quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Tremor de terra atinge Minas Gerais
Segundo UnB, tremor teve magnitude de 3,1 graus na escala Richter.
Um tremor de terra de 3,1 graus na escala Richter atingiu a região Sudoeste de Minas Gerais, nesta segunda-feira (29). O chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Sand França, afirmou ao G1 que o abalo foi sentido nos municípios mineiros de Delta, Conquista e Uberaba.
“Nós ainda não temos uma definição exata do que provocou o tremor ou o local exato onde ocorreu o epicentro. É uma região de falhas e esses abalos podem acontecer”, afirmou França.
Segundo França, novos tremores pós-abalo podem acontecer na região, porém, geralmente, possuem magnitude menor. Técnicos da UnB devem ir para a região para investigar o local exato e o que provocou o abalo.
De acordo com a Defesa Civil de Uberaba, não há registro de feridos ou desabrigados.
Fonte: G1
Minc anuncia 12 medidas para combater desmatamento na região da Amazônia Legal
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) anunciou nesta segunda-feira 12 medidas para conter o avanço do desmatamento no país principalmente na Amazônia Legal. Para ele, há um esquema de "ecopicaretagem" nos planos de manejo em execução em Mato Grosso, Rondônia e Pará --campeões em desmatamento na Amazônia.
"Vamos fazer uma revisão nos planos de manejo nesses Estados [MT, RO e PA] porque temos uma desconfiança que ocorre uma 'ecopicaretagem'", disse Minc. O ministro se referiu à ineficiência dos planos em andamento nesses Estados.
Minc disse que ele e o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) detalharão amanhã a implantação dos planos de manejo e estímulo para os extrativistas. A idéia é criar planos de manejo específicos para os assentamentos sob responsabilidade do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), e condições para que os extrativistas evitem a exploração em áreas ambientais.
"O que a gente tem de fazer é dar sustentabilidade à reforma agrária", afirmou Minc, referindo-se aos novos planos de manejo. "O nosso objetivo aqui não é encher os cofres do Ibama. Nós queremos acabar com a impunidade. O mais importante é mudar de atitude."
Cobrança
Além das áreas de assentamentos, o governo pretende conter os avanços do desmatamento com mais rigor na cobrança de multas dos 100 maiores desmatadores da Amazônia Legal e combater os crimes ambientais a partir da contratação por concurso público de mais 3.000 oficiais ambientais federais, além de agentes e fiscais.
Segundo o ministro, o governo vai pôr em pratica o PPCDAM (Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento de Amazônia legal) que reúne vários setores do governo e reunirá o comitê interministerial (com integrantes de seis ministérios) a cada dois meses para avaliar os dados e as ações.
Minc disse ainda que está mantida a idéia de implementar um distrito florestal na rodovia 163 e realizar operações de retiradas de bois irregulares em regiões de preservação nacional.
O ministro afirmou também que o comitê que vai coordenar o Fundo Amazônia --que prevê a obtenção de recursos estrangeiros para investimentos ambientais na região-- será instalado no começo de outubro.
Segundo Minc, será intensificado o monitoramento dos planos de manejo em execução no país sob coordenação dos governos estaduais e municipais principalmente em Rondônia e Pará.
De acordo com Minc, serão criadas ainda novas barreiras em áreas de preservação ambiental, ampliada a fiscalização na BR 319 e estabelecidas oficinas de monitoramento em 12 Estados da Amazônia legal em uma parceria de vários órgãos federais para que os assentamentos locais tenham condições de obter licenças ambientais.
Fonte: Folha de São Paulo
Estudo aponta aumento de 'zonas mortas' nos oceanos
Em artigo na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, os especialistas disseram que essas áreas carentes de oxigênio estão se tornando "uma grande ameaça aos ecossistemas costeiros globalmente".
Em lugares distantes entre si como o golfo do México e o mar Báltico, a proliferação exagerada de algas - devido à abundância de dejetos orgânicos - esgota o oxigênio da água.
"Organismos marinhos são mais vulneráveis ao baixo conteúdo de oxigênio do que se reconhece atualmente, sendo os peixes e crustáceos os mais vulneráveis", disse Raquel Vaquer Suner, do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados, da Espanha.
"O número de zonas hipóxicas relatadas está crescendo globalmente à taxa de 5 por cento ao ano", disse ela.
