quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Em alta, Lula 'decreta' fim da era neoliberal

Depois de ter acusado os países ricos de praticarem ''populismo nacionalista'' e de ter dito que o sistema financeiro mundial investiu em uma ''jogatina'' que resultou na atual turbulência econômica, Lula se despediu de Nova York e de sua temporada na Assembléia Geral da ONU, ''decretando'' o fim da era neoliberal.

Ao longo de sua estadia em Nova York, encerrada na quarta-feira, o presidente deu declarações que demonstraram a segurança de alguém cuja popularidade alcançou a marca recorde de 77,7% - de acordo com pesquisa do Instituto Sensus- e a confiança de um líder cujo país não foi fortemente atingido pelas mazelas econômicas que vêm assolando os Estados Unidos.

Lula disse acreditar que o período neoliberal ''está encerrado porque (a crise) demonstra que também no sistema financeiro é preciso ter seriedade, é preciso ter ética, não é apenas o cidadão comum que tem que ser ético''.

Os puxões de orelhas do líder brasileiro ao longo de sua estadia de três dias não se limitaram ao sistema financeiro. Lula também desferiu golpes contra os Estados Unidos e o presidente George W. Bush e ainda deu palpites na campanha eleitoral americana.

''O ideal é que os dois candidatos pudessem assinar uma carta ao povo americano, como a que eu assinei ao povo brasileiro em 2002, assumindo um compromisso para dar tranqüilidade ao povo americano e tranqüilidade para o mundo como um todo'', afirmou.

O presidente também procurou colocar o Brasil em um papel de protagonista no contexto internacional, capaz de exigir dos organismos multinacionais propostas para contornar a atual crise financeira.

''Eu cobrei do G8, cobrei do FMI e do Banco Mundial que estava na hora de eles se manifestarem, porque quando é um país pequeno que tem crise, todos eles dão palpite. Quando é a maior economia do mundo que entra em colapso, a gente não vê nenhum palpite deles.''

O último evento de Lula em Nova York foi uma reunião sobre a crise financeira mundial da qual participou como único representante da América Latina, ao lado de líderes como o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o premiê espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero.

Repercussão

Se à primeira vista os comentários e ações do líder brasileiro poderiam dar a impressão de meras bravatas, a mídia americana tratou as observações de Lula com destaque e até reverência.

Para o New York Times, o discurso de Lula na abertura da cúpula da ONU, no qual o presidente afirmou que "o ônus da cobiça desenfreada não pode cair impunemente sobre todos" refletiu o tom do encontro.

O Wall Street Journal destacou que Lula defendeu a criação de um sistema que previna o sistema financeiro mundial de ser vítima de futuros abusos.

O jornal também definiu o presidente brasileiro como um ''defensor do meio termo entre capitalismo e socialismo'', e, em tom menos lisonjeiro, como um líder que ''anda em uma corda bamba entre as práticas da ortodoxia econômica e o financiamento de programas sociais populistas''.

Ao passo que a mídia dos Estados Unidos deu ouvidos aos comentários de Lula, o presidente também esteve atento ao pronunciamento do líder americano, George W. Bush, mas aproveitou para criticá-lo, devido ao pouco destaque que ele deu ao tema da crise econômica em seu discurso.

"Eu lamentei porque imaginei que o presidente Bush, já que é a ultima aparição dele na sede das Nações Unidas, faria um discurso de despedida, falando um pouco da crise econômica e o que o governo americano pretende fazer", afirmou.

O líder brasileiro ainda ironizou: ''Eu, como sou defensor da autodeterminação dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, fui obrigado então a ficar quieto".

Odebrecht

Enquanto Lula estava em Nova York, a empreiteira brasileira Odebrecht se viu envolvida em uma polêmica no Equador.

O governo do país sul-americano acusou a companhia de ter cometido falhas na construção e posterior paralisação da central hidrelétrica San Francisco - a segunda maior do país - construída pela empresa - e está exigindo o pagamento de uma indenização por parte da Odebrecht.

Ao contrário do tom dirigido aos Estados Unidos, para o vizinho sul-americano o presidente reservou um tom fraterno ou, como ele próprio comparou, uma postura de irmão mais velho.

''Não tem jeito. O Brasil tem o papel de ser cobrado, porque somos o maior. Você imagina na sua casa, com seus irmãos menores, quando você morava com três, quatro irmãos, você podia estar certo, mas eles ficavam te cobrando coisas'', afirmou.

