quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Polêmica histórica marca cerimônia de 70 anos da 2ª Guerra

Líderes mundiais se reúnem nesta terça-feira na Polônia para marcar o aniversário de 70 anos do começo da Segunda Guerra Mundial, em meio à polêmica sobre o papel histórico da União Soviética no conflito.

O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, defendeu o ponto de vista de seu país em um discurso em que afirmou que em 1939 os soviéticos "esfaquearam a Polônia pelas costas".

O discurso foi feito no local onde, há 70 anos, no dia 1º de setembro, às 4:45hrs, o encouraçado alemão Schleswig-Holstein disparou na Polônia vários tiros contra a base de Westerplatte.

Ao mesmo tempo, o Exército alemão invadiu a polônia pelo leste, oeste e sul, em ataques que deflagraram a declaração de guerra de França e Grã-Bretanha contra a Alemanha dois dias depois.

Os poloneses, entretanto, sempre consideraram o Tratado de Não-Agressão firmado entre o regime nazista e os soviéticos uma semana antes da guerra, como o estopim da invasão alemão.

Duas semanas depois, em meados de setembro de 1939, o Exército soviético invadiu o leste da Polônia.

"No dia 17 de setembro, quando ainda estávamos defendendo Varsóvia, foi o dia em que a Polônia recebeu uma facada nas costas", disse Kaczynski.

"Glória aos heróis de Westerplatte, glória a todos os soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial contra o nazismo e contra o totalitarismo bolchevique", concluiu.

Um artigo escrito pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, e publicado no jornal polonês Gazeta Wyborcza, ajudou a aumentar ainda mais a tensão.

Putin condenou o pacto, mas afirmou que a União Soviética não tinha outra opção. Ele observou que, em 1938, França e Grã-Bretanha assinaram o Acordo de Munique com a Alemanha nazista, "destruindo todas as esperanças de criar uma frente unida contra o fascismo".

Ele não fez, entretanto, qualquer referência à invasão da Polônia pelo Exército Vermelho em setembro de 1939.

Putin deverá discursar mais tarde durante as cerimônias desta terça-feira. Putin lidera uma delegação de alto escalão da Rússia e deve ter uma série de encontros bilaterais com a Polônia e a Ucrânia para tentar melhorar as relações entre os países.

É a primeira vez que uma autoridade importante da Rússia participa de uma cerimônia para marcar a 2ª Guerra na Polônia.

Mais de 20 líderes de diversos países, entre eles a chanceler alemã, Angela Merkel, participarão das cerimônias para marcar os 70 anos do início da 2ª Guerra Mundial, que matou mais de 50 milhões de pessoas.

Fonte: BBC Brasil

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Desemprego na zona do euro chega a maior nível dos últimos dez anos

O desemprego na zona do euro, formada pelos 16 países da União Europeia que utilizam a moeda comum, chegou a 9,5% em julho, o nível mais alto dos últimos dez anos, na contramão dos sinais de recuperação econômica divulgados recentemente pelas maiores economias do bloco.

De acordo com dados publicados hoje pela Agência Europeia de Estatísticas (Eurostat), no conjunto dos 27 países membros da UE a taxa foi de 9%, a mais alta desde 2005, muito superior ao atual resultado no Japão, de 5,7%, mas abaixo da dos Estados Unidos, onde o desemprego foi de 9,4% no mesmo mês.

A Eurostat estima que 225 mil cidadãos europeus economicamente ativos perderam os seus trabalhos em julho, somando um total de 21.794 milhões de desempregados em toda a UE, dos quais 15.090 milhões estavam nos países que usam o euro.

Tanto na zona do euro como na UE como um todo, o resultado representa um aumento de 0,1 ponto porcentual em relação a junho passado (9,4% e 8,9%, respectivamente) e de dois pontos frente a julho de 2008 (7,5% e 7%).

Tendência

A Espanha continua sendo o país mais afetado, com 18,5% de desempregados em julho, 0,3 ponto a mais que no mês anterior e 7,1 pontos acima do nível registrado no mesmo mês de 2008.

Entre os jovens espanhois com menos de 25 anos o desemprego chegou a 38,4%.