Um estudo da qual ela participou mostra que essas "zonas mortas", que não existiam no final da década de 1970, já eram 140 em 2004.
O artigo publicado nos EUA diz ainda que o aquecimento dos oceanos, ligado às alterações climáticas globais de origem humana, podem agravar o problema das "zonas mortas", pois o oxigênio tem mais dificuldade de se dissolver na água morna.
As primeiras "zonas mortas" foram descobertas em latitudes elevadas do Hemisfério Norte, como a baía de Chesapeake (Costa Leste dos EUA) e fiordes escandinavos. Agora, elas estão aparecendo na América do Sul, Gana, China, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Portugal e Grã-Bretanha.
Até recentemente, segundo o estudo, a comunidade científica considerava que o nível de oxigênio poderia cair para 2 miligramas por litro, sem que a água do mar fosse considerada hipóxica.
Mas muitas criaturas são muito mais sensíveis. Larvas de um tipo de caranguejo do leste da América do Norte começaram a "sufocar" quando o oxigênio caía a 8,6 miligramas por litro, o que é um pouco abaixo do índice normal.
"Os limites atualmente usados...não são suficientemente conservadores para evitar a mortalidade generalizada", disseram os cientistas, sugerindo que se adote como medida a cifra de 4,6 miligramas de oxigênio por litro de água.
Fonte: Estadão
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Israel precisa se retirar de áreas ocupadas, diz Olmert
Olmert, que está enfrentando graves acusações de corrupção, renunciou ao cargo de primeiro-ministro na semana passada e está ocupando o cargo apenas como premiê interino.
Em sua entrevista ao jornal Yedioth Aharonoth para marcar o ano novo judaico, Olmert afirmou que a retirada israelense precisa incluir partes da região leste de Jerusalém, que é reivindicada pelos palestinos para ser a capital do futuro Estado.
Olmert também disse que qualquer acordo de paz com a Síria precisa incluir a retirada israelense das Colinas do Golã, área que está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O primeiro-ministro não deu maiores detalhes, mas afirmou que estava preparado para avançar mais do que os outros líderes israelenses para alcançar a paz.
"(O ex-primeiro-ministro) Ariel Sharon falou sobre custos dolorosos, mas se recusou a especificar detalhes", afirmou Olmert. "Não temos escolha a não ser especificar os detalhes."
"No final das contas, teremos que nos retirar das áreas mais decisivas dos territórios", acrescentou. "Em troca, pelos mesmos territórios que forem deixados em nossas mãos, teremos que dar uma compensação, em forma de territórios dentro do Estado de Israel."
"Temos que chegar a um acordo com os palestinos, o significado deste acordo é que, na prática, vamos nos retirar de quase todos os territórios, se não nos retirarmos de todos", disse.
Cerca de 400 mil colonos israelenses vivem em áreas ocupadas da Cisjordânia e do leste de Jerusalém. Outros 20 mil israelenses vivem na região das Colinas do Golã.
Polêmica
As declarações de Olmert causaram polêmica em Israel.
"Olmert cometeu o pecado imperdoável de revelar sua verdadeira posição a respeito de interesses nacionais de Israel no momento em que não tem nada a perder", afirmou Yossi Beilin, ex-presidente do partido israelense Meretz.
O ministro do Exterior palestino, Riyad al-Maliki, disse que as afirmações de Olmert vieram tarde demais.
"Gostaríamos de ter ouvido esta opinião pessoal quando Olmert era o primeiro-ministro, não depois de sua renúncia", afirmou. "Acho que é uma concessão muito importante, mas veio tarde demais. Esperamos que esta concessão seja dada pelo novo governo israelense."
Silvan Shalom, membro do Knesset pelo partido de oposição Likud, afirmou que, se Israel entregar a Cisjordânia e as Colinas do Golã, a segurança ficará comprometida.
"Ele (Olmert) sabe, com certeza, que logo depois da retirada dos territórios da Cisjordânia, ela será ocupada pelo Hamas e seus patrocinadores, os iranianos", disse Shalom. "O mesmo ocorrerá nas Colinas do Golã, quando os sírios e seus patrocinadores controlarem aqueles territórios."
"Já temos uma base iraniana na parte sul do Líbano. O Hezbollah e os sírios já estão lá e estão ameaçando a segurança de Israel", acrescentou. "Infelizmente, o mesmo vai ocorrer com a Cisjordânia e as Colinas do Golã."
