terça-feira, 1 de julho de 2008

Lula pede que América do Sul tome precauções contra crise e especulação

Tucumán (Argentina), 1 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje aos chefes de Estado sul-americanos para tomarem precauções diante da crise mundial de alimentos e energia, além de se precaverem contra a especulação, para não acabarem importando problemas gerados nos Estados Unidos e na Europa.

"Precisamos tomar cuidado e debater sobre essas questões", disse Lula em seu discurso no plenário da 35ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada hoje em Tucumán (Argentina).

Lula se queixou da "falta de clareza" existente sobre as razões da crise mundial de alimentos, "que ainda não foi bem explicada pelos países ricos".

O presidente disse que essa crise tem certas "particularidades", pois os "povos pobres estão comendo mais e coisas que não podiam comer há nove anos", algo que "desafia" os países sul-americanos a "produzirem mais alimentos".

Desse ponto de vista, Lula disse que a oferta insatisfatória em matéria de alimentos será, a longo prazo, uma solução para o desenvolvimento dos países agrícolas da região.

"O que está se tornando grave é que há muita coincidência entre a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos e as perdas que envolveram os bancos europeus e que em nenhum momento assumiram responsabilidades. Parecia que não tinha crise e que os bancos centrais europeus não haviam perdido dinheiro", disse Lula.

O presidente destacou que, apesar do que se esperava, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) "não fez um ajuste na taxa de juros, pois possivelmente os EUA querem utilizar o preço baixo do dólar para compensar seu déficit comercial".

"Temos que ter cuidado para (evitar) que uma crise que está a quilômetros se transforme em uma crise nossa", advertiu Lula.

Lula afirmou que os bancos centrais europeus perdem "milhões de euros", mas que se essa situação acontecesse na América do Sul, "enviariam 500 organizações internacionais para intervir".

"Temos que discutir estas questões porque os custos de inflação em alimentos serão recebidos por nossos países, com crises que depois derivam em missões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Já conhecemos os resultados: recessão, desemprego e diminuição na qualidade de vida das pessoas", disse Lula.

O presidente disse que o Mercosul, como região produtora de energia e alimentos, deveria investigar a especulação nos mercados de futuro, que faz com que os preços futuros dos bens básicos impactem nos atuais valores desses produtos.

"Também é preciso investigar a especulação com o petróleo, que tem um alto impacto no custo da agricultura, próximo a 30%", afirmou.

Lula, que assume hoje a Presidência semestral do Mercosul, antecipou que apresentará todas essas questões na próxima reunião do Grupo dos Oito (G8, grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia), que acontecerá no dia 7 no Japão.

"Pedimos que os países ricos nos tratem com o mesmo respeito e atenção que nós damos", concluiu.

Fonte: UOL

Produtores de alimentos não podem ser culpados por crise, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira na Argentina, onde participa da cúpula do Mercosul, que os países da América do Sul, grandes produtores e de alimentos e de energia, devem estar atentos para que não terminem sendo responsabilizados pela instabilidade econômica nos países desenvolvidos.

"Há muita coincidência entre a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos, que envolve bancos europeus, e a situação atual", disse Lula, diante dos presidentes do Mercosul, além dos sócios do bloco, Chile e Bolívia.

"E até agora o FMI não deu um palpite de como os Estados Unidos devem fazer para consertar sua economia."

"Temos que ter cuidado para que eles não joguem com essa crise da inflação dos alimentos. Ou vamos ver logo, logo, o FMI vindo aqui e já sabemos qual é o resultado – recessão, desemprego. Já vimos essa situação".

Lula disse que "estranhamente", ao contrário do esperado, os Estados Unidos não fizeram ajuste na sua taxa de juros para cuidar de sua própria economia.

O banco central americano (Federal Reserve) vinha cortando os juros até a semana passada, quando manteve a taxa estável em 2% ao ano.

"Temos que tomar cuidado para que essa crise que estava a oito mil quilômetros não seja uma crise nossa", disse.

