de maior octanagem (98) e preço, que a YPF batizou com o nome de Juan Manuel Fangio, o campeão mundial de Fórmula 1 argentino.

"Não há diesel!" é outra frase habitual, além de ser quase impossível pagar com cartão de crédito em muitos postos, em conseqüência da guerra de margens comerciais entre distribuidoras e produtoras, diante do rígido controle de preços exercido pelo governo.

A escassez de gasolina não afeta só a YPF, marca hispano-argentina que possui mais da metade do mercado e controla 1.600 dos 4 mil postos de serviço do país. Pode-se comprovar isso percorrendo a longuíssima Avenida Rivadavia, que com 35 km de comprimento divide Buenos Aires em dois.

A Rivadavia está cheia de postos. Em um da Petrobras, na altura do nº 3000, não há limite de abastecimento, mas só há gasolina super. Um pouco mais acima, um posto Shell oferece abastecimento limitado mas tem toda a linha de combustíveis - menos diesel -, talvez porque mantém preços sensivelmente superiores à concorrência. Mais acima, um Esso ficou sem mercadoria. "Não temos nada até amanhã, quando vem o caminhão", diz o frentista. "Volte amanhã!", insiste com ressonâncias que estamos preparados para escutar da boca de um burocrata argentino, mas nunca de um frentista.