sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Lula: 'Se crise dos EUA tivesse sido há 5 anos, Brasil estaria com pneumonia'

Presidente afirmou que economia do país está sob controle.
Ele voltou a defender os biocombustíveis: ‘Brasil não pode ter medo do debate’, disse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar nesta terça-feira (29), durante inauguração da primeira unidade de biodiesel da Petrobras, em Candeias (BA), que a economia brasileira está sob controle. Ele afirmou que o país conseguiu manter o crescimento mesmo com a crise imobiliária enfrentada pelos Estados Unidos.

Além da inauguração da fábrica de biodiesel, o presidente também lançou a Petrobrás Biocombustível, uma subsidiária da Petrobras criada para conduzir as atividades relacionadas aos biocombustíveis

“Há cinco anos, se tivesse acontecido [a crise imobiliária], o Brasil tinha pego pneumonia. Agora estamos muito bem, graças a Deus”, disse o presidente.

Segundo ele, o governo fará “qualquer coisa” para manter a inflação sob controle. “Dentre os emergentes, o país tem a inflação mais baixa. A nossa está controlada e vamos fazer qualquer coisa para manter. Só ganha com a inflação quem especula. Quem trabalha e recebe salário, só perde”, disse.

Lula afirmou que o país vai controlar a inflação com mais produção. Ele voltou a defender os biocombustíveis e disse que o Brasil não pode temer o debate a respeito do assunto. “O Brasil não pode ter medo do debate internacional, daqueles que dizem que por conta da produção do biocombustível o preço do alimento está subindo.”

Ele disse que o seminário sobre o biocombustível que acontecerá em São Paulo no mês de novembro será importante para o país. “Se alguém me provar que o que estamos fazendo diminui os alimentos. Não seria louco de deixar de encher o nosso tanque para encher o tanque do carro.”

O presidente disse que inaugurar a primeira usina de biodiesel o "toca profundamente". Citou que o biodiesel foi patenteado em 1975 e que somente em 2003 passou a ser produzido. "Ficou de 1975 a 2003 sendo apenas uma teoria bonita, discutida academicamente nas universidades."

Lula estava acompanhado da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Edison Lobão (Minas e Energia), Geddel Vieira (Integração Nacional); os governadores Jaques Wagner (Bahia) e Eduardo Braga (Amazonas); e o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima.

Petrobrás Biocombustível

O presidente participou de uma cerimônia de posse dos diretores da Petrobrás Biocombustível e entregou crachás aos diretores. Entre eles está o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto.

Lula disse que a nova empresa terá que fazer contratos de longo prazo, de no mínimo cinco anos, com os agricultores. “Para dar garantias de que vai ter compromisso de produzir e Petrobras, o compromisso de comprar”, explicou. “Acabou esse negócio de não ter pra quem vender”.

O presidente disse que a criação da nova empresa gerou impasses dentro do governo. "Não pensem que foi fácil chegar aqui não. A Petrobras relutou, pensa que fazer essa planta foi fácil? Que o Gabrielli acordou com vontade de fazer? Isso foi muito cacete, muita briga. (...) A Petrobras fica com medo de perder a importância. Não vai. Quanto mais a Petrobras colocar seu conhecimento para produzir, vai ser infinitamente mais forte", afirmou.

Disse ainda que a produção de biocombustíveis pode "demorar um pouco para dar certo" e que precisará de investimentos. "Sabem quanto tempo a Petrobras levou para ser autosuficiente. (...) Levou 56 anos. Mas como Deus deu uma passadinha no Brasil e fincou o pé, descobrimos o pré-sal Mas se não fossem os investimentos. É preciso investir em tecnolgia e o retorno pode ser zero. É uma decisão de coragem."

O presidente da Petrobrás Biocombustível, Alan Kardec, citou que um dos desafios será se relacionar com a agricultura familiar. “A relação com a agricultura familiar, esse é o nosso desafio mais fundamental. Aí é que está o sucesso do negócio do biocombustível. E a empresa trabalhará com práticas adequadas nas relações trabalhistas. Não existirá palavras como trabalho infantil e trabalho degradante.”