Fonte: BBC Brasil
ONU aponta fuga de paquistaneses para o Afeganistão
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirma que quase 4 mil famílias entraram na província de Kunar, no Afeganistão.
Outros cerca de 300 mil foram forçados a abandonar suas casas por causa dos confrontos, embora o Paquistão diga que muitos conseguiram refúgio na própria região.
Militares paquistaneses lançaram uma ofensiva em Bajaur e dizem ter matado mais de 2 mil militantes.
Direção oposta
A agência de refugiados da ONU diz que a maioria dos que fugiram retornará para casa assim que os confrontos na região terminarem.
Segundo a agência, cerca de 70% das famílias são do Paquistão, mas o resto é formado por afegãos que viviam no país. No passado, refugiados afegãos cruzaram a fronteira na direção oposta.
Cerca de 4 milhões de afegãos fugiram da violência e foram procurar refúgio no Paquistão nas décadas de 80 e 90, mas mais da metade já voltou ao país de origem.
Recentemente, a agência pediu doações de mais de US$ 17 milhões para ajudar cerca de 250 mil pessoas desalojadas pelos confrontos e por inundações no noroeste do Paquisão.
Segundo a entidade, o dinheiro era necessário para a compra de barracas, cobertores e outros materiais.
Ataques
Tentativas do governo paquistanês de negociar com os militantes nas áreas fronteiriças com o Afeganistão parecem ter fracassado, de acordo com correspondentes da BBC na região.
O Paquistão sofreu uma série de ataques suicidas atribuídos a grupo militantes - incluindo um grande atentado neste mês que deixou mais de 50 mortos no hotel Marriott em Islamabad.
Militantes usam as áreas tribais como base para operações no Paquistão e do outro lado da fronteira, no Afeganistão.
Acredita-se que o Talebã e a Al-Qaeda estariam operando na região após terem sido forçados para fora do Afeganistão.
A presença dos grupos radicais nas regiões fronteiriças resultou em ataques americanos dentro do Paquistão.
Os ataques irritaram o governo paquistanês e, como resultado, houve incidentes na fronteira em que tropas paquistanesas atiraram contra helicópteros americanos por uma suposta violação de espaço aéreo.
Fonte: BBC Brasil
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Em alta, Lula 'decreta' fim da era neoliberal
neoliberal. Ao longo de sua estadia em Nova York, encerrada na quarta-feira, o presidente deu declarações que demonstraram a segurança de alguém cuja popularidade alcançou a marca recorde de 77,7% - de acordo com pesquisa do Instituto Sensus- e a confiança de um líder cujo país não foi fortemente atingido pelas mazelas econômicas que vêm assolando os Estados Unidos.
Lula disse acreditar que o período neoliberal ''está encerrado porque (a crise) demonstra que também no sistema financeiro é preciso ter seriedade, é preciso ter ética, não é apenas o cidadão comum que tem que ser ético''.
Os puxões de orelhas do líder brasileiro ao longo de sua estadia de três dias não se limitaram ao sistema financeiro. Lula também desferiu golpes contra os Estados Unidos e o presidente George W. Bush e ainda deu palpites na campanha eleitoral americana.
''O ideal é que os dois candidatos pudessem assinar uma carta ao povo americano, como a que eu assinei ao povo brasileiro em 2002, assumindo um compromisso para dar tranqüilidade ao povo americano e tranqüilidade para o mundo como um todo'', afirmou.
O presidente também procurou colocar o Brasil em um papel de protagonista no contexto internacional, capaz de exigir dos organismos multinacionais propostas para contornar a atual crise financeira.
''Eu cobrei do G8, cobrei do FMI e do Banco Mundial que estava na hora de eles se manifestarem, porque quando é um país pequeno que tem crise, todos eles dão palpite. Quando é a maior economia do mundo que entra em colapso, a gente não vê nenhum palpite deles.''
O último evento de Lula em Nova York foi uma reunião sobre a crise financeira mundial da qual participou como único representante da América Latina, ao lado de líderes como o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o premiê espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero.
Repercussão
Se à primeira vista os comentários e ações do líder brasileiro poderiam dar a impressão de meras bravatas, a mídia americana tratou as observações de Lula com destaque e até reverência.
Para o New York Times, o discurso de Lula na abertura da cúpula da ONU, no qual o presidente afirmou que "o ônus da cobiça desenfreada não pode cair impunemente sobre todos" refletiu o tom do encontro.