Os países bálticos que não utilizam o euro vêm em seguida na lista. Na Letônia, a taxa subiu de 6,9% para 17,4% nos últimos 12 meses, enquanto na Lituânia passou de 5,8% a 16,7%.

Entre as maiores economias europeias, a Irlanda segue a Espanha, com 12,5% de desempregados, 0,3 ponto acima de junho e 6,5 pontos a mais que em julho de 2008.

Apesar do crescimento observado na economia francesa no segundo trimestre do ano, o desemprego no país subiu 0,2 ponto em relação ao mês anterior e dois pontos nos últimos 12 meses observados, para situar-se em 9,8%.

A situação é melhor na Alemanha e em Portugal, onde o desemprego se manteve estável em relação a junho, com índices de 7,7% e 9,2%, respectivamente, e apresentou variações moderadas a nível interanual, de meio ponto no caso do primeiro e de 1,4 pontos no segundo.

Por outro lado, a Holanda registrou o mais baixo nível de desemprego de toda a UE, de 3,4%, 0,1 ponto acima do observado em junho e 0,7 acima do de julho de 2008.

Os únicos países nos quais o mercado de trabalho reagiu à recuperação econômica foram Bélgica, Eslovênia e Dinamarca: o desemprego baixou 0,1 ponto nos dois primeiros, para situar-se em 8% e 6%, respectivamente, e 0,2 ponto no último, para 5,9%.

Fonte: BBC Brasil

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sábado, 29 de agosto de 2009

Vírus da gripe suína já é dominante no mundo, diz OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira que o vírus da gripe suína agora é a variedade de vírus de gripe dominante na maior parte do mundo.

De acordo com um comunicado no site da organização, provas recolhidas em vários locais onde ocorreram epidemias do vírus A (H1N1) mostraram que ele proliferou rapidamente.

"O monitoramento pela rede de laboratórios da OMS mostra que o vírus, em todos os locais onde há surtos, permanece virtualmente idêntico. Estudos não detectaram sinais de que o vírus tenha sofrido mutações para uma forma mais perigosa ou fatal", informou a OMS em seu site.

"A grande maioria dos pacientes continua sofrendo de uma doença leve. Apesar de o vírus poder levar a uma doença muito grave e fatal também em pessoas jovens e saudáveis, o número de casos assim permanece pequeno."

A OMS também advertiu que "a pandemia vai persistir nos próximos meses enquanto o vírus continua se movendo entre as populações suscetíveis".

Segunda onda

Em sua declaração, a OMS afirma há o risco de uma segunda grande onda de contaminação pelo vírus da gripe suína.

"Países de clima tropical, onde o vírus da pandemia chegou mais tarde, também precisam se preparar para um aumento do número de casos."

"Países nas partes temperadas do hemisfério sul devem permanecer atentos. (...) Locais restritos com aumento de transmissão podem continuar surgindo mesmo quando a pandemia já tiver atingido seu auge no nível nacional."

A OMS também alertou que grandes números de pessoas em todos os países continuam suscetíveis à doença e que, mesmo se o padrão de uma doença menos grave continuar, o impacto da pandemia durante a segunda onda pode ser pior.

"Números maiores de pessoas gravemente doentes, que precisam de cuidados intensivos, poderão se transformar no problema mais urgente para os serviços de saúde, criando pressões que podem sobrecarregar unidades de terapia intensiva e possivelmente prejudicar o fornecimento de tratamento para outras doenças."

A organização acrescentou que, como boa parte dos dados atuais a respeito da pandemia de gripe suína vem de países mais ricos, a situação nos países em desenvolvimento precisará ser monitorada com muita atenção.

"O mesmo vírus que causa problemas gerenciáveis em países ricos pode ter um impacto devastador em muitas partes do mundo em desenvolvimento", informou a organização em sua declaração.

Fonte: BBC Brasil

Brasil está apto a ser 1º grau de investimento pós-crise, diz Moody's

O Brasil reúne as condições necessárias para se tornar, nos próximos dias, o primeiro país, entre os 100 países analisados pela agência de classificação de risco Moody's, a ser avaliado como ''grau de investimento'' desde o início da crise econômica.

É essa a opinião do analista-chefe para o Brasil da agência, Mauro Leos. A classificação é dada a países cujas economias são consideradas seguras para investidores. A categoria determina se um país oferece ou não risco de pagar seus títulos. Quanto mais elevada a classificação, maior a propensão em atrair títulos.