Segundo ele, a empresa será “voz permanente para esclarecer ao mundo que no Brasil não temos dilema entre a produção de biocombustível e a de alimentos.”

Fonte: G1

Karadzic: perguntas a respeito de uma fuga de onze anos

Travestido de doutor Dragan David Dabic, um guru "new age" de medicina alternativa, Radovan Karadzic passava despercebido no Ruda Kuca. Este barzinho, cujo nome, bem escolhido, significa "Casa maluca" é um pequeno estabelecimento comum e pouco reluzente plantado na periferia de um bairro de prédios sem graça e anônimos da nova Belgrado. Nele, no decorrer dos nove meses que antecederam a sua prisão, em 21 de julho, o falso doutor Dabic testou em várias oportunidades a eficiência do seu disfarce, desafiando com insolência os investigadores do mundo inteiro, ao freqüentar uma clientela de fato embebida mais que de razão de álcool de ameixa, mas nem um pouco cega.

Vale reconhecer que é difícil estabelecer a relação entre o "doutor Dabic", um curandeiro magnetizador de 63 anos, barbudo e cabeludo, que prometia curar toda e qualquer doença - dos problemas sexuais aos reumatismos -, e o homem do retrato que estava dependurado no alto, numa parede do bar. Naquele retrato, que havia sido colocado entre as fotos do antigo presidente sérvio Slobodan Milosevic (1941-2006) e de Ratko Mladic, o antigo chefe militar dos bósnio-sérvios durante a guerra da Bósnia (1992-1995), Radovan Karadzic aparece com o cabelo comprido e revolto, trajando um macacão de camuflagem caqui, na época em que ele presidia a entidade sérvia da Bósnia. "Eu não conhecia Radovan Karadzic; conhecia sim Dragan Dabic, o médico eloqüente que tratou uma criança autista", jura, não por acaso, Misko Kovijanic, o patrão do bar, exibindo orgulhosamente a sua "guzla", um instrumento tradicional de uma corda só, que o doutor Dabic gostava de ouvir. "Karadzic é um ator", explica o sociólogo Zarko Trebjecanin.

Nada permite apontar precisamente a data em que foi tirada a foto que pairava acima do bar. Era durante a guerra, mas terá sido antes, durante ou depois do sítio de Sarajevo (1992-1995), ou ainda do massacre dos 7.000 muçulmanos de Srebrenica (1994), por conta dos quais ele foi inculpado de genocídio em 1995 pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY)? "Eu não conhecia Radovan Karadzic, mas sim um médico que me fez descobrir o mundo da medicina alternativa", responde Mila Cicak, uma mulher morena que desmente os artigos na imprensa, nos quais ela é apresentada como a sua amante. "Eu tampouco o escondia", explicou Mila em entrevista à Associated Press.

Um dos homens mais procurados do mundo, cuja cabeça havia sido colocada a prêmio pelos americanos, valendo uma recompensa de US$ 5 milhões (cerca de R$ 8 milhões), se fundira no meio do cenário daquele bairro popular, um feudo dos ultranacionalistas do Partido Radical. Longe das montanhas da Bósnia ou dos mosteiros ortodoxos onde as tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) o acossavam desde que ele mergulhara na clandestinidade, no início de 1998.

Em Novi Beograd, ele morava não longe do Ruda Kuca, no terceiro andar de um bloco de concreto. "Com quatorze andares onde moram 97 famílias, este é o lugar ideal para os criminosos como ele se esconderem, ou como aqueles, ordinários, do bando de Zemoun (um bairro da periferia de Belgrado)", explica um habitante. "Ele tinha pelo menos quatro esconderijos em Belgrado que estavam sendo vigiados havia várias semanas", confirma um agente de um serviço secreto ocidental.

