terça-feira, 13 de outubro de 2009

Produção de alimentos precisa aumentar 70% até 2050, diz ONU

A produção mundial de alimentos deve aumentar em 70% nos próximos 40 anos para suprir a demanda crescente, de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura.

O órgão calcula que os governos de países em desenvolvimento precisam passar a investir anualmente US$ 44 bilhões em agricultura para alimentar uma população que calcula-se que será de 9 bilhões de pessoas em 2050.

Atualmente, este investimento é de US$ 7,9 bilhões.

As mudanças climáticas e o êxodo para a cidades também devem contribuir para a falta de alimentos nos próximos anos, diz o relatório.

Aquecimento global

"O desafio não é apenas aumentar a futura produção global, mas aumentá-la onde ela é mais necessária", disse o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf.

"Deve existir um foco especial em pequenos fazendeiros, mulheres e seu acesso à terra, água e sementes de qualidade, além de outros recursos modernos."

Efeitos das mudanças climáticas como secas e enchentes podem reduzir a produção agrícola em 30% na África e 21% na Ásia, diz a FAO.

A produção de alimentos também deverá competir com lavouras de biocombustíveis, que devem aumentar em 90% na próxima década.

"A agricultura mundial deverá enfrentar as consequências das mudanças climáticas, em especial do aumento das temperaturas, uma variação maior do regime de chuvas e fenômenos climáticos extremos cada vez mais frequentes", disse Diouf.

A FAO diz que estas mudanças devem reduzir a quantidade de água disponível e aumentar a incidência de pragas e doenças em plantas e animais.

Fonte: BBC Brasil

Lula projeta Brasil a 'líder regional e ator global de 1ª ordem', diz jornal argentino

O jornal argentino La Nación afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como "líder regional e ator global de primeira ordem".

O texto, intitulado Brasil, nas grandes ligas, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a "via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso".

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de "dois troféus" aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma "formidável imagem de como se defende o interesse nacional". O La Nación sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, "aversões pessoais" entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal "não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas".

"A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo."

Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, "enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama".

O jornal observa que "em 2011 terminará o segundo período de Lula". "Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas."

Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, "o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina" e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que "em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões".

"Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida."

Fonte: BBC Brasil

Brasil alvoroça ordem mundial, diz 'El País'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Nova York para participar da abertura da Assembleia Geral da Onu em situação “que não poderia estar melhor”, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário espanhol El País.

Lula deve pedir reformas nas instituições financeiras internacionais, um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e deve defender a intervenção do Estado na economia para evitar excessos financeiros, diz o jornal.

Lula “falará com a autoridade de quem chega com os deveres de casa muito bem feitos”, afirma a reportagem, destacando que a crise financeira “não passa de uma lembrança no Brasil”.

“O Brasil se recuperou com rapidez e dinamismo e provavelmente vai fechar o ano com crescimento bastante superior ao do resto dos países membros do G20.”

O presidente também deve pedir aos 192 países participantes da Assembleia Geral que não baixem a guarda diante da recente recuperação econômica e coloquem em prática as medidas anticrise que vêm sendo discutidas desde a cúpula do G20 em Washington, em novembro passado.

“Quando a crise mundial alcançou seu ápice, o Brasil anunciou um empréstimo ao FMI no valor de US$ 10 bilhões e, desta maneira, passou a formar parte do seleto grupo de sócios doadores da instituição”, diz o jornal.

O jornal diz que Brasília considera a estrutura de órgãos como o Banco Mundial e o FMI está hoje totalmente obsoleta e não é representativa dos países emergentes.

“Desta maneira, o Brasil enfrenta uma semana de ofensiva diplomática para consolidar sua condição de líder regional sul-americano e novo ator de transcendência no panorama internacional.”

O Brasil, “que há anos assume o papel de porta-voz oficioso dos países em vias de desenvolvimento”, também deverá reclamar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, “orgão onde se tomam as verdadeiras decisões”, diz o jornal.

Para o Brasil, o assento seria uma forma de fazer com que os interesses do Terceiro Mundo sejam levados em conta “verdadeiramente”.