Especulação

O presidente Lula voltou a dizer que o problema na discussão sobre a alta de alimentos é a especulação das commodities no mercado financeiro, não o aumento da demanda no mundo em desenvolvimento.

"Queira Deus que a cada dia um chinês mais possa estar comendo e que possamos vender mais nossos alimentos", disse. Segundo ele, hoje especula-se com a produção de petróleo – que não diminuiu, disse – e de alimentos – onde, ressaltou – especula-se com os preços dos grãos no mercado futuro.

O presidente Lula receberá, nesta terça-feira, a presidência temporária do Mercosul, que exercerá durante os próximos seis meses.

Ele voltou a dizer que o Brasil "há muito tempo não enfrentava um bom momento como esse".

"Digo aos meus ministros, não me peçam para adotar medidas que possam prejudicar os avanços que nosso povo está tendo. Isso não vou fazer".

Lula também mandou recado à Argentina, que impôs barreiras às exportações de seus grãos – principalmente soja.

"Temos que ter cuidado porque o preço da soja, que hoje está alto, não sirva para que os empresários nos convençam para não entrar (na Rodada de Doha) Porque o preço sobe, mas também desce", disse Lula. "E é preciso ter clareza do que queremos, de como podemos avançar, como Mercosul".

Biocombustíveis

Ao falar do encontro que será realizado no Brasil em novembro sobre os biocombustíveis – algumas vezes tratados como vilões pelos países ricos por gerar pressão sobre os alimentos, Lula disse que alguém ainda precisa ainda convencê-lo de que os biocombustíveis geram fome e que não trocará "estômago por um tanque de combustíveis".

"Mas nessa questão da inflação e alimentos, nunca estivemos tão perto de resolver nossos problemas. Queremos que os países ricos nos tratem com respeito."

Antes do discurso, Lula teve uma reunião a sós com a presidente argentina, Cristina Kirchner. Ela pediu que ninguém estivesse presente, além do tradutor.

Na conversa, esperava-se que Cristina pedisse maior fornecimento de energia ao Brasil e que Lula criticasse as barreiras impsotas pela argentina às exportações de trigo para o mercado brasileiro.

Participam da reunião, os presidentes de Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela. O Paraguai enviou um representante do presidente atual Nicanor Duarte Frutos, que deverá tomar posse como senador nesta terça-feira.

Fonte: BBC Brasil

Em reunião, Cristina deve pedir energia mais barata ao Brasil


A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pretende pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião bilateral que terão nesta terça-feira, a redução nos preços e a ampliação da quantidade de energia enviada pelo Brasil ao mercado argentino.

Cristina Kirchner deve pedir ainda que o Brasil diversifique as fontes de energia, o que em tese poderia tornar o envio mais barato.

Nos últimos dias, assessores do Ministério do Planejamento da Argentina informaram o governo brasileiro que a presidente queria discutir o assunto com Lula, o que foi confirmado à BBC Brasil por negociadores do Brasil.

A reunião entre os dois presidentes será realizada em San Miguel de Tucumán, antes do encontro dos líderes do Mercosul e países convidados – Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela e ainda Bolívia, Chile e Equador.

Socorro

O Brasil socorreu a Argentina em diferentes ocasiões no inverno do ano passado e em maio deste ano o país se comprometeu a enviar energia ao país vizinho até agosto, durante o período de baixas temperaturas e maior consumo.

Em maio, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que o acordo então assinado entre os presidentes Lula e Cristina previa fornecimento inicial de 800 MW (megawatts) podendo chegar a 1.500 MW.

Lobão afirmou ainda, naquela época, que a Argentina se comprometia em pagar metade da energia fornecida e devolver o restante – sem data marcada. Os preços não foram revelados naquela ocasião. Mas, segundo especialistas, a Argentina estaria pagando preço de mercado.

Agora o governo Kirchner estaria tentando aumentar a quantidade de energia que pode ser enviada e reduzir o preço.