Segundo a versão oficial, o doutor Dabic foi interpelado na segunda-feira (21) por três membros dos serviços secretos sérvios num ponto de ônibus, da linha 73 do seu bairro. Trajando um terno desgastado e falando com o olhar afogado em meio aos vapores do álcool, o advogado de Radovan Karadzic, Svetozar Vujacic, garante por sua vez que o seu cliente foi "detido dentro de um ônibus, na sexta-feira, e transportado, com os olhos vendados, rumo a um destino desconhecido; neste lugar, ele foi bem tratado durante três dias por um grupo de homens que queriam provavelmente receber os US$ 5 milhões da recompensa".

Ele acrescentou até mesmo que o seu cliente, no momento em que foi preso, estava de partida para uma viagem de férias, no litoral croata. Ele estava carregando um computador portátil, uma mochila nas costas que continha livros e tinha 600 euros (cerca de R$ 1.500) no bolso. "Até então, havia muitos rumores; agora, o objetivo é de induzir dúvidas em relação ao caráter legal da sua prisão, de modo a alimentar uma contestação popular, só que esta não está ocorrendo", analisa Bruno Vekaric, um porta-voz do procurador no tribunal especial da Sérvia para os crimes de guerra. A oposição nacionalista convocou uma manifestação, na terça-feira em Belgrado.

Dejan Anastasijevic, um respeitado jornalista especializado que escreve sobre as questões de segurança na publicação semanal "Vreme", tampouco acredita na versão oficial como se ela fosse a pura verdade, mas não considera isso como um ponto essencial. "Quais foram os serviços secretos que o prenderam: a Segurança do Interior (BIA) ou os "cobras" do exército?", se pergunta, contudo, este jornalista. Ele não exclui, tampouco, que a interpelação tivesse ocorrido na sexta-feira, "com a intenção de interrogar tranquilamente Karadzic, que é um tagarela; além de tudo, isso deu uma folga que permitiu deixar que os deputados partissem em férias, evitando o perigo de que a oposição radical (ultranacionalista) interviesse na tribuna do Parlamento para denunciar a prisão".

Segundo a avaliação do jornalista, que foi confirmada por outras fontes em Belgrado, uma interceptação de uma ligação telefônica que ocorreu há dois meses, entre conhecidos ex-membros das equipes de Radovan Karadzic e Ratko Mladic no tempo da guerra da Bósnia, teria permitido encontrar o paradeiro do doutor Dabic. "Eles provavelmente não sabiam qual dos dois iriam encontrar, mas, por uma vez, eles fizeram o seu trabalho", acrescenta.

Isso porque, apesar dos seus talentos de ator, Radovan Karadzic pôde contar com a cumplicidade passiva de vários aliados que haviam atuado no âmbito do regime anterior, ou mesmo com cúmplices ativos, como aquele funcionário que lhe permitiu obter a segunda via da cédula de identidade de um aposentado vivinho da silva chamado Dragan Dabic. "Os tempos mudaram", afirma Oliver Dulic, um antigo presidente do Parlamento, ministro do meio-ambiente e conselheiro do atual presidente Boris Tadic. "Pela primeira vez desde a queda de Slobodan Milosevic em outubro de 2000, o poder não está dividido. Boris Tadic e o seu Partido Democrata (DS) seguram todas as cartas em suas mãos", confirma um diplomata ocidental.

Desde a vitória do DS nas legislativas de maio, Rade Bulatovic, um sobrevivente da era Milosevic e um aliado do antigo primeiro-ministro nacionalista Vojislav Kostunica, foi substituído no comando do BIA por um jovem profissional acima de qualquer suspeita, Sacha Vukadinovic. Nos últimos tempos, o conselho de cooperação com o TPIY passou a se reunir cotidianamente. O tribunal especial e seus funcionários contam com uma forte proteção. "Os serviços de segurança passaram a atender as ordens de um único patrão, o presidente, e eles começaram a se dedicar a uma busca sistemática", comemora Dejan Anastasijevic.