Como argumento, o país conta com a indiscutível liderança na América do Sul, “esta supremacia se assenta em uma sólida economia que, segundo os analistas, já representa 57% do capital sul-americano”.

Fonte: BBC Brasil

sábado, 26 de setembro de 2009

Perigo para o Brasil em Honduras

Se Manuel Zelaya combinou ou não com o governo brasileiro sua ida à embaixada do Brasil em Tegucigalpa é algo ainda a ser esclarecido. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que seu governo de nada sabia e ofereceu sua palavra contra a dos "golpistas". Mas isso é pouco relevante diante do pepino em que se encontra a diplomacia brasileira, agora atolada até o pescoço na crise política de Honduras.

Todos sabem que grande poder traz grande responsabilidade. Por isso parecia uma questão de tempo, considerando o aumento da influência do Brasil na política da América Latina, que o país se visse diretamente ligado a uma crise de grandes proporções, dada o ainda alto nível de instabilidade em partes da região. Entretanto, na crise de Honduras a responsabilidade parece ter se tornado maior que o poder acumulado pelo Brasil. O país ainda não tem os recursos políticos, diplomáticos e militares que tinham, por exemplo, os Estados Unidos ao longo do século 20, tempo em que mandavam e desmandavam em quase todos os vizinhos das Américas. Por mais que a retórica de Lula pareça apoiada na razão e seja apreciada tanto por Barack Obama como por Hugo Chávez, as opções brasileiras nesta crise são limitadas.

Num passado não muito distante, mais precisamente em 1991, outro líder latino-americano passou por aperto semelhante ao de Zelaya. Jean-Bertrand Aristide mal completava um ano na Presidência do Haiti, que acabara de sair de uma longa e sangrenta ditadura familiar, quando bateu de frente com o Congresso do país, da mesma forma como aconteceria com o presidente de Honduras. Aristide perdeu o apoio político no Parlamento e acabou expulso do cargo e da meia-ilha que comandava. O país ficou nas mãos dos militares, que com o tempo passaram a sofrer pressão internacional para aceitar o retorno de Aristide ao poder. Tratava-se dos Estados Unidos de Bill Clinton e não do Brasil de Lula, então os generais acabaram não resistindo. Em 1994, tropas americanas tomaram o Haiti para garantir o retorno do presidente deposto. Aristide governou então até 1996, voltou ao cargo em 2000, apenas para ser expulso mais uma vez. Mas essa é uma outra história, que o Brasil inclusive conhece muito bem.

O fato é que o Brasil de Lula não é a maior potência das Américas, não tem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU nem tem condições ou histórico de invadir vizinhos para garantir um arranjo político, como era o caso dos Estados Unidos na crise haitiana dos anos 90. Sozinho, o Palácio do Planalto não pode fazer por Zelaya o que a Casa Branca fez Jean-Bertrand Aristide. O presidente deposto de Honduras não pode assumir residência fixa na embaixada brasileira de Tegucigalpa, e uma solução parece depender de um acordo com o governo interino. Se for obtido, o Brasil terá fortalecida ainda mais sua imagem internacional como potência emergente, confiável na mediação de crises internas ou regionais, e o presidente Lula terá reafirmadas suas credenciais como defensor da democracia no continente.

Mas, se Roberto Micheletti decidir não fazer concessão alguma, Honduras pode mergulhar num impasse político ainda mais grave, com um crescente perigo de mais violência nas ruas de um país claramente dividido. Nesse caso, o Brasil poderá lamentar ter atendido a campainha e oferecido o sofá da sala a Manuel Zelaya.
Fonte: BBC Brasil

E aí pessoal, o que vocês estão achando dessa crise toda? Mande seu comentário!

BRICs saem do G20 com menos que queriam no FMI, mas Lula comemora

O bloco conhecido como BRIC (sigla formada pelas iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China) pleiteava um aumento de sua representação no Fundo Monetário Internacional (FMI) de 7% durante a reunião do G20 que terminou nesta sexta-feira, mas teve de se contentar com uma ampliação de 5%.