Em entrevista à BBC Brasil, Leos afirmou que, se a conclusão do comitê de avaliação da agência for a de que o Brasil merece entrar nessa categoria isso se dará porque ''o país está apto a arcar com choques externos, está se movendo na direção certa e os riscos crediários que enfrenta são mais baixos do que antes''.

Outras duas agências de risco, a Standard & Poor's e a Fitch Ratings, já haviam elevado a classificação do Brasil para grau de investimento, no ano passado.

Mas a Moody's, ao contrário das duas outras, decidiu não elevar a categoria do país no ano passado, a fim de aguardar para ver o quanto o país seria afetado pelos efeitos da crise econômica mundial.

''O Brasil se saiu melhor do que o esperado. E um dos fatores decisivos para rever a classificação do país foi a avaliação do mercado. No Brasil, após um período crítico entre setembro e novembro, quando houve queda da atividade econômica, o sentimento do mercado melhorou consideravelmente'', afirma Leos.

Emergentes

Segundo ele, a despeito do ''declínio abrupto do quarto trimestre de 2008, o Brasil se diferenciou de outras economias emergentes em 2009, porque já está crescendo a uma taxa de 4%, no terceiro trimestre, em termos anuais, um índice que não temos visto em outros países''.

Fatores como sistema bancário sólido, balanço de pagamentos positivo e retorno do fluxo de capitais foram determinantes para provocar a revisão da Moody's.

O analista afirma que o Brasil, assim como outras nações afetadas pela crise, sofreu um aumento de seu déficit fiscal e, consequentemente, da dívida pública.

''Mas no caso do Brasil, isso não é grande o suficiente para causar preocupação. A posição oficial do governo é a de retomar balanços primários consistentes com o compromisso de reduzir a dívida pública.''

De acordo com Leos, se vier a ser de fato considerado grau de investimento pela última agência que faltava, isso possibilitará ao Brasil contrair empréstimos mais elevados a taxas de juros mais baixas.

A avaliação também abrirá caminho para fundos de investimentos e os fundos de pensões americanos que têm como critério só investir em países que são avaliados como grau de investimento por diferentes agências de classificação.

Fonte: BBC Brasil

Cúpula da Unasul fracassa em aliviar tensão na região

A reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), em Bariloche, na Argentina, não foi suficiente para aliviar a tensão entre os líderes da região, mesmo após sete horas de discussões intensas sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos.

Fontes do governo brasileiro afirmam que o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, pretendia que a reunião terminasse em um “clima de paz”, mas os discursos foram marcados por tensão, principalmente entre os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales.

Os líderes pediram a Uribe a apresentação do documento do acordo aos integrantes do Conselho de Segurança da Unasul e o acesso de membros do Conselho às bases colombianas que serão usadas pelos americanos.

Uribe, no entanto, não respondeu aos pedidos e disse que o acordo com os Estados Unidos não significará perda de “soberania” colombiana.

“Esse acordo é importante para a Colômbia e com ele não perderemos um milímetro de nossa soberania. E foram os Estados Unidos que nos ajudaram no combate aos narcotraficantes e terroristas com o Plano Colômbia, a partir do ano 2000”, disse o presidente colombiano.

Uribe disse ainda que não são bases americanas, mas colombianas que contarão com militares dos Estados Unidos.

"Mas por mais que eu diga que não são bases americanas vão continuar com esse discurso", disse.

Uribe indicou que o acordo já é um caso consumado e pediu ações conjuntas no combate ao narcotráfico e ao tráfico de armas.

“Lamento que alguns líderes falem destes ‘narcoterroristas’ como aliados políticos. E queria pedir que integrantes das Farc não encontrem abrigo em outras regiões”, afirmou.

Críticas

O presidente do Equador disse que Uribe deveria “parar de transferir” problemas da Colômbia para outros países.

“Os problemas são da Colômbia e devem ser resolvidos pela Colômbia”, disse Correa.

Chávez também se manifestou sobre o acordo e sugeriu que a Unasul discuta a paz, “mas a paz na Colômbia”.

Morales voltou a pedir que seja realizado um referendo regional para que os eleitores dos países da América do Sul decidam sobre o acordo entre Colômbia e Estados Unidos.