O Wall Street Journal destacou que Lula defendeu a criação de um sistema que previna o sistema financeiro mundial de ser vítima de futuros abusos.
O jornal também definiu o presidente brasileiro como um ''defensor do meio termo entre capitalismo e socialismo'', e, em tom menos lisonjeiro, como um líder que ''anda em uma corda bamba entre as práticas da ortodoxia econômica e o financiamento de programas sociais populistas''.
Ao passo que a mídia dos Estados Unidos deu ouvidos aos comentários de Lula, o presidente também esteve atento ao pronunciamento do líder americano, George W. Bush, mas aproveitou para criticá-lo, devido ao pouco destaque que ele deu ao tema da crise econômica em seu discurso.
"Eu lamentei porque imaginei que o presidente Bush, já que é a ultima aparição dele na sede das Nações Unidas, faria um discurso de despedida, falando um pouco da crise econômica e o que o governo americano pretende fazer", afirmou.
O líder brasileiro ainda ironizou: ''Eu, como sou defensor da autodeterminação dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, fui obrigado então a ficar quieto".
Odebrecht
Enquanto Lula estava em Nova York, a empreiteira brasileira Odebrecht se viu envolvida em uma polêmica no Equador.
O governo do país sul-americano acusou a companhia de ter cometido falhas na construção e posterior paralisação da central hidrelétrica San Francisco - a segunda maior do país - construída pela empresa - e está exigindo o pagamento de uma indenização por parte da Odebrecht.
Ao contrário do tom dirigido aos Estados Unidos, para o vizinho sul-americano o presidente reservou um tom fraterno ou, como ele próprio comparou, uma postura de irmão mais velho.
''Não tem jeito. O Brasil tem o papel de ser cobrado, porque somos o maior. Você imagina na sua casa, com seus irmãos menores, quando você morava com três, quatro irmãos, você podia estar certo, mas eles ficavam te cobrando coisas'', afirmou.
Bom humor
O presidente não deixou também de fazer piada sobre as recentes descobertas de petróleo feitas no Brasil e os investimentos da Petrobras no setor, que deverão estar na ordem de US$ 112 bilhões de dólares entre 2008 e 2012.
De acordo com o presidente, as descobertas farão do presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, o primeiro ''xeque brasileiro''.
Nos últimos dias, Lula ofereceu um retrato completamente distinto do presidente que era notoriamente avesso ao contato com a imprensa até o final de seu primeiro mandato.
Ele se mostrou bem-humorado no trato com os jornalistas e solícito em dar declarações, chegando a oferecer diariamente uma média de duas entrevistas coletivas - ainda que estas tenham sido realizadas no improviso, entre um evento e outro de sua apertada agenda e em plena calçada do hotel em que estava hospedado, o suntuoso Waldorf Astoria.
Lula retornou ao Brasil na quarta-feira à noite, onde deverá retomar a rotina dos últimos dias de subir ao palanque de diferentes candidatos governistas.
As pesquisas mais recentes mostraram também que o presidente é o melhor cabo eleitoral da política nacional, um motivo a mais para Lula estar dotado de tanto bom humor.
Fonte: BBC Brasil
FMI avalia custo da crise financeira em US$ 1,3 trilhão
O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, divulgou o novo número em uma conferência na sede do organismo e seu "número dois", John Lipsky, depois explicou o número em discurso na Califórnia.
Lipsky disse que os bancos europeus e americanos perderam entre US$ 640 bilhões e US$ 735 bilhões devido à queda do valor de seus ativos, principalmente em dólares.
Ao acrescentar os prejuízos para outras instituições, de todo o sistema financeiro, as perdas subiram para US$ 1,3 trilhão, disse.Em abril, o FMI tinha estimado o custo da crise em US$ 945 bilhões, equivalente a todo o Produto Interno Bruto (PIB) do México.
A crise financeira fez com que o FMI reduza "de forma modesta" suas perspectivas de crescimento mundial, mas esta "não impedirá em si mesma uma recuperação gradual" em 2009, disse Lipsky.
O arrefecimento econômico ocorre em todo o planeta, não só nos países avançados, disse, o que desmente a teoria de que as nações emergentes estavam de alguma forma isoladas das tribulações financeiras.
Lipsky também alertou sobre as repercussões da queda do setor imobiliário no Reino Unido, República da Irlanda e Espanha para seus próprios sistemas financeiros.