O país enfrenta escassez energética e determinou cortes neste inverno, segundo a imprensa argentina, para as empresas que estão na lista das que podem ter o fornecimento interrompido sem provocar problemas no seu ritmo de produção.

A Argentina depende ainda do gás boliviano, e Cristina deve aproveitar o encontro do Mercosul também para discutir o assunto com o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Inflação

Além de energia, outro assunto que poderá ser tratado entre Cristina e Lula será a alta dos preços – principalmente, dos alimentos.

Os dois países têm enfrentado aumentos, embora no caso da Argentina a alta seja maior.

A inflação foi um dos assuntos que dominaram a primeira etapa da reunião do Mercosul entre ministros e outras autoridades da área econômica da região.

Todos eles, segundo negociadores presentes, declararam "preocupação" com a alta mundial de preços, principalmente de alimentos.

O governo argentino vive um momento delicado desde que o setor rural entrou em greve contra o aumento de impostos às exportações de grãos, anunciado em março. O assunto está em debate no Congresso Nacional.

Cristina pretende, segundo a imprensa argentina, pedir apoio dos presidentes do Mercosul a esta medida, alegando que sua prioridade é a mesa dos argentinos e tentar reduzir o impacto dos preços internacionais.

No entanto, nos bastidores da reunião de cúpula, negociadores brasileiros, uruguaios e paraguaios mostram pouca simpatia pela medida, que representaria uma barreira dentro do próprio bloco.

Fonte: BBC Brasil

Mugabe rejeita governo de unidade nacional

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, rejeita a proposta de formação de um governo de unidade nacional com a oposição nos moldes do formado no Quênia, segundo declarou nesta terça-feira um de seus porta-vozes.

"Quênia é o Quênia, Zimbábue é Zimbábue", disse George Charamba em um encontro de líderes da União Africana no balneário egípcio de Sharm e-Sheik.

"Temos nossa própria história de diálogo e de resolver impasses políticos de nossa maneira."

"A saída será definida pelo povo do Zimbábue sem interferência externa", disse ele, que afirmou que as críticas internacionais ao processo que reelegeu Mugabe "lembram um tempo em que o homem branco reinava supremo no Zimbábue. E esse período acabou para sempre".

Charamba disse que o Ocidente "pode se enforcar mil vezes".

Pressão diplomática

Como candidato único, Mugabe foi declarado o vencedor do pleito e assumiu um novo mandato no último domingo, gerando uma onda de críticas internacionais questionando a lisura do processo eleitoral.

A comissão eleitoral do país disse que Mugabe recebeu 85,5% dos votos válidos, mas observadores da própria União Africana disseram que o pleito não atingiu os padrões da organização para eleições democráticas.

Robert Mugabe foi convidado e deve falar em um encontro de líderes da União Africana no balneário egípcio de Sharm el-Sheik que termina nesta terça-feira. A crise no Zimbábue está sendo o assunto principal do evento.

Correspondentes afirmam que se espera que os líderes africanos pressionem Mugabe a negociar com a oposição. Nos bastidores, é grande a pressão diplomática para a formação de um governo de unidade nacional.

Sanções

Entretanto, é baixa a possibilidade de que a ata final do encontro mencione sanções ou que deixe explicitamente de reconhecer o governo de Mugabe.

Isso porque vários países africanos divergem quanto à profundidade das medidas e da pressão que poderiam ser adotadas sobre o regime Mugabe.

O presidente do Gabão, no cargo desde 1967 (o presidente africano a mais tempo no poder), disse que Mugabe deve ser aceito como o presidente eleito do Zimbábue.

Robert Mugabe, que tem 84 anos de idade e está no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, é tido como um dos maiores nomes do continente na luta contra o colonialismo europeu.

Analistas acreditam que líderes africanos relutam em tomar posições que possam ser interpretadas pela opinião pública de seus países como demasiadamente pró-européia.