Bom humor

O presidente não deixou também de fazer piada sobre as recentes descobertas de petróleo feitas no Brasil e os investimentos da Petrobras no setor, que deverão estar na ordem de US$ 112 bilhões de dólares entre 2008 e 2012.

De acordo com o presidente, as descobertas farão do presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, o primeiro ''xeque brasileiro''.

Nos últimos dias, Lula ofereceu um retrato completamente distinto do presidente que era notoriamente avesso ao contato com a imprensa até o final de seu primeiro mandato.

Ele se mostrou bem-humorado no trato com os jornalistas e solícito em dar declarações, chegando a oferecer diariamente uma média de duas entrevistas coletivas - ainda que estas tenham sido realizadas no improviso, entre um evento e outro de sua apertada agenda e em plena calçada do hotel em que estava hospedado, o suntuoso Waldorf Astoria.

Lula retornou ao Brasil na quarta-feira à noite, onde deverá retomar a rotina dos últimos dias de subir ao palanque de diferentes candidatos governistas.

As pesquisas mais recentes mostraram também que o presidente é o melhor cabo eleitoral da política nacional, um motivo a mais para Lula estar dotado de tanto bom humor.

Fonte: BBC Brasil

FMI avalia custo da crise financeira em US$ 1,3 trilhão

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou hoje para US$ 1,3 trilhão o custo da crise financeira, após a turbulência recente, mais de 30% acima de seu cálculo anterior.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, divulgou o novo número em uma conferência na sede do organismo e seu "número dois", John Lipsky, depois explicou o número em discurso na Califórnia.

Lipsky disse que os bancos europeus e americanos perderam entre US$ 640 bilhões e US$ 735 bilhões devido à queda do valor de seus ativos, principalmente em dólares.

Ao acrescentar os prejuízos para outras instituições, de todo o sistema financeiro, as perdas subiram para US$ 1,3 trilhão, disse.

Em abril, o FMI tinha estimado o custo da crise em US$ 945 bilhões, equivalente a todo o Produto Interno Bruto (PIB) do México.

A crise financeira fez com que o FMI reduza "de forma modesta" suas perspectivas de crescimento mundial, mas esta "não impedirá em si mesma uma recuperação gradual" em 2009, disse Lipsky.

O arrefecimento econômico ocorre em todo o planeta, não só nos países avançados, disse, o que desmente a teoria de que as nações emergentes estavam de alguma forma isoladas das tribulações financeiras.

Lipsky também alertou sobre as repercussões da queda do setor imobiliário no Reino Unido, República da Irlanda e Espanha para seus próprios sistemas financeiros.

Nos Estados Unidos, há alguns sinais de desaceleração na redução dos preços dos imóveis, mas Lipsky insistiu em que a crise ainda não terminou.

São Paulo: para Lula, os efeitos da crise serão "quase imperceptíveis" no Brasil

"A crise? Perguntem a Bush, é a dele, não a minha!" O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, fustiga a um só tempo os Estados Unidos, por causa da "lentidão" da sua reação, os bancos, "essas instituições que adoram dar lições estão indo à falência", e "o cassino do sistema financeiro internacional, onde alguns apostaram na roleta e perderam". Mas, tratando-se do seu país, ele busca mostrar-se tranqüilizador: "Nós não permitiremos que o Brasil seja vítima desses jogos de azar". Entretanto, ele se mostra sem dúvida um pouco otimista demais quando prevê que os efeitos da crise serão "quase imperceptíveis" no Brasil.

De fato, a Bolsa e a moeda foram atingidas em cheio pela tempestade financeira. Em São Paulo, a maior praça financeira de América Latina conheceu as suas piores jornadas desde 11 de setembro de 2001. O seu principal indicador, o índice Ibovespa, sofreu uma dura queda antes de recuperar, cinco dias mais tarde, o seu nível anterior. A moeda, o real, viu acelerar-se a sua tendência à queda em relação ao dólar, que havia sido iniciada algumas semanas atrás. A divisa brasileira perdeu todos os ganhos que haviam sido acumulados desde janeiro.

Por sua vez, o movimento de "io-iô" da Bolsa não chegou a ser tão dramático. Os índices de mercado não paravam de subir desde 2004. Os seus progressos registravam o bom desempenho da economia. O índice Bovespa havia alcançado um nível recorde em maio, mas acabou sofrendo uma queda de 30%. Um grande número de valores, que até então vinham sendo artificialmente valorizados pela euforia do mercado local, estava e continua sendo excessivo. Na opinião de muitos especialistas, a crise atual oferece a oportunidade para se operar uma correção salutar dessas distorções. A Bolsa está procedendo a uma "limpeza" de si mesma. Ao apurar seus valores, ela faz com que os seus atores possam consolidar suas posições. Uma vez que as empresas cotadas, em sua maioria, apresentam uma boa saúde e se mostram resistentes, o mercado deverá recuperar aos poucos um novo vigor.