Agora, o objetivo é de prender os dois últimos criminosos de guerra que ainda estão foragidos, Ratko Mladic e Goran Hazic, este último sendo o antigo chefe da República sérvia autoproclamada de Krajina, na Croácia. Ou, ao menos, trata-se de convencer a União Européia de que tudo está sendo feito para alcançar este resultado, de modo a levantar este que constitui um obstáculo para a incorporação da Sérvia à União Européia, a qual se tornou a prioridade máxima do governo.

Na quinta-feira (24), dentro da célula do tribunal especial de Belgrado onde ele seguiu aguardando a sua transferência para uma célula em Haia (na Holanda, onde está a sede do TPIY), o que ainda não havia ocorrido na segunda-feira (28) o doutor Dabic havia recuperado o seu rosto. Ele estava de barba feita, penteado, emagrecido, como na foto do Ruda Kuca, um barzinho que está prestes a se tornar um local de peregrinação para alguns poucos incondicionais, e um ponto de encontro para muitos outros curiosos. "Eu me pergunto qual será o bar predileto de Mladic em Belgrado", ironiza um cliente.

Ratko Mladic, conhecido como "o açougueiro de Srebrenica", foi visto ao menos duas vezes na capital sérvia: em 2000, nas arquibancadas durante uma partida de futebol, e em 2003, no hospital militar da cidade onde comparecera para submeter-se a uma cirurgia benigna. "Nós vamos terminar o trabalho", promete Oliver Dulic.

Fonte: UOL/Le Monde

Desmatamento da Amazônia cai 20% no mês de junho

O desmatamento da floresta amazônica caiu 20% no mês de junho em relação ao mês de maio, segundo medição do sistema Deter do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais). A área desmatada apontada pelos Alertas do Deter em junho foi de 870 quilômetros quadrados, contra os 1.096 quilômetros quadrados observados no mês anterior.

A área observada livre da cobertura de nuvens correspondeu a 72% da chamada Amazônia Legal. Foram avaliados 304 alertas de um total de 568 no período. Do total, 92% da área verificada foi confirmada como desmatamento e 8% não apresentou indícios de desmatamento.

Dos alertas confirmados como desmatamento, 67% foram classificados como corte raso e 25% como floresta degradada. As áreas classificadas como floresta degradada de alta intensidade representaram 21%; e as consideradas de intensidade moderada e leve totalizaram 4%.

Dados do mês de maio
No mês de maio, a área observada livre de nuvens foi menor, 54%. O número de alertas também foi inferior ao do mês de junho, foram 241 no total, o que correspondeu a 49,6% da área da Amazônia Legal.

Do total da área observada em maio, 88,3% dos alertas foram confirmados como desmatamento e 11,7% foram descartados. Naquele mês, 60% dos alertas correspondiam a corte raso de mata e 23% como degradação de alta intensidade.

Fonte: UOL

Brasil precisa estender prevenção e atendimento, diz ONU sobre Aids

Apesar disso, segundo levantamento da ONU, país é exemplo no combate à doença.
Contudo, programa de combate à Aids brasileiro precisa chegar a regiões distantes.

O Programa Conjunto das Nações Unidas para a Aids considera o Brasil um país modelo na prevenção e no tratamento da doença. Contudo, tanto o coordenador da ONU no Brasil, Pedro Chequer, quanto o coordenador do Programa Brasileiro de DST/Aids, Eduardo Barbosa, admitem que a região amazônica e o interior do Nordeste ainda não são atendidos como o restante das regiões.

“Esse é um desafio importante. Levar o tratamento para a Amazônia e para o interior do Nordeste. Esse, aliás, é o grande desafio para o Brasil. Com os poucos recursos que temos, nós estamos apoiando o governo para expansão do tratamento no Amazonas e na Bahia”, disse Chequer.

Barbosa destaca ainda que a distribuição de preservativos no Brasil cresceu 11% no primeiro semestre desse ano em comparação com o ano passado. “Em 2007, distribuímos cerca de 120 milhões de preservativos entre janeiro e junho. Nesse ano, já chegamos a 157 milhões”, contou.