Correa destacou ainda que a Colômbia é o país da região que, proporcionalmente, mais investe no setor militar, mas que também seria o líder na produção de drogas. Uribe negou as acusações do líder equatoriano.

“Presidente Correa, estes dados que o senhor apresentou não correspondem aos fatos”, disse Uribe.

Transmissão

Todo o debate entre os líderes da Unasul foi transmitido ao vivo pelas principais emissoras de televisão da Argentina, como C5N. Além disso, as discussões também foram transmitidas em telões da sala de imprensa do local da reunião.

Lula lamentou a transmissão ao vivo do encontro. “Eu na verdade não gostaria que esta reunião tivesse sido transmitida ao vivo. Porque quando são transmitidas ao vivo as pessoas não falam o que pensam o que sentem”.

Cinco horas após o início dos debates, e ainda sem consenso ou conclusão, Lula voltou a criticar a abertura da reunião.

“Eu disse desde o começo que uma reunião desse tipo, aberta à imprensa, não ia funcionar porque os presidentes tendem a falar para seu público interno. E se todos tivessem falado (o que pensam) desde a primeira intervenção, não estaríamos aqui discutindo até agora”, afirmou o presidente.

A reunião terminou com um documento indicando que os assuntos de Defesa serão discutidos na próxima reunião do Conselho de Defesa, na primeira quinzena de setembro.

O texto final afirma que a América do Sul deve ser uma “área de paz” e que “forças estrangeiras” não devem interferir na soberania dos países da região. O documento diz ainda que as nações sul-americanas devem combater o terrorismo e o narcotráfico.

O encontro terminou com uma foto de todos os presidentes. Mas Uribe permaneceu na sala do encontro enquanto todos já estavam prontos para a foto. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anfitriã da reunião, foi buscá-lo e todos acabaram aparecendo na imagem.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a reunião em Bariloche foi “um avanço” e que o objetivo do encontro não era “resolver o problema entre Venezuela e da Colômbia”.

Quando questionado sobre a razão pela qual o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia não estava citado no documento final, Amorim respondeu: “Pra bom entendedor, poucas palavras bastam”.

Fonte: BBC Brasil

Crise força retorno de 54 mil brasileiros do Japão

A crise econômica e o aumento do desemprego no Japão provocaram uma queda recorde de 17,2% no número de imigrantes brasileiros no país.

Segundo dados do Ministério da Justiça do Japão, desde setembro do ano passado, início da crise financeira internacional, 54.709 brasileiros deixaram o país. No final de 2007, havia 316.967 brasileiros registrados no país.

Somente nos seis primeiros meses de 2009, a comunidade brasileira no país encolheu em 41.887 membros, gerando uma queda de 13,4% em relação ao total de 312.582 brasileiros registrados no país no fim de 2008.

“O desemprego gerado pela crise econômica é a principal causa dessa debandada de trabalhadores”, aponta Roberto Maxwell, mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Shizuoka e especialista em migrações internacionais.

Em mais de 20 anos, desde o início da chegada dos primeiros imigrantes brasileiros ao país, este foi o segundo registro de queda neste número.

A outra retração aconteceu em 1998, ápice da recessão anterior enfrentada pelo Japão. Na ocasião, cerca de 11 mil brasileiros retornaram ao Brasil, uma queda de quase 5% no número total da população dekassegui.

Índice recorde

O desemprego é justamente o motivo que levou Hélio Kazuaki Ueta, 56, a tomar a decisão de voltar com toda a família para o Brasil.

Ele já começou a fazer as malas e deve embarcar de volta para São Paulo no fim do mês que vem.

“Sei que a situação não vai melhorar e, mesmo que isso aconteça, não teria chance de voltar ao mercado de trabalho por causa da idade e do pouco conhecimento do idioma japonês”, justifica o brasileiro, que ficou sete anos no país e há quase um ano não consegue emprego fixo.

“Fiz alguns bicos nesse período e também recebi seguro-desemprego”, conta.

Ueta diz acreditar que a situação no Brasil também não está tão boa. Sem previsão de conseguir um emprego por lá também, ele pensa em virar fotógrafo e abrir um negócio próprio.

“Acho que a recuperação econômica do Brasil vai ser mais rápida que a do Japão”, opina ele.