Em contrapartida, a fragilidade da moeda revela ser mais preocupante. Não faltavam aqueles que a consideravam como excessivamente valorizada, mas hoje, os mesmos lamentam a maneira como ela desmoronou, vitimada por uma fuga dos capitais. Obrigados a retirarem os ganhos obtidos no Brasil para cobrirem suas perdas em outras praças, os investidores provocaram de fato uma forte queda do real.

Este ataque evidenciou a vulnerabilidade do Brasil, que se tornou muito dependente das movimentações dos fundos especulativos no curto prazo. As quantias movimentadas por esses fundos representam o triplo do montante, ainda que muito confortável - de US$ 208 bilhões (R$ 374 bilhões) -, das reservas em divisas do país.

O crescimento do PIB havia alcançado 5,4% em 2007. Com uma projeção de crescimento de 4,6% em 2008, o produto interno bruto deverá alcançar um teto situado entre 3% e 3,5% em 2009. Essa queda deverá ocorrer se, conforme alguns observadores brasileiros estão temendo, a contração do comércio mundial provocar uma diminuição da demanda das matérias-primas e dos produtos agrícolas, e consequentemente dos seus preços.

O Brasil ampliou o leque dos seus clientes. Os Estados Unidos hoje não absorvem mais do que 14% das suas vendas, contra 24% em 2000, isso porque a China aumentou consideravelmente a sua participação (11%). Contudo, os Estados Unidos e a Europa ainda compram cerca da metade das exportações brasileiras. Caso esses dois "clientes" viessem a sofrer uma quase-recessão em seus mercados, isso prejudicaria forçosamente a balança comercial brasileira. Por enquanto, a maior parte dos especialistas segue acreditando na manutenção de uma demanda sustentada dos produtos agrícolas.

O bom comportamento dos indicadores fundamentais da sua economia justifica o prudente otimismo dos brasileiros. A inflação permanece contida por volta de 4,5%. Promovido ao status de "país seguro" pelos investidores, o Brasil tornou-se "credor" desde que as suas reservas superaram o montante da sua dívida externa pública e privada. Por sua vez, o crédito interno deverá sem dúvida sofrer um aperto, mas os bancos brasileiros apresentam uma boa saúde. A sua prosperidade reflete um dinamismo interno que vem sendo alimentado pelos investimentos das empresas e pelo consumo das famílias.

Fonte: UOL/Le Monde

Wolf: por que o plano de Paulson não foi uma verdadeira solução para a crise

Tempos desesperados pedem por medidas desesperadas. Mas é preciso não esquecer que decisões tomadas às pressas podem moldar o sistema financeiro por uma geração. A velocidade é essencial. Mas é igualmente essencial fazer com que qualquer novo regime seja certo.

Sem dúvida, a crise há muito passou do ponto em que os governos poderiam deixar o setor privado salvar a si mesmo, apenas com uma pequena ajuda dos bancos centrais. Para os Estados Unidos, o resgate do Bear Stearns foi o momento em que essa opção evaporou. Mas os eventos das últimas duas semanas e meia - os resgates do Fannie Mae e Freddie Mac, a falência do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch, o resgate do AIG, a fuga para segurança nos mercados e as decisões do Morgan Stanley e Goldman Sachs de se tornarem holdings bancárias reguladas - tornaram inevitável uma solução abrangente.

A opinião pública americana espera ação. A pergunta é se obterá a ação certa. Para responder isso, nós devemos determinar qual é o desafio do sistema financeiro americano e qual o critério para julgar como deve ser tratado.

E qual é o desafio? A resposta dada por Hank Paulson, o ativo secretário do Tesouro americano, ao anunciar na última sexta-feira seu "programa de ajuda aos ativos problemáticos", é que "por trás da fraqueza de nosso sistema financeiro atual estão os ativos hipotecários sem liquidez que perderam valor com o andamento do ajuste dos preços dos imóveis. Estes ativos sem liquidez estão sufocando o fluxo de crédito que é tão vital para nossa economia". O principal desafio, então, é considerado a falta de liquidez, não a insolvência. Ao criar um mercado para os ativos pobres, Paulson espera deter a espiral de queda de preços e falências.