Nos Estados Unidos, há alguns sinais de desaceleração na redução dos preços dos imóveis, mas Lipsky insistiu em que a crise ainda não terminou.
São Paulo: para Lula, os efeitos da crise serão "quase imperceptíveis" no Brasil
De fato, a Bolsa e a moeda foram atingidas em cheio pela tempestade financeira. Em São Paulo, a maior praça financeira de América Latina conheceu as suas piores jornadas desde 11 de setembro de 2001. O seu principal indicador, o índice Ibovespa, sofreu uma dura queda antes de recuperar, cinco dias mais tarde, o seu nível anterior. A moeda, o real, viu acelerar-se a sua tendência à queda em relação ao dólar, que havia sido iniciada algumas semanas atrás. A divisa brasileira perdeu todos os ganhos que haviam sido acumulados desde janeiro.
Por sua vez, o movimento de "io-iô" da Bolsa não chegou a ser tão dramático. Os índices de mercado não paravam de subir desde 2004. Os seus progressos registravam o bom desempenho da economia. O índice Bovespa havia alcançado um nível recorde em maio, mas acabou sofrendo uma queda de 30%. Um grande número de valores, que até então vinham sendo artificialmente valorizados pela euforia do mercado local, estava e continua sendo excessivo. Na opinião de muitos especialistas, a crise atual oferece a oportunidade para se operar uma correção salutar dessas distorções. A Bolsa está procedendo a uma "limpeza" de si mesma. Ao apurar seus valores, ela faz com que os seus atores possam consolidar suas posições. Uma vez que as empresas cotadas, em sua maioria, apresentam uma boa saúde e se mostram resistentes, o mercado deverá recuperar aos poucos um novo vigor.
Em contrapartida, a fragilidade da moeda revela ser mais preocupante. Não faltavam aqueles que a consideravam como excessivamente valorizada, mas hoje, os mesmos lamentam a maneira como ela desmoronou, vitimada por uma fuga dos capitais. Obrigados a retirarem os ganhos obtidos no Brasil para cobrirem suas perdas em outras praças, os investidores provocaram de fato uma forte queda do real.
Este ataque evidenciou a vulnerabilidade do Brasil, que se tornou muito dependente das movimentações dos fundos especulativos no curto prazo. As quantias movimentadas por esses fundos representam o triplo do montante, ainda que muito confortável - de US$ 208 bilhões (R$ 374 bilhões) -, das reservas em divisas do país.
O crescimento do PIB havia alcançado 5,4% em 2007. Com uma projeção de crescimento de 4,6% em 2008, o produto interno bruto deverá alcançar um teto situado entre 3% e 3,5% em 2009. Essa queda deverá ocorrer se, conforme alguns observadores brasileiros estão temendo, a contração do comércio mundial provocar uma diminuição da demanda das matérias-primas e dos produtos agrícolas, e consequentemente dos seus preços.
O Brasil ampliou o leque dos seus clientes. Os Estados Unidos hoje não absorvem mais do que 14% das suas vendas, contra 24% em 2000, isso porque a China aumentou consideravelmente a sua participação (11%). Contudo, os Estados Unidos e a Europa ainda compram cerca da metade das exportações brasileiras. Caso esses dois "clientes" viessem a sofrer uma quase-recessão em seus mercados, isso prejudicaria forçosamente a balança comercial brasileira. Por enquanto, a maior parte dos especialistas segue acreditando na manutenção de uma demanda sustentada dos produtos agrícolas.
O bom comportamento dos indicadores fundamentais da sua economia justifica o prudente otimismo dos brasileiros. A inflação permanece contida por volta de 4,5%. Promovido ao status de "país seguro" pelos investidores, o Brasil tornou-se "credor" desde que as suas reservas superaram o montante da sua dívida externa pública e privada. Por sua vez, o crédito interno deverá sem dúvida sofrer um aperto, mas os bancos brasileiros apresentam uma boa saúde. A sua prosperidade reflete um dinamismo interno que vem sendo alimentado pelos investimentos das empresas e pelo consumo das famílias.