Segundo dados divulgados pelo governo do Japão nesta sexta-feira, o índice de desemprego no país é o pior desde o fim da Segunda Guerra.

Ele subiu 0,3 pontos percentuais em julho, e chegou a 5,7%. O número bateu o recorde anterior, registrado em abril de 2003, que foi de 5,5%.

Ajuda do governo

Muitos dos que estão voltando agora ao Brasil deram entrada no esquema de ajuda para regresso oferecido desde abril deste ano pelo governo japonês a imigrantes peruanos e brasileiros.

Esse auxílio contempla cada imigrante com um valor de cerca de US$ 3 mil. Seus dependentes ganham mais US$ 2 mil cada.

No entanto, um dos requisitos é que ele não volte ao Japão por um período mínimo de três anos.

De 1º de abril até o início de agosto, um total de 9.762 pedidos haviam sido feitos para receber essa ajuda. A grande maioria, segundo o Ministério da Justiça, de brasileiros.

Mas o número de solicitações é bem baixo em relação à quantidade que já deixou o país. Para Maxwell, isso acontece porque os brasileiros ainda acreditam numa melhora da situação econômica, o que possibilitaria uma volta rápida às linhas de montagem das fábricas japonesas.

“Além disso, essa ajuda é muito pouca. Ninguém quer correr o risco de chegar ao Brasil, não conseguir emprego lá também e ainda não ter como voltar ao Japão por causa da condição de ter de esperar três anos para tentar retornar”, sugere.

Estabilização

Apesar dos dados negativos, essa redução no número de brasileiros que vive no Japão tende a se estabilizar agora no segundo semestre.

“Acredito que não vai haver outra enxurrada de brasileiros deixando o Japão, mesmo com o fim do período de recebimento do seguro-desemprego”, opina Maxwell.

Dados do Ministério da Justiça comprovam essa tendência. No primeiro trimestre deste ano, o saldo da diferença de entradas e saídas do país foi de 27.304 negativos. Já de abril a junho, a diferença negativa foi de 14.583.

“As pessoas que voltaram no início do ano começaram a dar notícias aos que ficaram sobre a situação no Brasil, que também não está nada fácil”, justifica Maxwell. “Por isso, muitos vão tentar ficar aqui até quando der, mesmo que passem por dificuldades financeiras”, diz.

As agências de viagem também confirmam a tendência de queda no número de saídas. Segundo a Alfainter, empresa especializada em viagens para América do Sul, as reservas de passagens são bem menores neste segundo semestre em relação ao primeiro.

Fonte: BBC Brasil

Lula cobra 'garantias jurídicas' sobre acordo entre Colômbia e EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta sexta-feira, durante a cúpula da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) em Bariloche, que o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos traga “garantias jurídicas” de que a atuação dos militares americanos não ultrapasse as fronteiras colombianas.

“Temos muitos quilômetros de fronteiras e, com essa garantia jurídica, podemos dizer, se for o caso: ‘Hum, (Os militares americanos) passaram para o Brasil’”, disse Lula, durante o encontro de chefes de Estado.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, por sua vez, afirmou que teme uma “intervenção política” na Colômbia devido ao debate em torno do acordo militar.

Uribe, no entanto, não especificou quem ou que grupos poderiam participar desta suposta “intervenção”.

Em seu discurso, Uribe não falou especificamente sobre as garantias jurídicas e comentou o acordo como um fato consumado.

“Não estou sentado aqui como refém ou como um condenado. Estou aqui na Unasul para falar que a ajuda dos Estados Unidos foi muito importante para o combate a esse flagelo provocado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)”, disse, mostrando fotos de supostas vítimas do grupo.

Uribe afirmou ainda que o Brasil “não tem uma só queixa” em relação às ações do Plano Colômbia, em vigor desde 2000, e afirmou que “este (novo) acordo, assim como o Plano Colômbia, respeitará os limites” de seu país.

Desconfiança

A anfitriã do encontro, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou que houve uma “quebra de confiança” entre alguns dos presidentes da Unasul. Ela solicitou ainda que o presidente colombiano apresente os termos do acordo a seus colegas sul-americanos.