Mesmo assim, alguns líderes já condenaram a reeleição de Mugabe.

O presidente de Serra Leoa, Ernest Koroma, disse acreditar que “o povo do Zimbábue teve negado seu direito democrático”

O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu nesta segunda-feira para que a União Africana suspenda o presidente do Zimbábue do bloco e defendeu que sejam enviadas tropas ao país para garantir que sejam realizadas eleições "livres e justas".

Também na segunda-feira, os Estados Unidos declararam desejar que o Conselho de Segurança da ONU imponha um embargo de venda de armas contra o Zimbábue.

Mas a aprovação de uma resolução nesse sentido é considerada improvável já que Rússia, China e África do Sul devem se opor a qualquer medida além da resolução já aprovada, que condena a violência contra a oposição no país.

EUA, Austrália e alguns países europeus impõe sanções limitadas ao Zimbábue, mas existe o temor de que medidas econômicas mais duras afetariam em particular a população do país, que já enfrenta uma das maiores inflações do mundo.

O chefe da agência de refugiados da ONU, Antonio Guterres, alertou que, se os países africanos não chegarem a uma solução para a crise, as conseqüências para todo o sul do continente podem ser bastante sérias.

Fonte: BBC Brasil

China negocia com representantes do Dalai Lama


Enviados do líder espiritual tibetano Dalai Lama se encontram a partir desta terça-feira com representantes do governo da China em Pequim para discutir a questão da autonomia do Tibete.

O objetivo do diálogo é aliviar as tensões após os violentos protestos contra a dominação chinesa que ocorreram no Tibete e em outras províncias em março.

O governo da China deu poucos detalhes sobre o encontro e não chegou a revelar exatamente o horário, o local ou a agenda das discussões.

Em uma declaração pública, o Dalai Lama pediu aos enviados Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen que atinjam “progresso tangível” nos dias de negociações.

“A vossa santidade, o Dalai Lama, instruiu os enviados para que façam esforços para trazer progresso tangível, para aliviar a difícil situação dos tibetanos na terra deles”, dizia a declaração.

Os enviados chegaram à capital chinesa na segunda-feira para participar do encontro que se estenderá até quarta-feira.

A China ainda não expressou formalmente quais são as suas expectativas a respeito do encontro.

Conversas

Autoridades da China e representantes do governo tibetano no exílio conversaram informalmente em maio, no que foi visto como um esforço de tolerância por parte de Pequim para acalmar a tensão causada pelos protestos junto à opinião pública internacional.

Na época, foi estabelecido que as negociações formais seriam retomadas, e a atual rodada já é a continuação oficial de um esforço de entendimento que começou em 2002.

A retomada do diálogo sofreu atraso de várias semanas porque a prioridade do governo era lidar com a situação de emergência causada pelo terremoto que abalou a província de Sichuan em 12 de maio.

Pequim acusa o Dalai Lama de ter interesses secretos separatistas e de ter orquestrados os protestos que resultaram em confrontos violentos em março.

O líder budista nega as alegações e diz que busca apenas lutar por uma maior autonomia para a região.

A Secretária de Estado norte-americana, Condolezza Rice, pediu à China que participe sinceramente do diálogo com o Dalai Lama.

“Nós acreditamos que ele é uma figura positiva para lidar com a difícil questão do Tibete”, disse Rice em visita a Pequim.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que chegou a ameaçar boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos por causa do Tibete, disse que ele acredita que o diálogo está “progredindo bem”.

“Se eles continuarem a progredir e se o Dalai Lama e o presidente da China reconhecerem esse progresso, então todos os obstáculos para a minha participação (na cerimônia) estarão suspensos”, afirmou Sarkozy.

Confrontos

A inquietação no Tibete teve início no dia 10 de março, aniversário de um levante histórico dos tibetanos contra a dominação chinesa.