Fonte: UOL/Le Monde
Wolf: por que o plano de Paulson não foi uma verdadeira solução para a crise
Sem dúvida, a crise há muito passou do ponto em que os governos poderiam deixar o setor privado salvar a si mesmo, apenas com uma pequena ajuda dos bancos centrais. Para os Estados Unidos, o resgate do Bear Stearns foi o momento em que essa opção evaporou. Mas os eventos das últimas duas semanas e meia - os resgates do Fannie Mae e Freddie Mac, a falência do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch, o resgate do AIG, a fuga para segurança nos mercados e as decisões do Morgan Stanley e Goldman Sachs de se tornarem holdings bancárias reguladas - tornaram inevitável uma solução abrangente.
A opinião pública americana espera ação. A pergunta é se obterá a ação certa. Para responder isso, nós devemos determinar qual é o desafio do sistema financeiro americano e qual o critério para julgar como deve ser tratado.
E qual é o desafio? A resposta dada por Hank Paulson, o ativo secretário do Tesouro americano, ao anunciar na última sexta-feira seu "programa de ajuda aos ativos problemáticos", é que "por trás da fraqueza de nosso sistema financeiro atual estão os ativos hipotecários sem liquidez que perderam valor com o andamento do ajuste dos preços dos imóveis. Estes ativos sem liquidez estão sufocando o fluxo de crédito que é tão vital para nossa economia". O principal desafio, então, é considerado a falta de liquidez, não a insolvência. Ao criar um mercado para os ativos pobres, Paulson espera deter a espiral de queda de preços e falências.
Eu sugiro olharmos os eventos de forma mais ampla. A dívida americana saltou de meros 163% do produto interno bruto, em 1980, para 346%, em 2007. Apenas dois setores da economia foram responsáveis por este aumento imenso na alavancagem: os lares, cujo endividamento saltou de 50% do PIB, em 1980, para 71%, em 2000, e 100%, em 2007; e o setor financeiro, cujo endividamento saltou de apenas 21% do PIB, em 1980, para 83%, em 2000, e 116%, em 2007. Os balancetes do setor financeiro explodiram, assim como a lucratividade teórica do setor. Mas a alavancagem funciona dos dois modos.
Como as obrigações líquidas americanas para com o restante do mundo eram de apenas 17% do PIB no final de 2007, virtualmente toda esta dívida é um ativo de outra entidade doméstica e resulta em quase nada. Mas quando a dívida bruta é imensa e as condições econômicas são difíceis, as chances de muitas entidades falirem é alta. Quando as pessoas temem insolvência em massa, os emprestadores deixam de emprestar e os endividados param de gastar. O resultado pode ser a "deflação de dívida", descrita pelo economista americano Irving Fisher, em 1933, e vivenciada pelo Japão nos anos 90.
Dada a recente explosão em alavancagem, o desafio dificilmente é um de apenas preços errados de ativos hipotecários tóxicos. Muitas pessoas e instituições fizeram apostas alavancadas que agora azedaram. A dívida delas não pode ser paga. Os credores estão respondendo de acordo.
Agora, vamos ao critério a ser usado para julgar a intervenção. Primeiro, ele lidaria com a ameaça sistêmica. Segundo, minimizaria os danos aos incentivos. Terceiro, ocorreria com custo e risco mínimos para o contribuinte. Além disso, seria consistente com as idéias de justiça social.
O problema fundamental com o esquema de Paulson, da forma como foi proposto, é que não é nem necessário e nem uma solução eficiente. Não é necessário, porque o Federal Reserve (o banco central americano) é capaz de administrar a falta de liquidez por meio de suas muitas operações de emprestador de último recurso. Não é eficiente, porque só pode lidar com a insolvência por meio da compra de ativos podres por um preço muito acima de seu valor verdadeiro, garantindo assim grandes perdas para os contribuintes e fornecendo um resgate ilimitado aos investidores mais irresponsáveis.
Além disso, esses ativos não têm liquidez precisamente por serem muito difíceis de avaliar. O governo corre o risco de encontrar seus cofres repletos de quantidades imensas de títulos podres acima do preço mesmo tentando o contrário. Também são questionáveis os poderes ilimitados para o Tesouro, apesar de mais no propósito do que nos fundamentos. Um fundo desses deve ser operado profissionalmente, sob supervisão independente. Finalmente, se o governo americano for resgatar investidores incompetentes, ele certamente deve também fornecer ajuda aos mutuários pobres e frequentemente desinformados.
Mas, acima de tudo, um esquema para lidar com a crise deve ser capaz de consertar a descapitalização que se avulta no sistema financeiro do modo mais focado possível.