“O principal dado é a falta de confiança. E por isso, minha sugestão ao presidente Uribe é que possamos ler, por meio do Conselho de Segurança (da Unasul), o acordo da Colômbia (com os Estados Unidos)”, afirmou.

O presidente Lula também sugeriu que seja realizada uma reunião entre Uribe e os principais críticos do acordo, os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales.

“É importante discutir uma política de paz no continente”, disse Lula.

“Tenho preferências nas minhas relações pessoais, mas não entre presidentes. Defendo que temos que respeitar o voto popular. E se respeitamos estes princípios, tudo será mais fácil. Temos que ter a melhor relação entre nós.”

Lula disse ainda que se “preocupa” com o discurso de pessoas que falam “em guerra” na região, sem, no entanto, citar nomes.

Na última reunião da Unasul, no dia 10 de agosto, em Quito, no Equador, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal crítico do acordo militar colombiano, afirmou que “ventos de guerra sopram na região”.

Chávez não estava na sala quando Lula discursou. Os dois se reuniram antes do início do encontro, quando, segundo interlocutores do governo brasileiro, Lula pediu “moderação” ao venezuelano.

Drogas

Na reunião também foi debatido, de forma indireta, o papel das Forças Armadas no combate ao narcotráfico.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse que em seu país os militares trabalham no combate ao narcotráfico.

Lula, no entanto, afirmou discordar do uso das Forças Armadas para estes fins.

“O combate ao tráfico é um assunto de polícia, e as Forças Armadas estão dedicadas a outros assuntos.”

Lula voltou a sugerir que a próxima reunião da Unasul seja realizada com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Lula indicou que, neste encontro, o tema central deveria ser a relação da América do Sul com Estados Unidos, e não só o acordo militar com a Colômbia.

Fonte: BBC Brasil

Lula e Morales assinam acordo para construção de rodovia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste sábado com o líder da Bolívia, Evo Morales, no vilarejo de Villa Tunari, na região de Chapare, área produtora de coca e reduto eleitoral do boliviano.

Os dois assinaram um acordo para a construção de uma rodovia que ligará as cidades bolivianas de Villa Tunari e San Ignácio de Moxos com investimento brasileiro no valor de US$ 332 milhões (cerca de R$ 610 milhões) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Bolívia investirá U$ 80 milhões (R$ 147 milhões) na construção.

A estrada, que será construída por uma empresa brasileira, terá 306 quilômetros e fará a conexão entre o vale de Cochabamba e a Amazônia boliviana.

Gás natural

Os presidentes Lula e Morales se reuniram rapidamente logo após a chegada do líder brasileiro, e em seguida foram para um estádio de futebol em Villa Tunari onde cerca de cinco mil pessoas se reuniram para ouvi-los, segundo a agência Brasil.

Na pauta do encontro também estava a compra de gás natural boliviano pelo Brasil, que foi reduzida pelo aumento da capacidade produtiva hidrelétrica brasileira e por causa dos efeitos da crise econômica mundial na indústria do país.

O governo boliviano deseja renegociar o preço, reduzir o volume do gás exportado ao Brasil e começar a vender mais para outros países.

Segundo o ministro boliviano da Economia e Finanças, Luis Arce, a redução da demanda brasileira pelo gás boliviano provocou uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2008.

O ministro disse que a economia boliviana registrou crescimento de 2,11% neste período de 2009, muito aquém dos 6% registrados em 2008.

Os dois presidentes também conversaram sobre o acordo da Colômbia com os Estados Unidos para a utilização de bases no território colombiano pelos americanos.

Fonte: BBC Brasil

Venezuelanos marcham a favor e contra nova lei de educação

Milhares de venezuelanos saíram às ruas neste sábado em duas manifestações diferentes, uma pró e outra contra a nova lei de educação promulgada pelo Parlamento há uma semana.

A marcha da oposição, que ocupou uma das principais avenidas do centro-oeste da cidade, foi dispersa pela Polícia Metropolitana com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água quando um grupo de manifestantes tentou romper o cordão de isolamento colocado pelos policiais perto do ponto final da manifestação, que havia sido previamente acordado entre o Executivo e a oposição.

Os opositores ao governo de Hugo Chávez argumentam que a nova lei pretende "ideologizar" a educação venezuelana.