Mesmo com esses números de prevenção e tratamento, Barbosa admite que o Brasil ainda precisa ampliar esse acesso. “O acesso ao serviço de testes é um ponto importante. Também temos que ampliar o tratamento nas regiões da Amazônia e no interior do Nordeste. E precisamos ampliar o combate ao preconceito. Temos que fazer isso para diminuir a prevalência de casos que ainda é de 0,6% [percentual de doentes em relação à população total]”, argumentou.

30 mil infecções

Em 2007, segundo a ONU, cerca de 2,7 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus HIV. Desses, 140 mil residem na América Latina. O Brasil concentra a maior população com Aids no continente, abrigando cerca de 40% dos 140 mil latino-americanos.

Segundo o governo brasileiro, cerca de 30 mil pessoas são infectadas pelo vírus HIV por ano no Brasil. Para cada 15 homens doentes, há dez mulheres. Em 1980, quando foi feito o primeiro levantamento nacional, para cada mulher com Aids, havia 26 homens com o vírus. Cerca de 25% das pessoas com a doença no país, 25% têm entre 15 e 24 anos.

O Brasil estima ter cerca de 600 mil pessoas com Aids. Dessas, 184 mil recebem tratamento anti-retroviral. As demais não usam os medicamentos porque ainda não têm necessidade.

A ONU demonstrou especial preocupação com o percentual de presidiários doentes. O estudo cita testes feitos numa penitenciária em São Paulo, onde 6% dos detentos portavam o HIV. Segundo a ONU, a falta de acesso à prevenção o tratamento na população carcerária preocupa.

Teste de Aids

O governo disponibiliza desde 2005 um teste rápido para detecção do HIV em gestantes, o que reduziu significativamente a transmissão vertical (da mãe para filho). O exame também está disponível para pessoas que estão em grupos de maior exposição à doença, como transexuais, usuários de drogas, homens que fazem sexo com homens e pessoas que se prostituem.

No ano passado, o teste, que permite saber se a pessoa está infectada em 30 minutos, foi aplicado em aproximadamente 1,7 milhão de pessoas. No primeiro semestre deste ano, 800 mil pessoas já recorreram ao exame.

Fonte: G1

Próximo presidente dos EUA deve enfrentar déficit recorde

O governo dos Estados Unidos elevou sua previsão de déficit orçamentário para 2009 de US$ 407 bilhões para o valor recorde de US$ 482 bilhões no próximo ano fiscal (outubro de 2008/setembro de 2009).

Correspondentes afirmam que a previsão apresenta um desafio para o próximo presidente americano, que deverá assumir o cargo em janeiro.

Segundo a Casa Branca, o aumento se deve em parte ao pacote de US$ 168 bilhões aprovado pelo presidente George W. Bush em fevereiro passado para estimular a economia do país.

É possível que o déficit para 2008 também supere o recorde de US$ 413 bilhões, registrado em 2004.

Com o recorde previsto para 2009, o próximo presidente americano - escolhido possivelmente entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain - pode relutar em reduzir impostos ou aumentar gastos que podem elevar o déficite ainda mais.

Em uma reunião com assessores econômicos em Washington, Obama disse: "Não foi um acidente ou uma parte normal do ciclo econômico que levou a esta situação. Há algumas decisões irresponsáveis tomadas em Wall Street e em Washington", noticiou a agência de notícias Associated Press.

McCain afirmou: "Como presidente, estarei comprometido em equilibrar o orçamento até o fim do meu primeiro mandato."

"A notícia de hoje torna este trabalho mais difícil não não deve mudar nossa determinação em tomar decisões duras", disse McCain, segundo a Associated Press.

Fonte: BBC Brasil

Índia e China deixam negociações, e Doha entra em novo colapso

Desavenças com os EUA determinaram nova interrupção das conversas.
Pascal Lamy tentaria agora preservar avanços para novo encontro em setembro.

A Rodada de Doha voltou a "morrer" nesta terça-feira (29), com a Índia e a China abandonando a sala de negociações mais uma vez - o que pode representar o colapso definitivo da Rodada de Doha, após nove dias de negociações.