Eu sugiro olharmos os eventos de forma mais ampla. A dívida americana saltou de meros 163% do produto interno bruto, em 1980, para 346%, em 2007. Apenas dois setores da economia foram responsáveis por este aumento imenso na alavancagem: os lares, cujo endividamento saltou de 50% do PIB, em 1980, para 71%, em 2000, e 100%, em 2007; e o setor financeiro, cujo endividamento saltou de apenas 21% do PIB, em 1980, para 83%, em 2000, e 116%, em 2007. Os balancetes do setor financeiro explodiram, assim como a lucratividade teórica do setor. Mas a alavancagem funciona dos dois modos.

Como as obrigações líquidas americanas para com o restante do mundo eram de apenas 17% do PIB no final de 2007, virtualmente toda esta dívida é um ativo de outra entidade doméstica e resulta em quase nada. Mas quando a dívida bruta é imensa e as condições econômicas são difíceis, as chances de muitas entidades falirem é alta. Quando as pessoas temem insolvência em massa, os emprestadores deixam de emprestar e os endividados param de gastar. O resultado pode ser a "deflação de dívida", descrita pelo economista americano Irving Fisher, em 1933, e vivenciada pelo Japão nos anos 90.

Dada a recente explosão em alavancagem, o desafio dificilmente é um de apenas preços errados de ativos hipotecários tóxicos. Muitas pessoas e instituições fizeram apostas alavancadas que agora azedaram. A dívida delas não pode ser paga. Os credores estão respondendo de acordo.

Agora, vamos ao critério a ser usado para julgar a intervenção. Primeiro, ele lidaria com a ameaça sistêmica. Segundo, minimizaria os danos aos incentivos. Terceiro, ocorreria com custo e risco mínimos para o contribuinte. Além disso, seria consistente com as idéias de justiça social.

O problema fundamental com o esquema de Paulson, da forma como foi proposto, é que não é nem necessário e nem uma solução eficiente. Não é necessário, porque o Federal Reserve (o banco central americano) é capaz de administrar a falta de liquidez por meio de suas muitas operações de emprestador de último recurso. Não é eficiente, porque só pode lidar com a insolvência por meio da compra de ativos podres por um preço muito acima de seu valor verdadeiro, garantindo assim grandes perdas para os contribuintes e fornecendo um resgate ilimitado aos investidores mais irresponsáveis.

Além disso, esses ativos não têm liquidez precisamente por serem muito difíceis de avaliar. O governo corre o risco de encontrar seus cofres repletos de quantidades imensas de títulos podres acima do preço mesmo tentando o contrário. Também são questionáveis os poderes ilimitados para o Tesouro, apesar de mais no propósito do que nos fundamentos. Um fundo desses deve ser operado profissionalmente, sob supervisão independente. Finalmente, se o governo americano for resgatar investidores incompetentes, ele certamente deve também fornecer ajuda aos mutuários pobres e frequentemente desinformados.

Mas, acima de tudo, um esquema para lidar com a crise deve ser capaz de consertar a descapitalização que se avulta no sistema financeiro do modo mais focado possível.

A forma mais simples de recapitalizar as instituições é as forçando a aumentar o patrimônio e suspender os dividendos. Se isso não funcionar, poderia haver conversões forçadas de dívida em patrimônio. A atração da troca dívida-patrimônio é de que criariam perdas aos credores, o que é essencial para a saúde a longo prazo de qualquer sistema financeiro.

A vantagem desses esquemas é que não exigiriam nenhum centavo de dinheiro público. O revés é que provocariam perturbação e seriam altamente impopulares: as instituições bancárias teriam de ser avaliadas, um momento em que as entidades subcapitalizadas teriam de adotar uma das formas de melhorar suas posições de capital.

Se, como parece plausível, um esquema que imponha tamanha dor ao sistema financeiro for veementemente rejeitado, a próxima melhor alternativa seria a injeção, pelo governo, de ações preferenciais nas instituições descapitalizadas, segundo a proposta de Charles Calomiris, da Universidade de Columbia. Isso seria um resgate, mas um que restringiria o comportamento dos beneficiários, e não um pagamento de dividendos. Isso seria muito melhor do que despejar benefícios aos indignos, por meio da compra em massa de papéis podres valorizados além do preço.