"Não quero que ensinem comunismo para meu filho. Queremos liberdade", afirmou a comerciante Augusta Hernández, que admitiu à reportagem da BBC Brasil não ter lido as modificações que foram realizadas na nova legislação.

"Não tive tempo, mas vi pela televisão o que esse governo quer fazer, querem controlar tudo".

Ao longo da manifestação opositora se via cartazes com as frases "Não à mordaça na educação" e " Não admito tua lei cubana".

O governo, por sua vez, argumenta que a nova lei garante o acesso justo ao sistema educativo e o livre pensamento.

"Essa ferramenta, no caso da educação universitária, dá direito aos estudantes a ingressarem ao sistema sem que ninguém tenha que fazer provas (vestibular) (...), é uma lei que permite a inclusão", afirmou o ministro de Educação, Luis Acuña, em entrevista ao canal estatal, durante a manifestação a favor da lei.

Educação laica

A nova lei, assim como a anterior, reitera o caráter laico da educação venezuelana, medida que provocou o rechaço da cúpula da Igreja Católica, que adiantou que não acatará a regra.

"A nova lei inclui todos os venezuelanos. Antes, mesmo sendo proibido, davam aulas de catolicismo nas escolas. Como ficavam as crianças que seguem outra religião?", afirmou a professora Nícia Bolívar, durante a manifestação pró-lei que tomou uma avenida do centro da capital Caracas.

Entre outros aspectos, a nova legislação obriga a aplicação da "doutrina bolivariana" - referente a Símon Bolívar, prócer da independência da América Latina hispânica - nos cursos de ensino básico e médio.

A lei também permite que os Conselhos Comunais - que funcionam como uma espécie de grupo de Orçamento Participativo - assumam um papel de controladoria pública nas escolas e universidades.

Outro controvertido artigo que tem sido rejeitado pelos grupos empresariais da comunicação é o que co-responsabiliza aos meios de comunicação na educação da sociedade venezuelana.

Além de proibir a difusão de mensagens de violência, que "incitem o ódio" e que sejam "contrárias à soberania nacional", a legislação determina que os professores ensinem aos alunos a desenvolverem "pensamento crítico" frente aos meios de comunicação.

Fonte: BBC Brasil

El Niño pode afetar padrões climáticos nos próximos meses, dizem especialistas

A Organização Mundial de Meteorologia, com sede em Genebra, afirmou que os padrões climáticos para os próximos seis meses deverão ser diferentes, devido ao impacto do fenômeno El Niño, no Oceano Pacífico.

De acordo com o correspondente da BBC David Bamford, nas últimas semanas fazendeiros do sul da Ásia ficaram alarmados com a falta das tradicionais chuvas de monção, que atingem a região nesta época do ano.

Partes da Indonésia e Malásia se encontram atualmente escondidas debaixo de uma névoa forte.

A seca está causando um efeito devastador nas lavouras e nos estoques de alimentos no Quênia e leste da África, enquanto que o número de furacões no Caribe diminuiu muito.

Segundo a Organização Mundial de Meteorologia, todos estes eventos climáticos parecem estar interligados e podem ser conseqüência do El Niño, que está de volta, porém com intensidade menor do que a registrada em 1997.

Há 12 anos, o efeito do fenômeno foi responsabilizado pela perda de lavouras e centenas de mortes no mundo inteiro.

Diferenças

A Organização Mundial de Meteorologia afirmou que o fenômeno neste ano apresenta uma intensidade de fraca a moderada, que ocorre devido a temperaturas mais altas do que o normal nas águas da região tropical do Oceano Pacífico.

Apesar de a diferença ser de menos de um grau, já é o bastante para criar uma série de eventos no mundo todo, como um efeito cascata.

O nome formal para o fenômeno que ocorre com intervalo de alguns anos é El-Niño-Oscilação do Sul. Entre os efeitos, a água do mar fica mais quente do que o costume, cardumes se movem de forma imprevisível, a chuva que deveria ocorrer não vem, ventos podem mudar de direção.

Esses efeitos podem durar até 12 meses.

O modelo de clima da Organização Mundial de Meteorologia pode fazer previsões mais precisas apenas para os próximos meses e sugere que os efeitos do El Niño poderão ser sentidos até, pelo menos, março de 2010.

Fonte: BBC Brasil