Algumas delegações ainda defendem que o fim das conversas não é definitivo, pois isso já ocorreu antes. Entretanto, a representante americana Susan Schwab, com o rosto expressando decepção, disse: "Estávamos tão perto (de um acordo) na sexta-feira." O ministro de Comércio da Nova Zelândia também lamentou o fiasco, confirmando que a negociação havia acabado.

Desta vez, os dois países entraram em rota de colisão com exportadores de alimentos como os EUA a respeito de garantias para impedir a entrada em massa de comida importada, enquanto continuam a persistir as divergências sobre outras partes fundamentais do acordo.

Retomada em setembro

Agora, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, tenta agora convencer os países a preservar os ganhos da negociação de quase dez dias entre os ministros, para tentar retomar as conversas em setembro.

Desde o início das negociações nesta terça-feira havia tensão entre Índia, China e EUA por conta das salvaguardas a pequenos agricultores. Após a saída de indianos e chineses, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, permaneceu conversando com alguns ministros, incluindo Celso Amorim, do Brasil. O país tem sido responsável por tentar contornar as desavenças com outros membros e manter a negociação nos trilhos.

Busca de acordo

Mais cedo, os ministros participantes do evento em Genebra dizem que vão buscar soluções para os impasses restantes no nono dia da reunião ministerial - a mais longa da história da OMC. Mas eles admitem que o fracasso continua sendo uma possibilidade concreta.

"Se as pessoas não querem este acordo, não há um acordo melhor vindo, e é preciso considerar, se este fracassar, o que eles têm a perder", disse o comissário (ministro) europeu de Comércio, Peter Mandelson, antes de chegar para a reunião desta terça-feira.

'No fio da navalha'

Uma fonte oficial afirmou que durante a madrugada as negociações estiveram "a um minuto" de serem suspensas, mas que em seguida foi lançado um novo esforço em busca de acordo. Há a percepção de que o encontro ministerial de Genebra é a última chance de concluir o tratado antes que o processo seja atropelado pelo calendário eleitoral dos EUA e por outros fatores políticos.

Na segunda-feira, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, admitiu que as negociações prosseguem "sobre o fio da navalha". O risco também foi ressaltado pelo porta-voz da OMC, Keith Rockwell. "A situação é muito tensa, o equilíbrio é muito frágil e o resultado não é, de nenhuma maneira, certo", afirmou.


Entraves

Neste momento, o principal entrave é o chamado "mecanismo especial de salvaguardas", destinado a proteger pequenos produtores rurais de países pobres contra enxurradas de importações e quebras nos preços.

Alguns países em desenvolvimento, como Paraguai e Uruguai, são contra esse mecanismo, alegando que os priva de importantes mercados em outros países em desenvolvimento. A China, que participa de sua primeira rodada de negociações na OMC, acusou os EUA de fazerem exigências excessivas aos países pobres.

"O ponto crucial das atuais sérias dificuldades que surgiram nas negociações da Rodada Doha é que, tendo protegido seus próprios interesses, os Estados Unidos estão pedindo [aos países em desenvolvimento] um preço alto como o céu", disse o ministro chinês de Comércio, Chen Deming, na noite de segunda-feira à agência estatal de notícias do seu país, a Xinhua.

Acrescentando mais um atrito à pauta, nove países da UE (um terço do total, entre eles a influente França) exigiram na segunda-feira que o bloco negocie termos melhores para si.

Fonte: G1

Sérvia não entrará na UE até extraditar Karadzic

A União Européia decidiu que não dará andamento ao pedido da Sérvia para se juntar ao bloco até que o ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic seja extraditado para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda.

Radovan Karadzic foi preso na semana passada em Belgrado, acusado de crimes de guerra e genocídio durante o conflito da Bósnia nos anos 90.

Embaixadores dos países que fazem parte da União Européia se encontraram em Bruxelas nesta terça-feira para discutir o caso da Sérvia e, apesar de terem elogiado a prisão de Karadzic, não chegaram a oferecer ao país nenhuma perspectiva imediata de se juntar ao grupo.