Então o que eu concluo? Sim, pode haver espaço para intervenção no mercado de ativos pobres. Mas esta é uma forma cara e ineficaz de resolver o profundo desafio atual. O que é necessário, ainda mais, é uma forma clara e eficaz de desalavancar e recapitalizar o setor financeiro, idealmente sem o uso de dinheiro do contribuinte. Se esse dinheiro for usado, ele também deve ser injetado da forma mais cuidadosa e controlada possível. Uma ação abrangente é essencial, como decidiu Paulson. Mas deixem que os Estados Unidos não tenham pressa para que possa acertar nessa ação abrangente.

Fonte: UOL/Financial Times

Demanda do etanol no país vai crescer 150% em dez anos, diz EPE

Para presidente da empresa, etanol é 'jóia da coroa', ao lado do pré-sal.
Investimentos para atender a demanda chegarão a US$ 25 bilhões.

O Brasil vai viver um "boom" de etanol nos próximos dez anos, quando a demanda pelo produto vai crescer 150%, passando de 25,5 bilhões de litros, em 2008, para 63,9 bilhões de litros, em 2017.

Para atender a demanda, serão necessárias 246 novas usinas, sendo que 46% já estão em construção, e um investimento de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões. O cenário foi traçado nesta quarta-feira (24) pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que classificou o etanol como uma "jóia da coroa", ao lado do pré-sal.

"O Brasil está caminhando para ser uma potência do ponto de vista energético porque tem o pré-sal que vai tornar o Brasil um grande exportador de petróleo e o etanol que faz dele um exportador e um produtor de combustíveis limpos. Então, sem dúvida alguma, o etanol é uma ‘jóia da coroa’, ao lado do pré-sal", ressaltou.

Aumento da frota

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia, mais 14 milhões de veículos serão adicionados à frota brasileira em dez anos. E, se hoje 30% da frota de 23,2 milhões de veículos são de carros flex, a projeção é que esse índice chegue a 73% de 37 milhões de veículos em 2017.

"O flex fuel dá poder ao consumidor. Hoje, ele vai na bomba e escolhe se vai botar etanol ou gasolina. Hoje, 75% desse conjunto de carros flex fuel abastecem com etanol. Só 25% escolhem gasolina", explica Tolmasquim.

A perspectiva é que, em 2017, 80% de todos veículos de passeio serão abastecidos por etanol. Para que abastecer com álcool seja vantajoso para o consumidor, é necessário que o preço do litro custe até 70% do preço da gasolina. A média nacional hoje, segundo a EPE, é de 59%.

Crescimento 'forte'

"A perspectiva de crescimento da demanda é muito forte. O etanol é muito atrativo para o investidor. Mesmo o barril de petróleo chegando a US$ 75, que é o piso que nós acreditamos que pode chegar, o etanol ainda é competitivo. Portanto, eu acredito que haverá muito investimento e que essa crise internacional não afetará essa perspectiva boa de expansão", explicou.

Já quanto à exportação, a expectativa é que o volume negociado com outros mercados duplique nos próximos dez anos, passando dos atuais 4,2 bilhões para 8,3 bilhões de litros em 2017. Nesse cenário, os Estados Unidos, hoje o principal comprador, perderão espaço para o Japão, cuja demanda pelo etanol deve representar 36,2% das exportações.

Fonte: G1

Júpiter é 'grande jazida' de gás natural e petróleo leve, diz Petrobras

Poço está localizado na área pré-sal, em águas profundas.
Perfuração confirmou descoberta anunciada em 21 de janeiro de 2008.

A Petrobras divulgou nota nesta quarta-feira (24) confirmando a conclusão da perfuração do poço de Júpiter, na Bacia de Santos. Segundo a empresa, trata-se de uma "grande jazida" de gás natural e óleo leve em águas ultraprofundas da áreas conhecida como pré-sal.

O consórcio de exploração do poço é formado pela companhia (80%), com participação de 20% da Galp Energia. A petrolífera anunciou que essa perfuração confirmou a descoberta anunciada em 21 de janeiro de 2008.

Conforme comunicado da empresa, o poço está localizado a 290 quilômetros da costa do Rio de Janeiro e a 37 quilômetros da área do poço de Tupi, em profundidade de 2.187 metros. A profundidade total atingida na perfuração, informou a empresa, foi de 5.773 metros. Segundo a Petrobras, a prospecção garantiu que várias amostras de petróleo fossem coletadas.

A descoberta de Júpiter foi comunicada à Agência Nacional de Petróleo (ANP) nesta quarta-feira. Conforme nota da Petrobras, a estimativa dos volumes de gás e óleo será possível somente depois de análise das amostras já retiradas e da perfuração de novos poços.