As conclusões constam do comunicado final da reunião dos países do G20, o grupo formado pelos países mais ricos do mundo e as principais economias emergentes. O encontro foi encerrado nesta sexta-feira na cidade americana de Pittsburgh.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deu uma entrevista coletiva após a realização da cúpula, disse, no entanto, que não ter obtido a cifra almejada pelo grupo esteve longe de ser um revés para o bloco.

De acordo com Lula, ao reivindicar 7% e obter 5%, os BRICs conseguiram “uma vitória extraordinária”.

“Não é só a quantidade. É a demonstração de flexibilidade de governantes e instituições que achavam que não precisavam mexer em nada no mundo”, disse.

Crise

Os BRICs também tinham a intenção obter um aumento de sua representação no Banco Mundial em 6%, mas na negociação final acabaram ficando com 3%.

Lula louvou o compromisso firmado na declaração final do G20 de transformar o bloco no fórum primário de cooperação econômica internacional, substituindo o G8 em discussões relativas a grandes temas econômicos.

O G8, o bloco formado pelas sete maiores economias mundiais e a Rússia, seguirá mantendo encontros regulares, mas se centrará em temas de segurança internacional e política externa.

No entender do presidente, o papel ampliado do G20 e a ascensão dos emergentes no bloco é um resultado da crise financeira global.

“A crise abriu a cabeça das pessoas. Eu sei o que é fazer reunião com os países ricos antes da crise e depois da crise”, disse.

“É como o ser humano que está no hospital. Quando a gente tá bom, pensa que nunca vai ficar doente. Quando tá todo mundo lá, moribundo, todo mundo é mais humilde, simples, ninguém tem mais certeza de nada.”

Comunicado

No documento final da cúpula, os países do G20 também se comprometem em buscar uma conclusão para a Rodada de Doha de liberalização do comércio até 2010 e a lutar contra práticas protecionistas.

Compromissos semelhantes, no entanto, já haviam sido feitos na reunião que antecedeu a cúpula atual, realizada em Londres, em abril deste ano, depois da qual vários países que integram o G20 se lançaram em ações de proteção a seus mercados.

Recentemente, os Estados Unidos impuseram tarifas de 35% sobre pneus importados da China e sindicatos que representam papeleiras americanas pediram a taxação de papel exportado pela China e Indonésia.

O próximo encontro do G20 deve ocorrer no Canadá, em junho de 2010. A reunião seguinte deverá ocorrer na Coreia do Sul, em novembro de 2010. E, depois disso, está previsto ainda mais um encontro na França, em 2011.

Fonte: BBC Brasil

ONU condena cerco a embaixada brasileira em Honduras

O Conselho de Segurança da ONU condenou nesta sexta-feira "atos de intimidação" contra a embaixada brasileira na capital de Honduras, Tegucigalpa, onde o presidente deposto do país, Manuel Zelaya, está refugiado desde segunda-feira.

"Condenamos os atos de intimidação contra a embaixada brasileira e pedimos para que o governo de fato pare de interferir com a embaixada e forneça todos os serviços públicos como água, eletricidade, comida e a continuidade de comunicações", disse a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, que atualmente preside o Conselho.

"Pedimos o respeito e a proteção da inviolabilidade das dependências diplomáticas, o que é um princípio de relações internacionais universalmente aceito", acrescentou Rice. "Pedimos que todos os envolvidos permaneçam calmos para evitar ações que possam piorar a situação e colocar indivíduos em risco."

Na reunião de emergência pedida pelo governo brasileiro para discutir a crise em Honduras, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, relatou a situação da embaixada em Tegucigalpa e pediu ao Conselho de Segurança uma ação para acabar com o cerco à representação brasileira.

"A embaixada está virtualmente sitiada", disse Amorim.

O ministro acrescentou que a representação diplomática "tem sido submetida a atos de assédio e intimidação pelas autoridades de fato" e citou a interrupção do fornecimento de água e eletricidade, o bloqueio de telefones celulares, a instalação de "sons perturbadores na frente da embaixada", a restrição do acesso a alimentos e o impedimento da circulação de veículos oficiais.