Segundo o correspondente da BBC em Bruxelas Duncan Bartlett, os membros do bloco parecem estar esperando pela extradição e por outros sinais de que a Sérvia está cooperando inteiramente com o tribunal de Haia.

Acredita-se que o ex-líder sérvio possa ser extraditado para Haia ainda nesta semana. Os promotores sérvios esperam que o recurso de apelação de Karadzic contra a decisão de extraditá-lo chegue pelo correio.

Os advogados de Karadzic disseram que ele enviaria o pedido de uma cidade remota da Sérvia para atrasar o processo. A expectativa é de que uma vez que for recebido, o pedido seja rejeitado e Karadzic seja então enviado para Haia.

'Decepção'

O atual governo sérvio defende a entrada do país na União Européia e espera que a prisão de Karadzic convença os atuais membros do bloco de que a Sérvia está comprometida a lidar com os problemas deixados pelos conflitos nos Bálcãs nos anos 90.

A União Européia já disse que a prisão fará com que o processo de entrada da Sérvia ao bloco seja "mais fácil e com menos problemas".

Mas, segundo o correspondente da BBC, a Sérvia ficará provavelmente decepcionada que o encontro desta terça-feira não tenha gerado qualquer progresso imediato.

De acordo com Bartlett, o governo sérvio esperava que a UE oferecesse condições de negócios generosas como um passo em direção à entrada oficial do país ao bloco.

A Sérvia ainda gostaria de fazer um pedido formal para se juntar à União Européia até o final deste ano.

Manifestação

Nacionalistas sérvios devem realizar uma manifestação contra a prisão de Karadzic nesta terça-feira em Belgrado.

Os manifestantes estão chegando à capital de outras partes da Sérvia e também das áreas sérvias da Bósnia.

Segundo a correspondente da BBC em Belgrado Helen Fawkes, para essas pessoas Karadzic é ainda um herói de guerra e há temores de que a manifestação possa acabar em violência.

Pequenas demonstrações têm sido realizadas em Belgrado desde a prisão de Karadzic. Em algumas ocasiões, manifestantes entraram em choque com a polícia e atacaram jornalistas.

Mas os organizadores prometem que a manifestação desta terça será pacífica e afirma que cada jornalista receberá dois guarda-costas.

Fonte: BBC Brasil

Rússia alcança leito de lago mais profundo do mundo

Uma expedição russa chegou nesta terça-feira ao leito do lago mais profundo do mundo, o lago Baikal, na Sibéria.

De acordo com informações da agência oficial Itar-Tass, às 15h15 locais (3h15 em Brasília), o submarino Mir-2 tocou o ponto mais baixo do lago, a 1.680 metros de profundidade, além dos 1.637 metros que se estimava que tivesse.

Outro submarino, o Mir-1, desceu à mesma profundeza, afirmou a agência.

A finalidade da expedição é explorar o fundo do lago e colher amostras de solo para melhorar as pesquisas nos campos biológico e geológico.

O repórter da BBC James Rodgers, que acompanhou a missão, disse que a expedição procuraria também possíveis reservas de petróleo e gás – mas os cientistas russos adiantaram que não há planos de extrair combustível para preservar o ecossistema do lago.

O lago Baikal, na fronteira entre a Rússia, a Mongólia e a China, é o mais profundo e volumoso corpo de água doce do planeta.

Patrimônio mundial da Unesco, estima-se que contenha 20% da água doce não congelada da Terra, e mais de 1,7 mil espécies de plantas e animais.

James Rodgers disse que a equipe russa que mergulhou no fundo do Baikal, liderada por Artur Chilingarov, é a mesma que alcançou o fundo do Oceano Ártico em agosto do ano passado, e lá fincou uma bandeira russa.

O repórter acrescentou que, tendo em vista os sucessos recentes dos pesquisadores, "é difícil deixar escapar a conclusão de que existe um desejo de mostrar ao mundo o tipo de façanha do qual uma nova e confiante Rússia é capaz".