Inicialmente, monges budistas promoveram passeatas pacíficas na capital Lhasa que se tornaram violentas após o dia 14 de março e se espalharam para outras províncias onde há chineses de etnia tibetana.

O governo da China afirma que pelo menos 19 pessoas morreram, mas o governo do Tibete no exílio afirma que a repressão das forças de segurança chinesas resultou em dezenas de mortes. Foram os piores confrontos dos últimos 20 anos.

Na semana passada, as autoridades da China reabriram o Tibete para a entrada de turistas estrangeiros, porém o acesso de jornalistas permanece restrito.

Autoridades dizem que 116 pessoas permanecem detidas por causa dos protestos, porém grupos de direitos humanos como a Anistia Internacional estimam que mil tibetanos sumidos desde os confrontos estejam sob custódia.

Fonte: BBC Brasil

Presidente da Polônia diz que não assina Tratado de Lisboa


O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, afirmou nesta terça-feira que "não terá sentido" para ele assinar o Tratado de Lisboa, que prevê reformas na União Européia (UE), mesmo que o Parlamento de seu país tenha ratificado o documento em abril.

O documento foi rejeitado em referendo na República da Irlanda no mês passado e, para ser válido, tem que ser ratificado por todos os 27 países membros da UE.

O Tratado de Lisboa foi criado para, supostamente, facilitar o processo decisório na UE depois da ampliação do bloco, criando um novo presidente e um coordenador de Assuntos Externos.

Kaczynski, um conservador que há muito se opõe ao tratado de reforma, fez sua declaração em entrevista ao jornal polonês, Dziennik.

O correspondente da BBC na capital polonesa, Varsóvia, Adam Easton, disse que os comentários de Kaczynski não causam surpresa já que ele se opõe a uma maior integração européia.

Segundo Easton, o presidente polonês prefere que o Tratado de Nice - que governa hoje a forma como a UE opera e dá à Polônia um peso desproporcional dentro do bloco - vigore por mais tempo.

Rejeição

Kaczynski parece ter se unido ao presidente da República Checa, Vaclav Klaus, ao se opor abertamente à ratificação do Tratado de Lisboa. O presidente da Alemanha, Horst Koehler, também resolveu adiar a ratificação, à espera de que o mais alto tribunal de seu país decida questões legais sobre a aprovação do tratado.

A situação deixa em situação delicada a França, que assume nesta terça-feira, em cerimônia no Arco do Triunfo, em Paris, a Presidência rotativa semestral do bloco.

A Eslovênia vinha ocupando o cargo até agora.

Sarkozy

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que "alguma coisa não está certa" com a UE. Ele advertiu que os seus cidadãos podem estar perdendo a fé na instituição.

"A Europa preocupa as pessoas e, pior do que isso, eu acho, é que pouco a pouco nossos cidadãos estão se perguntando se, no final das contas, o nível nacional não está melhor equipado para protegê-los do que o nível europeu", acrescentou, dizendo que este é "um passo para trás".

"A primeira prioridade é identificar o problema com os eleitores irlandeses", disse Sarkozy.

O presidente francês viaja para a capital irlandesa, Dublin, no próximo dia 11, para ter um contato com o eleitorado local.

Os líderes da UE devem se reunir em outubro para ouvir do primeiro-ministro irlandês uma sugestão de como avançar depois que seus eleitores votaram pelo "Não".

A França formulou planos ambiciosos para imigração, meio ambiente, agricultura e defesa para a pauta de sua Presidência.

Fonte: BBC Brasil

Na Presidência da UE, França quer restringir imigração


A França assume a Presidência rotativa da União Européia (UE) nesta terça-feira com a intenção de conseguir um acordo para endurecer a política do bloco em relação à imigração - tema que desperta grande atenção na América Latina.

O presidente da França, Nicolás Sarkozy, quer deixar sua marca durante os seis meses que estará à frente da UE e uma de suas prioridades é aprovar um "pacto" sobre imigração entre os 27 países do bloco.