Fonte: G1

Equador ameaça não pagar BNDES por hidrelétrica

O presidente do Equador, Rafael Correa, ameaçou nesta quarta-feira não pagar o empréstimo de mais de US$ 200 milhões concedido pelo BNDES para o financiamento das obras da central hidrelétrica equatoriana de San Francisco.

A obra, que apresentou falhas na execução, é o pivô de uma crise entre o governo equatoriano e a construtora brasileira Odebrecht.

"Nós estamos pensando seriamente em não pagar o crédito do BNDES (...) que foi concedido por meio da Odebrecht para construção da hidrelétrica", declarou Correa durante uma entrevista a uma TV local.

"Ainda mais um empréstimo de centenas de milhões de dólares, de mais de US$ 200 milhões, para um projeto que não presta", acrescentou.

Correa questionou o fato de o empréstimo ter sido direcionado diretamente à construtora, mas que "legalmente" consta como dívida interna do Equador com o Brasil. “É um dinheiro que nem entra no país”, disse.

“Terrível”

Nesta terça-feira, Correa ordenou o confisco dos bens da Odebrecht e a expulsão da construtora do país depois de um desentendimento em um acordo no qual o Estado exigia o pagamento de uma indenização de US$ 43 milhões em conseqüência das falhas apresentadas na obra.

O presidente equatoriano disse que a crise com a Odebrecht não deverá afetar as relações bilaterais com o Brasil.

"Não acredito que haja repercussões internacionais (...) Eu gosto muito do Brasil, mas o que essa empresa fez no Equador é terrível", afirmou.

De acordo com o governo, a San Francisco deixou de funcionar um ano depois de serem concluídas as obras e está paralisada desde seis de junho, quando técnicos apontaram falhas estruturais na construção.

A hidrelétrica é a segunda maior do país, e sua paralisação estaria colocando em risco o abastecimento de energia no Equador.

Proposta

A construtora Odebrecht disse, por meio de um comunicado, ter uma proposta "altamente positiva para o governo equatoriano", em que resguarda as possíveis perdas da Hidropastaza, proprietária da central hidrelétrica.

A empreiteira afirma estar disposta a pagar uma garantia de US$ 43 milhões exigida pelo Estado e contratar "uma auditoria internacional independente a fim de determinar as responsabilidades das partes envolvidas no projeto".

A construtora disse estar disposta a pagar os trabalhos imediatos de recuperação da central hidrelétrica, "independentemente do resultado da auditoria" e "estender a garantia da obra".

Em entrevista a uma rádio equatoriana, o ministro de Setores Estratégicos, Derlis Palacios disse que "todas as instâncias" de diálogo "foram esgotadas" entre o governo e a empresa, e que o acordo vinha se arrastando havia dois meses.

Palacios disse que a Odebrecht "não voltará" ao país.

"O Equador se cansou desta empresa, se cansou que manipule os organismos de controle", afirmou o ministro. "Tem que haver um novo futuro para a contratação pública no país."

Fonte: BBC Brasil

Dilma: com pré-sal Brasil elimina pobres em 18 anos

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) reuniu-se com diretores da Caixa Econômica Federal num hotel de Brasília.

Deu-se nesta quarta (24). A preferida de Lula para 2010 discursou. Disse que o dinheiro do pré-sal vai ajudar o Brasil a erradicar a pobreza em menos de 18 anos.

Disse que, valendo-se de programas já existentes –“Bolsa Família”, “infra-estrutura” e “educação”—o país eliminaria “definitivamente” a miséria num prazo de 15 a 18 anos.

Mas o dinheiro resultante da exploração comercial do petróleo armazenado em águas profundas será usado, segundo Dilma, ‘para encurtar o processo.”

Curioso. A própria Petrobras reconhece que as plataformas encomendadas para extrair óleo e gás do pr-e-sal só estarão operando em capacidade plena no ano da graça de 2017.

Ou a ministra dispõe de informação privilegiada, ainda desconhecida da platéia, ou terá de explicar melhor o que a faz discorrer com tanta proficiência sobre uma verba que só estará disponível no final do mandato do sucessor do sucessor de Lula.

Dilma falou também sobre a crise que rói os pilares de Wall Street e faz estremecer os mercados do mundo.

Repisou a cantilena de que a economia brasileira, por "forte e robusta", está preparada para arrostar os efeitos da turbulência.