Fonte: BBC Brasil

Doha: Amorim pede que países sigam Brasil e 'assumam riscos'

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu nesta terça-feira que os demais sócios da Organização Mundial do Comércio (OMC) cessem as trocas de acusações e assumam riscos em nome de um acordo final para a Rodada Doha.

"Toda história tem dois lados e acho que não vale a pena dizer que a culpa é de um ou de outro. Isso não me interessa. O que me interessa é que, em uma situação como esta, é necessário fazer o que nós fizemos: assumir riscos", disse, ao chegar ao prédio da OMC, em Genebra, para o nono dia de negociações.

Segundo o chanceler, o Brasil assimiu riscos, "inclusive políticos", para contribuir com o êxito da Rodada.

"Claro que os mais ricos têm que assumir mais riscos que os outros, mas todos têm que assumir riscos agora. Não haverá tempo para assumi-los depois", argumentou.

"Se isso (a Rodada) termina agora, francamente, não vejo como poderemos retomar dentro de dois ou três meses. Isso seria uma ilusão total", afirmou.

Depois de uma longa noite de discussões, na qual a Rodada esteve a ponto de fracassar, o ministro insistiu em que o processo "continua por um fio".

Uruguai e Paraguai

Amorim defende que o problema "não é apenas de acesso a mercados de países emergentes".

"Há o outro lado também: os interesses ofensivos dos países agrícolas desenvolvidos."

O ministro considera que as exigências de Paraguai e Uruguai, seus sócios no Mercosul, são "legitíssimas", mas insiste em que se trata de um processo multilateral no qual todos precisam ceder um pouco.

Ambos países afirmaram na segunda-feira que não aceitarão um acordo que inclua o chamado mecanismo de salvaguarda, que permite a países em desenvolvimento voltar a subir tarifas frente a um aumento excessivo nas importações.

Para Amorim o centro do problema - e de uma possível solução - é o enfrentamento entre Estados Unidos, de um lado, e China e Índia, do outro.

Se esses países entram em acordo, os demais se inclinariam a flexibilizar suas posições, ele acredita.

O chanceler volta a se reunir nesta terça-feira com os ministros dos outros seis participantes-chave nas negociações (Índia, China, Estados Unidos, União Européia, Japão e Austrália), desta vez para avaliar propostas alternativas elaboradas por um grupo de altos funcionários.

Fonte: BBC Brasil

Negociações na OMC 'fracassaram', dizem fontes diplomáticas

As negociações para tentar chegar a um acordo de liberalização do comércio mundial no âmbito da Rodada Doha, teriam fracassado nesta terça-feira, de acordo com informações de fontes diplomáticas.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia pedido, ainda nesta terça-feira, que os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) parassem de trocar acusações e assumissem os riscos em nome de um acordo final para a Rodada Doha.

A reunião em Genebra era considerada decisiva para a Rodada, que foi lançada há sete anos com o objetivo de diminuir os entraves ao comércio internacional, mas foi paralisada devido a divergências sobre o nível de abertura em setores de interesse de países ricos e pobres.

Os países em desenvolvimento querem maior abertura no setor agrícola das nações desenvolvidas, incluindo a redução ou o fim de subsídios. O bloco dos países desenvolvidos pressiona por maior abertura nos setores de indústria e serviços.

A maior ameaça às negociações era até esta terça-feira a falta de consenso sobre um mecanismo de salvaguarda que permitiria aos países em desenvolvimento subir tarifas aduaneiras para se proteger de um surto de importações que possa prejudicar sua segurança alimentar.

Os Estados Unidos diziam que a China e a Índia estavam sendo exageradamente protecionistas em relação aos seus agricultores e não estavam abrindo os seus mercados à competição estrangeira. A Índia acusava os Estados Unidos de se defender apenas as melhoras no seu comércio à custa dos outros; a China, por sua vez, alegava que Washington queria um preço tão alto quanto o céu.

Durante as negociações, o Brasil chegou a aceitar a proposta apresentada pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, que foi rejeitada por alguns dos seus principais aliados no G-20, como Índia e Argentina.

Fonte: BBC Brasil