"Essas medidas tomadas pelas autoridades de fato claramente violam as obrigações decorrentes da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas", afirmou.

Manuel Zelaya foi deposto do cargo de presidente e expulso de Honduras em 28 de junho. Na última segunda-feira, retornou ao país e se refugiou na embaixada brasileira. A comunidade internacional não reconhece o governo interino e considera Zelaya o legítimo presidente de Honduras.

O governo interino, comandado por Roberto Micheletti, acusa o Brasil de intromissão nos assuntos internos do país ao "promover" a volta de Zelaya e diz que a embaixada brasileira se transformou em "uma concentração de pessoas armadas que ameaçam a paz e a ordem pública em Honduras".

Negociação

O governo interino de Honduras anunciou na quinta-feira que aceita receber uma missão integrada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e pelo vice-presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, para negociar uma solução para a crise.

De acordo com o governo interino, o encontro foi sugerido pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e deve acontecer "nos próximos dias".

Segundo um comunicado divulgado pela Secretaria de Relações Exteriores de Honduras, por este motivo, o governo interino decidiu adiar, ainda sem previsão de data, uma reunião com uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O presidente da Costa Rica foi o mediador do chamado Acordo de San José, uma tentativa fracassada de resolver a crise em Honduras no início de julho.

Segundo a embaixadora americana na ONU, os membros do Conselho de Segurança "vão dar suporte aos esforços de mediação facilitados pela OEA (Organização dos Estados Americanos), incluindo aqueles do presidente Árias para o alcance de uma solução pacífica".

O embaixador do México no Conselho de Segurança, Claude Heller, afirmou que a crise política em Honduras está sendo tratada pela OEA, mas acrescentou que, "se a embaixada (brasileira) for invadida, (isso) será considerado uma questão gravíssima, e o conselho voltará a se reunir".

Em um comunicado, o governo interino de Honduras comemorou o anúncio do retorno dos embaixadores dos países da OEA e da União Europeia a Tegucigalpa e disse que isso "significa o reconhecimento expresso do governo de Roberto Micheletti".

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, o embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, afirmou que o secretário-geral da Organização, José Miguel Insulza, deve chegar a Tegucigalpa até domingo.

Casaes, que vai acompanhar a missão, afirmou que a OEA tentará partir do acordo de San José para chegar a uma solução para a crise em Honduras.

Diálogo

Em Tegucigalpa, Zelaya pediu nesta sexta-feira que seus simpatizantes continuem protestando e pedindo seu retorno ao poder, apesar das indicações de retomada de diálogo com o governo interino.

"Nós pedimos à resistência que mantenha a batalha até que juntos, povo e presidente, consigamos as reformas constitucionais e a queda dos usurpadores", disse Zelaya em um comunicado lido por seus seguidores.

Na quinta-feira, Zelaya havia declarado em entrevista a uma emissora de televisão que o diálogo com o governo interino havia se iniciado e era "positivo".

A vice-ministra das Relações Exteriores do governo interino, Martha Lorena Alvarado, confirmou o que chamou de "diálogos informais" com o presidente deposto. Em entrevista à BBC, Alvarado acrescentou, no entanto, que as negociações não têm por objetivo a restituição de Zelaya ao poder.

Alvarado acusou a comunidade internacional de "intimidar" Honduras e de não compreender que o governo interino agiu de acordo com a Constituição do país ao depor Zelaya.

Um grupo de candidatos à Presidência de Honduras nas eleições previstas para 29 de novembro participou de reuniões separadas com Micheletti e Zelaya.

O governo interino de Honduras autorizou na quinta-feira a reabertura dos aeroportos do país, que estavam fechados desde segunda-feira. O toque de recolher também foi suspenso.

Com as medidas, o governo de Micheletti esboça um retorno do país à normalidade, depois de dias de turbulências devido à volta de Zelaya.