Ecoando Lula, Dilma voltou no tempo, estacionando na era FHC: “Vivemos um momento extraordinariamente diferente do de crises anteriores — da crise da Rússia, da Ásia e da Argentina — nas quais o Brasil também esteve mergulhado.”

acha que a crise americana não pode ser motivo, no Brasil, de "desconfiança". Comparou a CEF às instituições que financiam casas próprias nos EUA:

“Não se pode dizer que uma instituição como a Caixa não tenha recursos para investir. Isso não ocorre, no Brasil, e não ocorrerá...”

“Os bancos, as instituições financeiras [nos EUA] têm seus problemas, mas não são iguais à Caixa...”

“A Caixa tem outro tipo de intervenção na área da construção civil e da construção de moradias e na coordenação de projetos governamentais na área de saneamento.”

De resto, previu que o PIB brasileiro, em alta, está a salvo. Disse que o país expetrimenta “um processo de crescimento que veio para ficar.”

Fez, por último, uma concessão à realidade. Disse que as avaliações de Brasília sobre a crise "não significam que o governo esteja de olhos fechados."

Admitiu que a situação no mercado internacional precise ser monitorada. Ah, bom!


Fonte: Folha de São Paulo

Brasil sobe para quarto lugar em atração de capital em 2007, diz Unctad

Em 2006, país havia ficado com a 8ª colocação entre os emergentes.
Brasil recebeu US$ 34 bilhões no ano passado.

O Brasil saltou da oitava para a quarta posição, de 2006 para 2007, no recebimento de investimentos estrangeiros diretos (IED) em economias emergentes. A informação consta do relatório de 2008 elaborado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), divulgado nesta quarta (24) simultaneamente em 60 países.

(Aviso sobre chamada errada: o G1 chamou na manchete da Primeira Página, por cerca de dez minutos, por volta das 14h50, uma outra reportagem, errada, que informava que o Brasil era o quinto nesse ranking de investimentos. A informação correta é a que está nesta notícia: o Brasil é o quarto.)

No Brasil, o documento foi publicado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). No relatório anterior da Unctad, antes da atualização dos dados consolidados, o Brasil estava na quinta posição em 2007.

Ranking

Nos dois anos em questão (2006 e 2007), a China liderou a atração de IED, com US$ 72,7 bilhões e US$ 83,5 bilhões, respectivamente. O segundo posto foi mantido por Hong Kong, que recebeu US$ 45,1 bilhões (2006) e US$ 59,9 bilhões (2007). A terceira posição ficou com a Rússia (US$ 32,4 bilhões, em 2006, e US$ 52,5 bilhões, em 2007). Já a quarta posição, que era de Cingapura em 2006 (US$ 24,7 bilhões), passou para o Brasil (US$ 34,6 bilhões) em 2007.

Em 2006, quando estava em oitavo lugar, o Brasil havia recebido um total de US$ 18,8 bilhões de investimentos externos diretos. "No ranking dos 10 principais pólos emergentes de atração de IED de 2007, o Brasil superou México, Índia, Turquia e Cingapura", constatou o presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima.

O IED para o Brasil cresceu 83,7% de 2006 para 2007, taxa quase três vezes maior do que a expansão dos investimentos no mundo, ainda segundo o levantamento. "Com este recorde, o Brasil ultrapassa outras economias emergentes latinas na obtenção de recursos externos, como Chile e México, e asiáticas, como Turquia, Coréia e Índia", salientou Lima.

Concentração

No ano passado, o pólo de atração dos investimentos ficou mais concentrado nas economias desenvolvidas (68,1% do total), com destaque para Europa (46,3%) e a América do Norte (18,6%). As economias em desenvolvimento obtiveram 27,3% do total, enquanto as em fase de transição, 4,7%. No caso da América Latina, a região obteve 6,9% do total, com o Brasil registrando fatia de 1,9%; Argentina, de 0,3%; Chile, de 0,8%, e México, de 1,3%.

Segundo os dados do relatório analisados pela equipe da Sobeet, o IED para as economias em desenvolvimento subiu 21% de 2006 para 2007, atingindo um total de US$ 500 bilhões. "Estes investimentos foram, em parte, direcionados para setores ligados a commodities, com preços em alta." Destes recursos, cerca de 65% tiveram a Ásia como destino; 25% a América Latina e 10%, a África.

Fluxo global

O fluxo de IED aumentou 29,9% no globo, de 2006 para 2007, atingindo o recorde de US$ 1,833 trilhão e colaborou para que o estoque total de investimentos dessa natureza alcançasse US$ 15 trilhões.