Sarkozy quer que o acordo proíba a regularização maciça de estrangeiros sem documentação apropriada como fizeram Espanha e Itália na última década.

A proposta, que será detalhada nos dias 7 e 8 de julho durante uma reunião ministerial em Cannes, na França, também busca reforçar o controle de fronteiras para evitar a chegada de imigrantes ilegais ao bloco.

"A França, ou a Europa, não vão aceitar toda a miséria do mundo", disse Sarkozy na segunda-feira, repetindo uma expressão do ex-primeiro-ministro da França, Michel Rocard.

Em 1990, Rocard disse uma frase semelhante, mas acrescentou que a França deveria "saber assumir fielmente sua responsabilidade" na questão migratória.

Os planos franceses para a UE poderiam irritar ainda mais os países latino-americanos, que protestaram contra uma recente diretriz européia que facilita a expulsão de estrangeiros ilegais.

Outras prioridades de Sarkozy para a UE, como energia, meio ambiente, agricultura e defesa enfrentam obstáculos internos. A imigração é a área em que ele pode conseguir resultados rápidos.

Olivier Louis, especialista do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), acredita que a imigração é um dos planos de Sarkozy menos afetados pelo "não" que os irlandeses deram em referendo, no mês passado, ao Tratado de Lisboa, um projeto de reforma do bloco.

"A idéia (da França) é encontrar formas de explicar aos europeus que a Europa faz coisas úteis para eles, protege-os e leva em conta suas inquietações", explicou.

"E a imigração é uma inquietação em muitos países europeus, não apenas na França", acrescentou.

Outro objetivo de Sarkozy é ampliar para o restante da Europa a política francesa de "imigração seletiva" para aumentar a entrada de profissionais qualificados estrangeiros no país de maneira legal e evitar a chegada de imigrantes não qualificados.

O presidente francês pretende ainda lançar as bases de uma política comum de asilo político que reduza as diferenças nos 27 países da UE em relação ao acolhimento de refugiados.

Espanha

Sarkozy deve ainda superar algumas divergências com a Espanha para aprovar seu "pacto migratório". Madri regularizou mais de 600 mil imigrantes sem documentos apropriados em 2005 e agora se nega a abrir mão dessa opção.

Na semana passada, uma reunião do primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, com o primeiro-ministro francês, François Fillon, acabou sem um acordo definitivo sobre o assunto.

A Espanha já conseguiu diluir as pretensões francesas sobre imigração, ao lançar a idéia de um "contrato de integração" estabelecendo requisitos culturais e de conhecimento do idioma para os novos imigrantes.

Apesar disso, o governo espanhol também tem se mostrado disposto a estabelecer novas regras européias sobre imigração e defendeu a chamada "diretiva do retorno" aprovada recentemente pelo Parlamento europeu.

A diretiva determina que estrangeiros em situação irregular na União Européia podem ser detidos até 18 meses antes de serem deportados.

"Novas polêmicas"

Os países latino-americanos se queixaram da "diretiva de retorno", e analistas e diplomáticos acreditam que a eventual aprovação das propostas de Sarkozy pode provocar novas polêmicas.

"Se percebe uma tendência muito restritiva por parte dos países europeus, e todas essas diretivas vão nesse sentido", comentou um embaixador sul-americano em Paris que pediu para não ser identificado.

"Conhecida a direção que a UE seguirá adotando, não vale a pena brigar por 50 anos. É preciso resolver os problemas de fundo", disse o diplomata.

Georges Couffignal, diretor do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Sorbonne, disse à BBC que "é muito provável" que haja mais desencontros entre a União Européia e a América Latina por conta do assunto imigração.

Segundo Couffignal, ainda que a Europa receba mais imigrantes de outras regiões, para os latino-americanos "é mais uma questão de princípios, já que a América Latina foi uma terra que recebeu imigração européia" no passado.

"É difícil para os latino-americanos compreender que as portas lhes sejam fechadas", afirmou.