Desde segunda-feira, segundo o governo interino, pelo menos duas pessoas morreram nos conflitos. No entanto, o número é contestado por Zelaya, que chegou a afirmar que o número de vítimas fatais pode chegar a dez.

Fonte: BBC Brasil

Amorim reitera que Brasil não sabia da volta de Zelaya a Honduras


O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou, nesta sexta-feira, que o governo brasileiro não tinha conhecimento prévio dos planos do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, de voltar à capital hondurenha, Tegucigalpa, e se instalar na embaixada do Brasil.

“Se vocês quiserem que eu jure aqui e bote uma Bíblia, o Alcorão e mais uma Torá, eu juro. Não tenho o menor problema com isso. Eu não sabia, nós não sabíamos (do retorno de Zelaya). Se vocês não quiserem acreditar, eu não posso fazer nada”, disse o chanceler brasileiro em uma entrevista coletiva em Nova York.

As declarações de Amorim são uma resposta às acusações feitas na última quinta-feira pelo governo interino de Honduras que, por meio de um comunicado, acusou o governo brasileiro de “promover” a volta de Zelaya à capital do país e de “intromissão” em assuntos internos hondurenhos.

“Não há interferência em problemas internos. Essa é uma situação que já foi examinada pela OEA (Organização dos Estados Americanos), que unanimemente adotou resoluções, não tivemos nenhuma participação na ida do presidente Zelaya”, disse.

“Agora, há um presidente legítimo, ele bate à nossa porta e o que você gostaria que eu fizesse? Que entregasse esse presidente à polícia dos golpistas? Não havia outra atitude possível. Qualquer outra atitude seria covarde. É um presidente democrático, legitimamente eleito, assim reconhecido pela OEA e pelas Nações Unidas”.

“É uma coisa extraordinária ter conseguido uma declaração em um momento como esse, ter conseguido uma sessão aberta, porque eles poderiam ter feito só, por exemplo, uma consulta (sem ouvir o Brasil). É muito comum quando isso acontece.”

Amorim também voltou a dizer que não crê em uma invasão da embaixada brasileira por forças hondurenhas e afirmou que o governo brasileiro acredita que as negociações para tentar colocar um fim à crise no país centro-americano devem ser feitas no âmbito da OEA.

Na última quinta-feira, o governo do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou que aceita receber uma missão diplomática integrada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e pelo vice-presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, para negociar uma solução para a crise.

Por este motivo, o governo interino decidiu adiar uma reunião com uma missão da OEA.

“Eu acho que ele (Micheletti) pode receber quantas missões ele quiser, mas acho que é importante que a missão da OEA chegue. A OEA é o órgão legítimo para tratar dessa negociação”, disse.

Segundo o ministro, está prevista para este sábado a viagem a Honduras do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e de outros embaixadores, inclusive o brasileiro Ruy Casaes.


Fonte: BBC Brasil

Comunidade internacional exige volta de Zelaya ao poder, diz Lula na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, em Nova York, fazendo um apelo para que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, seja reconduzido à Presidência do país centro-americano.

Durante o discurso de abertura da Assembleia – tradicionalmente feito pelo presidente do Brasil –, Lula reiterou ainda que a comunidade internacional deve estar atenta à “inviolabilidade” da embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde a última segunda-feira.

“A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha”, disse Lula, sendo em seguida bastante aplaudido pelos líderes presentes na sede da ONU.

A crise no país centro-americano se intensificou na segunda-feira, com a volta de Zelaya a Tegucigalpa.

O líder deposto se abrigou na embaixada brasileira, na frente da qual foram registrados confrontos entre manifestantes e forças do governo na última terça-feira.

Em um comunicado lido em rede nacional de TV na terça-feira, o presidente interino do país, Roberto Micheletti, afirmou que está disposto a dialogar com Zelaya desde que ele se comprometa com a realização de eleições marcadas para o fim de novembro.

“Doutrina absurda”

Embora tenha feito declarações em relação à crise em Honduras, o discurso de Lula foi dominado pela defesa de reformas em organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Afirmando que a crise econômica internacional marcou a falência “da doutrina absurda de que os mercados podem se autorregular, dispensando a intervenção do Estado”, Lula afirmou que é “imprescindível refundar a ordem econômica mundial”.