A forma mais simples de recapitalizar as instituições é as forçando a aumentar o patrimônio e suspender os dividendos. Se isso não funcionar, poderia haver conversões forçadas de dívida em patrimônio. A atração da troca dívida-patrimônio é de que criariam perdas aos credores, o que é essencial para a saúde a longo prazo de qualquer sistema financeiro.
A vantagem desses esquemas é que não exigiriam nenhum centavo de dinheiro público. O revés é que provocariam perturbação e seriam altamente impopulares: as instituições bancárias teriam de ser avaliadas, um momento em que as entidades subcapitalizadas teriam de adotar uma das formas de melhorar suas posições de capital.
Se, como parece plausível, um esquema que imponha tamanha dor ao sistema financeiro for veementemente rejeitado, a próxima melhor alternativa seria a injeção, pelo governo, de ações preferenciais nas instituições descapitalizadas, segundo a proposta de Charles Calomiris, da Universidade de Columbia. Isso seria um resgate, mas um que restringiria o comportamento dos beneficiários, e não um pagamento de dividendos. Isso seria muito melhor do que despejar benefícios aos indignos, por meio da compra em massa de papéis podres valorizados além do preço.
Então o que eu concluo? Sim, pode haver espaço para intervenção no mercado de ativos pobres. Mas esta é uma forma cara e ineficaz de resolver o profundo desafio atual. O que é necessário, ainda mais, é uma forma clara e eficaz de desalavancar e recapitalizar o setor financeiro, idealmente sem o uso de dinheiro do contribuinte. Se esse dinheiro for usado, ele também deve ser injetado da forma mais cuidadosa e controlada possível. Uma ação abrangente é essencial, como decidiu Paulson. Mas deixem que os Estados Unidos não tenham pressa para que possa acertar nessa ação abrangente.
Fonte: UOL/Financial Times
Demanda do etanol no país vai crescer 150% em dez anos, diz EPE
Investimentos para atender a demanda chegarão a US$ 25 bilhões.
O Brasil vai viver um "boom" de etanol nos próximos dez anos, quando a demanda pelo produto vai crescer 150%, passando de 25,5 bilhões de litros, em 2008, para 63,9 bilhões de litros, em 2017.
Para atender a demanda, serão necessárias 246 novas usinas, sendo que 46% já estão em construção, e um investimento de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões. O cenário foi traçado nesta quarta-feira (24) pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que classificou o etanol como uma "jóia da coroa", ao lado do pré-sal.
"O Brasil está caminhando para ser uma potência do ponto de vista energético porque tem o pré-sal que vai tornar o Brasil um grande exportador de petróleo e o etanol que faz dele um exportador e um produtor de combustíveis limpos. Então, sem dúvida alguma, o etanol é uma ‘jóia da coroa’, ao lado do pré-sal", ressaltou.
Aumento da frota
De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia, mais 14 milhões de veículos serão adicionados à frota brasileira em dez anos. E, se hoje 30% da frota de 23,2 milhões de veículos são de carros flex, a projeção é que esse índice chegue a 73% de 37 milhões de veículos em 2017.
"O flex fuel dá poder ao consumidor. Hoje, ele vai na bomba e escolhe se vai botar etanol ou gasolina. Hoje, 75% desse conjunto de carros flex fuel abastecem com etanol. Só 25% escolhem gasolina", explica Tolmasquim.
A perspectiva é que, em 2017, 80% de todos veículos de passeio serão abastecidos por etanol. Para que abastecer com álcool seja vantajoso para o consumidor, é necessário que o preço do litro custe até 70% do preço da gasolina. A média nacional hoje, segundo a EPE, é de 59%.
Crescimento 'forte'
"A perspectiva de crescimento da demanda é muito forte. O etanol é muito atrativo para o investidor. Mesmo o barril de petróleo chegando a US$ 75, que é o piso que nós acreditamos que pode chegar, o etanol ainda é competitivo. Portanto, eu acredito que haverá muito investimento e que essa crise internacional não afetará essa perspectiva boa de expansão", explicou.
Já quanto à exportação, a expectativa é que o volume negociado com outros mercados duplique nos próximos dez anos, passando dos atuais 4,2 bilhões para 8,3 bilhões de litros em 2017. Nesse cenário, os Estados Unidos, hoje o principal comprador, perderão espaço para o Japão, cuja demanda pelo etanol deve representar 36,2% das exportações.
Fonte: G1