Fonte: BBC Brasil

Mercosul rejeita novas regras de imigração da UE


Por sugestão do governo brasileiro, os presidentes dos países do Mercosul vão divulgar nesta terça-feira uma declaração conjunta "rejeitando" as novas regras de repatriação de imigrantes da União Européia (UE).

Inicialmente, a declaração se limitaria a falar em "preocupação" do Mercosul com as novas diretrizes, aprovadas no último dia 18 pelo Parlamento Europeu, que criminalizam a imigração ilegal.

No entanto, segundo negociadores brasileiros e argentinos, por sugestão do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, os presidentes farão uma declaração mais enfática, "rejeitando" as novas regras da União Européia.

As novas diretrizes estabelecem detenção por um período máximo de 18 meses, antes da expulsão do imigrante, além da proibição do seu retorno ao território europeu por um período de cinco anos.

"Unidade"

A declaração conjunta, definida nesta segunda-feira, pretende ainda mostrar "unidade" do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai) e dos sócios e convidados do bloco – Chile, Bolívia e Equador.

A Venezuela, que também participa da reunião de líderes do Mercosul e países convidados, realizada em San Miguel de Tucumán, na Argentina, depende apenas das aprovações dos congressos do Brasil e do Paraguai para se tornar membro pleno do bloco.

A preocupação em demonstrar "unidade" no Mercosul ocorre num momento em que a região mostra-se dividida em relação às discussões sobre a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial.

De um lado, estão Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile e Peru. De outro, Argentina, Venezuela e Bolívia, que defendem maior proteção às suas indústrias e maiores compensações a seus produtos para abertura de seus mercados à produção dos países desenvolvidos.

Passaporte

Além desta declaração de "rejeição" à nova política de imigração da UE, os presidentes vão assinar uma medida que determina o fim da exigência do uso de passaporte para os que vivem na América do Sul e viajam pela região.

Esta medida também foi uma iniciativa brasileira, apesar de a presidência do bloco ter ficado durante os últimos seis meses com a Argentina.

Por enquanto, por questões burocráticas de cada país, a medida não incluirá Venezuela, Guiana e Guiana Francesa.

Nas reuniões realizadas nesta segunda-feira, autoridades da área econômica avançaram ainda nos últimos detalhes para a eliminação do dólar das transações comerciais entre Brasil e Argentina. A medida entra em vigor em setembro.

Os presidentes devem anunciar ainda a criação de um fundo que servirá de garantia para que pequenas e médias empresas tenham respaldo financeiro quando quiserem empréstimos nos bancos públicos e privados dos países da região.

A reunião termina nesta terça-feira. Segundo a imprensa argentina, o presidente da Bolívia, Evo Morales, confirmou que jogará uma partida de futebol em Tucumán.

É esperado ainda que Morales e o colega venezuelano Hugo Chávez realizem um comício juntos na noite de terça-feira, quando outros líderes da região, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já deverão ter embarcado de volta a seus países, de acordo com a programação oficial.

Fonte: BBC Brasil

Morales perde nova eleição regional na Bolívia


Resultados eleitorais preliminares indicam que o presidente da Bolívia, Evo Morales, perdeu mais espaço político no país, se se confirmar a vitória da oposição no Departamento (Estado) de Chuquisaca neste domingo.

Pesquisas de boca-de-urna citadas pelas redes de TV ATB e Unitel indicam que a opositora Savina Cuéllar obteve 56% dos votos na corrida para a Prefeitura (governo) de Chuquisaca, à frente dos 40% alcançados pelo rival e candidato governista, Walter Valda.

Entretanto, o Departamento ficou praticamente dividido, porque, embora a candidata tenha ganhado em Sucre, capital de Chuquisaca, na área rural o triunfo foi para o candidato de Morales.

Os resultados oficiais da disputa eleitoral serão conhecidos na terça-feira, dia 1º de julho, segundo informou o presidente da Corte Nacional Eleitoral, José Luis Exeni.