O levantamento da Unctad revelou ainda que o faturamento de empresas transnacionais foi de US$ 31 trilhões, o que significa uma expansão de 23% no ano passado em relação a 2006. O número de empregos nessas empresas superou 82 milhões, distribuídos em 790 mil filiais.

Fonte: G1

Governo estuda doar 4% da Amazônia a posseiros

Se aprovado, projeto beneficiará quase 284 mil atuais ocupantes de terras de até 4 km2.

Pesquisador do Imazon diz que, ao doar terras, União abriria mão de patrimônio de R$ 2,1 bi, mesmo sem considerar valor de mercado.

O governo estuda a doação de terras da União de até 4 km2 hoje ocupadas por posseiros na Amazônia Legal. O "rito sumário" de regularização fundiária, caso aprovado, beneficiará quase 284 mil posseiros e alcançará uma área equivalente a 4% de toda a Amazônia, ou pouco mais de duas vezes o Estado de Pernambuco, segundo cálculo do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A proposta foi apresentada ao presidente Lula duas semanas atrás, com o apoio de ministros e governadores. Lula deu prazo até novembro para definir mudanças nas regras de titulação de terras.
A regularização fundiária é a prioridade do PAS (Plano Amazônia Sustentável). Embora a grilagem de terras na região seja um problema com dimensões muito maiores, o alvo da regularização fundiária é, por ora, um território de quase três vezes o Estado de São Paulo ou 13% da Amazônia Legal, constituído por terras da União ainda não destinadas a unidades de conservação ou a terras indígenas, por exemplo.
De acordo com a proposta em análise na Casa Civil, as novas regras permitiriam regularizar em dois anos, já a partir de 2009, todas as posses de até quatro módulos fiscais (entre dois e quatro quilômetros quadrados, dependendo da cidade) localizadas em 436 municípios de nove Estados da Amazônia Legal. Pará, Amazonas e Rondônia são os Estados com o maior número de posseiros ocupando terras da União.
"Muitas dessas pessoas foram parar na Amazônia na época do "Brasil ame-o ou deixe-o". A maioria não tem nenhuma documentação", disse Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), numa referência à estratégia de ocupação da Amazônia dos governos militares. "Os projetos nunca deram certo, as pessoas foram jogadas lá, sob uma enorme instabilidade jurídica", completou.
O documento intitulado "Terra Legal: regularização fundiária acelerada na Amazônia Legal", a que a Folha teve acesso, aponta o atual conjunto de regras que tratam da titulação de terras -nove leis e dois decretos- como um entrave ao processo. "Mantidas as normativas atuais, seriam necessários 40 anos de trabalho [para a regularização]", diz o texto.
Atualmente, a legislação exige a vistoria dos imóveis a serem regularizados e a localização geográfica com precisão de 50 centímetros, além de processo administrativo para a verificar os requisitos da legitimação da posse. Também é cobrado o valor histórico de posses (da época da ocupação) até 100 hectares e o valor de mercado para posses entre 101 hectares e quatro módulos fiscais. Lula sancionou lei que dispensa licitação para venda de posses de até 15 módulos fiscais.
A doação de terras de até quatro módulos ou a cobrança só de valor histórico entre 101 hectares e quatro módulos exige mudança das leis. Não está definido se as mudanças serão feitas por medida provisória.
Coordenador do estudo "Quem é dono da Amazônia", o pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) Paulo Barreto calcula que, ao doar as terras, o governo abriria mão de um patrimônio de R$ 2,1 bilhões, mesmo sem considerar os preços de mercado.
O rito acelerado de regularização em análise no Planalto prevê a convocação dos posseiros por edital. Eles devem preencher um cadastro (informando o tempo de ocupação, a atividade econômica desenvolvida, o tamanho e a localização do imóvel) e tirar uma foto.
O tempo previsto para a emissão de título de propriedade do imóvel é de apenas 60 dias após o preenchimento do cadastro. A vistoria é abolida. E empresas contratadas farão o georeferenciamento dos imóveis num prazo de 30 dias. Esse também é o prazo previsto para a análise dos processos das pequenas propriedades.
Nas posses entre 4 e 15 módulos rurais, o prazo para a emissão de títulos é de 90 dias. Nesse caso, haverá vistoria do imóvel, e o título de propriedade será emitido mediante pagamento do valor de mercado.
Posses com mais de 15 módulos rurais só poderão ser vendidas por meio de licitação e até o limite de 25 módulos rurais. Acima desse limite, os imóveis serão retomados pela União, conforme já prevê a lei.

Fonte:Folha de São Paulo