“Meu país propõe uma autêntica reforma dos organismos financeiros multilaterais”, disse.

“Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção do FMI e do Banco Mundial. Sem isso não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis.”

O presidente brasileiro afirmou ainda que “não é possível que o mundo continue a ser regido pelas normas da conferência de Bretton Woods” e criticou o que chamou de “resistências em se adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros”.

“Países ricos resistem em realizar reformas nos organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial. É incompreensível a paralisia da Rodada de Doha, cujo acordo beneficiará sobretudo as nações pobres. Há sinais inquietantes de recaídas protecionistas. Pouco se avançou no combate aos paraísos fiscais”, disse o presidente.

Lula também defendeu reformas na ONU e no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde o Brasil reivindica um assento permanente, e classificou o embargo econômico contra Cuba como um “anacronismo”.

“Não é possível que as Nações Unidas, e seu Conselho de Segurança, sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial”, disse.

O presidente citou como exemplo de experiência de integração regional a constituição da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e disse que “um mundo multipolar não será conflitante com a ONU. Ao contrário, poderá ser um fator de revitalização da ONU”.

Mudanças climáticas e pré-sal

O último assunto abordado pelo presidente foi a necessidade de ações para reverter o aquecimento global.

Lula afirmou que o Brasil chegará à cúpula sobre mudanças climáticas que acontece em dezembro em Copenhague, na Dinamarca, com “alternativas e compromissos precisos”.

“Aprovamos um Plano de Mudanças Climáticas que prevê uma redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Diminuiremos em 4,8 bilhões de toneladas a emissão de CO2, o que representa mais do que a soma dos compromissos de todos os países desenvolvidos juntos. Em 2009, já podemos apresentar o menor desmatamento dos últimos 20 anos”.

O presidente disse ainda que se deve “exigir dos países desenvolvidos metas de redução de emissões muito mais expressivas do que as atuais” e apontou para a “profunda preocupação” sobre “a insuficiência dos recursos, até agora anunciados, para as necessárias inovações tecnológicas que preservarão o ambiente nos países em desenvolvimento.”

Citando as descobertas de grande reservas de petróleo na camada pré-sal, Lula ainda afirmou que o Brasil “não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo”.

“Queremos consolidar nossa condição de potência mundial da energia verde”, disse.

Fonte: BBC Brasil

Volta de Zelaya 'coloca Brasil em situação delicada'

O retorno a Honduras do presidente deposto, Manuel Zelaya, e o fato de ele ter buscado proteção na embaixada brasileira, colocaram o Brasil em uma situação "delicada", na avaliação de assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fontes do Palácio do Planalto disseram à BBC Brasil que o retorno sem aviso prévio do líder hondurenho não só poderá dificultar as negociações com o governo interino, como também traz um "problema" para a diplomacia brasileira, que passou a ter uma responsabilidade "muito maior" em todo o processo.

"Em nenhum momento o Brasil questionou a legitimidade de Zelaya e de seu pleito de retorno imediato ao poder, mas sua presença na embaixada brasileira colocou o Brasil no centro do impasse", disse uma fonte do Palácio à BBC Brasil.

A avaliação é de que ao buscar apoio na representação brasileira em Honduras, Zelaya acabou "impondo" ao Brasil um papel de relevância que deveria ser desempenhado pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Ficamos em uma situação delicada", disse essa mesma fonte.

Em entrevista à BBC Mundo, a vice-chanceler do governo interino de Honduras, Martha Lorena Alvarado, acusou o Brasil de ingerência em seu país e que, se houver derramamento de sangue, "o governo brasileiro será responsável".

Precipitação

Há dois meses, quando Zelaya fez sua primeira tentativa de retorno a Honduras, o presidente Lula desejou-lhe "sorte" por telefone, mas acrescentou que "não poderia avaliar" a decisão de Zelaya de ingressar no país naquelas circunstâncias.