"Evo Morales perde não somente um prefeito (governador), mas o controle político de um território, que se soma aos que já estão na oposição", disse à BBC o analista político Jorge Lazarte.

Para ele, a oposição demonstrou que "só pode ganhar estando unida". "A oposição junta é mais que o MAS (partido oficial) no país."

Cenário político

A eleição de Cuéllar complica o cenário político de Evo Morales, porque dá à oposição o controle de sete das nove Prefeituras do país.

Quatro dessas regiões já se declararam autônomas em referendos regionais que foram desconhecidos pelo governo.

Neste domingo, Cuéllar reforçou sua promessa eleitoral de promover autonomia para o Departamento, e de buscar um referendo nacional que decidiria onde devem residir os três poderes do Estado.

Cuéllar, indígena, vendedora de roupas, precisa ser designada oficialmente pelo presidente, como a Constituição do país estabelece. Morales já havia adiantado que reconhecerá o vencedor das eleições em Chuquisaca.

Em 2005, ela foi eleita como membro da Assembléia Constituinte pelo MAS de Morales. Depois, se alinhou à demanda de Sucre de reivindicar a sede dos poderes Executivo e Legislativo, que hoje funcionam em La Paz.

Após a votação, a candidata deu uma entrevista coletiva ao lado de líderes da oposição conhecidos por suas críticas duras a Morales. Cerca de metade de seu discurso foi feito em seu idioma nativo, o quechúa, e teve de ser traduzido pelas redes de TV.

Ela pediu a Morales que considere a opinião dos nove Departamentos da Bolívia. "Ele (Morales) é como um pai, tem de reconhecer todos os filhos, porque não se pode discriminar."

Fonte: BBC Brasil

Inflação eleva pressão sobre emergentes, diz 'FT'

Uma extensa reportagem do diário financeiro britânico Financial Times analisa nesta terça-feira como o recente repique de inflação mundial está afetando os mercados emergentes, como o Brasil, a China e a Índia.

A alta dos preços e a conseqüente elevação dos juros para combater a inflação causam desaceleração econômica e colocam em risco o que o jornal chama de "história de sucesso" dos países emergentes, que até então vinham crescendo descolados da dinâmica verificada nas principais economias ocidentais.

Segundo o FT, os preços nos emergentes subiram mais intensamente que nos países industrializados: as taxas bateram 7,7% na China e 11,4% na Índia, o que levou as respectivas autoridades monetárias a elevar os juros.

A desaceleração e a desconfiança dos investidores atingiram os mercados financeiros: desde o dia 5 de junho, as ações caíram 17,3% na China e 14,8% na Índia – uma queda mais acentuada que os 8,42% negativos registrados pelo S&P 500, que serve de termômetro para o mercado americano.

Entretanto, ressalva o FT, países ricos em recursos naturais, como o Brasil e a Rússia, têm sofrido menos. A queda no mercado brasileiro desde 5 de junho foi de 8%; na Rússia, 2,2%.

"O Brasil e outras economias latino-americanas, como o México e o Chile, se beneficiaram de disciplina monetária e fiscal. Esses países elevaram as taxas de juros e estabeleceram metas de inflação estritas", afirma a reportagem.

Para o jornal, mesmo que não tenham se descolado das principais economias industrializadas – ou ainda que tenham se descolado apenas "suavemente", como colocou outro analista ouvido na reportagem – a situação nos países emergentes ainda parece melhor que no passado.

"Muitos analistas acreditam que a maior parte das economias emergentes, embora enfrentando um futuro mais difícil, estejam caminhando na direção de um 'soft landing' no lugar das crises que os afligiram há uma década", analista o jornal.

"Muito vai depender do preço do petróleo e de outras commodities. Se os preços das commodities caírem muito acentuadamente no momento em que o mundo está combatendo a inflação alta, a história de sucesso dos mercados emergentes estará morta e enterrada."

Fonte: BBC Brasil