Em entrevista à BBC Brasil, em julho, Lula defendeu a legitimidade do presidente deposto, mas deu a entender que sua tentativa de retorno a Honduras havia sido um erro.

O presidente brasileiro lembrou que a OEA tinha acabado de suspender Honduras da instituição e que "no mesmo dia ele tentou voltar", sugerindo que o hondurenho possa ter se precipitado.

Um dos receios do Palácio do Planalto é de que Zelaya não tenha ainda apoio suficiente dentro do país que sustente sua volta ao poder.

'Fato consumado'

Apesar de questionar a decisão de Zelaya, um diplomata brasileiro disse que o governo não considera a hipótese de suspender o apoio ao presidente de Honduras.

"A entrada dele é um fato consumado e o Brasil não pode voltar atrás em seu apoio a Zelaya. Agora precisamos trabalhar para chegarmos à melhor saída possível", disse a fonte.

O chanceler Celso Amorim disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira, em Nova York, que a presença do líder hondurenho no país "pode facilitar o diálogo" e assim precipitar uma solução para o impasse político no país.

A expectativa, segundo um diplomata brasileiro, é de que esse novo fato acabe "expondo" as dificuldades políticas do governo interino.

Nesta terça-feira, o governo hondurenho cortou o fornecimento de água, luz e telefone da embaixada brasileira, onde Zelaya está hospedado.

"Foi uma medida abusiva a uma representação diplomática. E atitudes como essa, se persistirem, podem minar o apoio político ao governo interino", disse o mesmo diplomata à BBC Brasil.

A avaliação do governo brasileiro é de que, diante do agravamento da situação, a saída para o impasse passou a depender "ainda mais" dos Estados Unidos e da OEA.

Amorim disse que já acionou esses canais e que pediu ao embaixador do Brasil em Washington para que entrasse em contato com as autoridades americanas.

Fonte: BBC Brasil

Entenda a origem da crise em Honduras

A crise política em Honduras que levou à detenção e ao exílio do presidente Manuel Zelaya, no fim de junho, teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário.

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas que ajudam a explicar como se produziu a crise.

- Qual a origem da crise?

O presidente Manuel Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro - quando seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais - tivesse mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna.

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

- O que se planejava para o domingo da deposição de Zelaya?

Seria uma consulta sobre a consulta.

Os eleitores teriam que responder sim ou não à seguinte pregunta: "Está de acordo com que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte que aprove uma nova Constituição política?".

- O que decidiu o Congresso sobre a consulta?

O Congresso hondurenho aprovou uma nova lei que regulamenta os referendos e os plebiscitos e invalidava juridicamente a consulta.

A nova legislação impedia a realização de consultas 180 dias antes e depois das eleições gerais.

O então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que era do mesmo partido que Zelaya, o Partido Liberal, afirmou que a consulta não teria validade jurídica e que pela atual Constituição ela seria considerada um delito.

A proposta de Zelaya era rechaçada por Micheletti, que afirmava que o presidente pretendia se perpetuar no poder.

- Zelaya pretendia se lançar candidato à reeleição?

O mandato de Zelaya terminaria em janeiro de 2010, e a atual Constituição veta a reeleição do presidente.

Zelaya, que foi eleito em 2005, negou que pretendesse continuar no poder além dos quatro anos para os quais foi eleito.

Segundo ele, uma eventual mudança constitucional seria válida apenas para seus sucessores.

- Qual a posição do Exército?

Zelaya havia destituído o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo Vázquez, que havia se negado a apoiar a logística para a consulta de junho, declarada ilegal pelo Congresso.

Após a demissão de Vázquez, o ministro da Defesa, Ángel Edmundo Orellana, e outros comandantes militares também renunciaram.

Porém a remoção de Vázquez ordenada por Zelaya foi revertida pela Suprema Corte de Justiça, que aceitou dois recursos contra a decisão do presidente.

O Exército mobilizou na sexta-feira anterior à consulta efetivos para prevenir possíveis distúrbios por parte de organizações populares e indígenas, que apoiam Zelaya.

Fonte: BBC Brasil